Therezinha

Em 22 de março de 1930, numa fazenda da pequena cidade de Batataes, nascia Therezinha Caruso. Ela seria a segunda mais nova dentre os oito filhos de Dona Jeronyma e Seu Carmino. A família era pobre, então Therezinha e seus dois irmãos mais próximos em idade (Anar – apelidada desde cedo como Nega -, mais velha e Carmine, o caçula) foram os únicos a frequentarem a escola até a quarta série.

Foto de uma criança sentada em uma cadeira, com um vestido branco e um lenço amarrado ao pescoço

Um raro registro de dona Therezinha durante a infância

Therezinha trabalhou desde muito cedo. Ela e seus irmãos colhiam algodão e café na roça, e ela comentava que suas mãos ficavam muito ásperas do trabalho. Vaidosa desde cedo, Therezinha passava leite de mamão para deixá-las macias novamente – não à toa, suas mãos eram macias até a terceira idade. Ainda no interior, gostava muito de bonecas, batons e livros, e seu pai prometia alguns desses itens de presente se ela comesse direito quando ficava doente, mesmo que fosse difícil comprá-los.

Na adolescência, Therezinha era conhecida por sua beleza, por sua voz afinada e pelo seu gosto pela dança. Gostava muito de valsas e músicas sertanejas, mas seu gosto musical era bem aberto, e no futuro daria espaço a Elton John, Elis Regina e até mesmo Coldplay, já na velhice. Depois que a família migrou para São Paulo, Therezinha descobriu ainda outro grande amor: o cinema. Segundo ela, emendava sessões para assistir aos seus filmes favoritos, especialmente os de romance, como A Ponte de Waterloo.

Foi também na cidade grande que ela arranjou um novo emprego em um tear. Sempre muito talentosa, seu trabalho na fábrica motivou-a a diplomar-se em corte e costura para que pudesse também produzir suas peças próprias e personalizadas para as pessoas queridas, às quais fazia com muita delicadeza e dedicação. Bordava tão bem que chegou a elaborar os desenhos para uma confecção infantil. Nos períodos mais difíceis, ela gastava noites à fio trabalhando em seus bordados.

Um homem jovem de terno acompanhando uma moça de vestido claro com um diploma nas mãos

Diplomação de corte e costura. Na foto, ela posa ao lado de seu querido irmão Carmine

Com 27 anos, Therezinha casou-se. Eu adoraria que esse parágrafo fosse uma oportunidade para contar uma bela história de amor, mas não seria verdade. Ela contava que tinha tido dois grandes amores ao longo da vida, e infelizmente seu marido não fora uma delas. Casou-se em busca de algo seguro, de estabilidade, e de alguém que ela acreditava que não a machucaria. Seu casamento trouxe muitos bons frutos, mesmo que também tenha sido responsável por tristezas.

Jovem moça vestida de noiva. Ela sorri para a câmera enquanto segura seu buquê.

Uma noiva linda! ❤

A primeira filha, Maria José, veio em 1958. Pouco mais de um ano depois, em 1959, nascia Luiz Alberto. Depois, José Eduardo em 1962 e Maria do Carmo em 1965. Entre seus dois meninos, Therezinha teve um aborto espontâneo que muito a marcou durante sua vida. Os custos foram crescendo, a vida foi ficando mais difícil, mas Therezinha nunca se deixou abater: trabalhava até de madrugada, cuidava de filhos e sobrinhos ao longo do dia e era querida por todos à sua volta. Sempre doce e gentil, sempre com um conselho ou um ombro amigo para oferecer, seja para quem fosse. Muito carinhosa, ela amava seus filhos acima de tudo, e moveria céus e terras por eles, sempre muito orgulhosa de suas conquistas.

Casal de adultos acompanhado de seus quatro filhos. Na fileira de trás, da esquerda para a direita: o pai, de terno; a mãe, de vestido, segurando a filha caçula no colo; a filha mais velha, também de vestido, de pé ao lado da mãe. Na fileira de baixo, os dois meninos, o mais velho à direita e o mais novo à esquerda.

A família reunida! ❤

Com o passar dos anos, seus filhos foram crescendo e, consequentemente, a família cresceu junto. Em 1983, seu filho Luiz Alberto casou-se com a namorada, uma grande amiga da faculdade, que chamava-se Luzia Célia. A união dos dois foi duradoura e feliz, e sogra e nora tinham uma grande amizade uma pela outra. Foi esse filho quem deu a primeira neta para dona Therezinha: Luiza Helena, essa que vos fala. Durante meu primeiro ano de idade eu simplesmente não queria desgrudar de um colo tão gostoso, de abraços tão carinhosos, de canções de ninar tão doces.

Duas fotos lado a lado. Na da direita, uma senhora segura um bebê sentado em seu colo. Ela sorri olhando para a criança, e a menina olha para a câmera. Na segunda, a senhora está sentada olhando para a criança que dorme deitada em seu colo.

Não consegui escolher uma só porque sou apaixonada pelas nossas fotos de quando eu era bebê ❤

Ao longo da minha infância, minha avó cuidou muito de mim. Ela estava sempre lá pra me oferecer um colo no qual deitar, fosse pra dormir, pra chorar ou apenas pra ver TV. Ela não poupava elogios pra absolutamente tudo que eu fazia. Ela guardava com muito carinho qualquer coisa que eu desse pra ela – havia muitos botões de rosas mortos e cartões de dias das avós em sua coleção. Ela era minha defensora em todos os momentos da minha vida, até mesmo quando eu estava claramente errada: “tadinha”, ela dizia. Seu apelido para mim era “tesouro”, constantemente usado em seu diminutivo.

Quando, em 2003, minha mãe se foi, comecei a passar ainda mais tempo na casa dela, junto das minhas tias, já que meu pai trabalhava em horário comercial e não podia cuidar de mim durante a tarde. Nosso laço só crescia, e ela era sempre um porto seguro para o qual voltar, sentada no cantinho do sofá, esperando com um sorriso no rosto e me recebendo com sua voz tão doce.

Em 2008, ela ganhou sua segunda neta, mais uma grande alegria na sua vida: Nina. Sempre muito protetora e assustada, lembro que dona Therezinha ficava apavorada porque a Nina sempre foi bem mais agitada do que eu, que era a calma em pessoa quando pequena. Cada vez que minha prima engatinhava rapidamente pela casa, chegava perto das tomadas ou subia correndo as escadas, minha avó, preocupada e cheia de amor, pedia que ela tomasse cuidado ou seguia atrás dela, mesmo com seus já quase 80 anos.

Na foto, uma senhora de pé olha com carinho para um bebê deitado em seus braços.

Minha vó com minha prima no colo ❤

Muito do que eu aprendi na vida e do que eu sou hoje vem dela. Minha tendência apaziguadora, de alguém que odeia conflitos? É ela. Meu gosto por ajudar os outros, independente de quem eles sejam, que ela sempre classificou como “bondade”? É ela inteirinha. Minha solicitude, minha disponibilidade quando alguém precisa de algo? É ela. Filhos, irmãos, sobrinhos, antigos vizinhos, todo mundo tem uma história para contar de alguma ocasião em que ela tenha sido um verdadeiro anjo. Eu sempre admirei muito esse modelo incrível de mulher que eu tinha por perto, e saber que muitas das minhas características são reflexo dela é simplesmente maravilhoso.

Da esquerda para a direita, temos uma adolescente de vestido verde que sorri com o braço envolto nos ombros de sua avó, também sorrindo, de vestido cinza.

Essa foto é da minha festa de 15 anos. Sempre lembro do quanto ela babou de orgulho ❤

Infelizmente, os anos de 2010 não a trataram da maneira que ela merecia. Ao longo dessa década, sua saúde mental foi se deteriorando, e em pouco tempo ela foi diagnosticada com mal de Alzheimer. Os esquecimentos começaram sutis e pequenos, com coisas bobas, mas aos poucos foram aumentando de proporção. Nos últimos anos, ela não sabia mais como funcionava uma televisão, não tinha mais muita noção de como se passavam as horas do dia, mal dormia direito. No começo de 2018, ela já tinha lapsos em que perguntava por seus pais ou esquecia quem eram seus filhos e netas. Mas algo nunca mudava: sua doçura. Lembro-me de uma frase que ela às vezes dizia para alguns de nós nessas situações – “eu não lembro quem você é, mas sei que gosto muito de você, muito mesmo”.

Em pé, da esquerda para a direita: uma senhora de vestido grafite abraça uma jovem de vestido preto, que sorri para a câmera.

Meu exemplo ❤

No dia 18 de junho de 2018, repentinamente, ela se foi. Surpreendendo todo mundo, ela partiu. Acordar às cinco da manhã com essa notícia foi um dos piores momentos da minha vida, algo que nunca irei apagar da memória. São tantas as coisas que eu queria ter dito pra ela mais uma vez, tantos os abraços que eu ainda quero dar, tanta a saudade que eu sinto do seu colo, que não posso evitar que algumas lágrimas caiam enquanto escrevo esse texto.

Hoje ela faria 89 anos. Eu não acredito em vida pós-morte, mas sei que ela acreditava, então aproveito para deixar, nesse último parágrafo, algumas coisas que eu gostaria de dizer a ela:

Vó, você não faz ideia da falta que faz em cada canto da casa, em cada pedaço do meu coração.  Eu queria muito poder olhar nos seus olhos e te dizer o quão importante você foi e ainda é na minha vida, e o quanto você está comigo em cada passo que eu dou. Todo dia eu sinto angústia de não te ter por perto, e de não poder gritar pro mundo inteiro o quanto eu te amo. Porque eu te adoro. Mais do que tudo nesse mundo…

Cinco pessoas em pé, da esquerda para a direita: um homem sorri para a câmera; uma mulher, mais baixa, também sorri; uma jovem sorri enquanto exibe seu diploma em frente ao peito; uma senhora olha na direção da jovem com admiração; por fim, outra mulher sorri em direção à câmera

Termino o post com essa foto de 2017 da minha colação de grau em Editoração. Ela já não tinha muita consciência do que estava acontecendo, mas o olhar de orgulho que ela me dá faz dessa uma das minhas fotos favoritas ❤

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Uma década

Outro dia me peguei pensando no tanto de coisas que podem acontecer em um período de dez anos. Com a velocidade dos dias de hoje, uma geração inteira renova-se, aparelhos eletrônicos ficam rapidamente obsoletos, o tipo de entretenimento consumido por aí muda da água pro vinho, a conjuntura política transforma-se por completo…

Em 2009, a música mais ouvida do ano foi Boom Boom Pow”, do Black Eyed Peas, que ainda era uma banda. Lady Gaga surgia como a grande estrela do pop que é, lançando hits como “Poker Face”, bem longe de imaginar o tanto de prestígio que ganharia como cantora e atriz. Supernatural e Grey’s Anatomy lançavam respectivamente suas quinta e sexta temporadas, bem distantes da marca de 300 episódios. Séries como House e Lost ainda estavam no ar. Quem Quer Ser um Milionário levava o Oscar de melhor filme, enquanto Miley Cyrus promovia sua estreia como protagonista nas telonas com Hannah Montana: O Filme. O Orkut era a rede social mais popular do Brasil e o iPhone 3Gs vinha como um dos celulares mais potentes do mercado. Era o penúltimo ano do governo Lula e o primeiro de Obama.

Nesse mesmo ano, Luizinha fazia 14 anos. Eu entrara na adolescência há pouco, estava perto de me formar no Ensino Fundamental, tinha recém criado um twitter, era fanática pelos Jonas Brothers e estava ainda no início da minha paixão pelo Coldplay. Eu não fazia ideia de quanta coisa ia mudar na minha vida quando abri a página do UOL blogs e registrei, totalmente de graça, o primeiro domínio do Miniature Disasters.

De lá pra cá, muita coisa aconteceu. Fiz uma festa de 15 anos que julgo como o melhor dia da minha vida. Cursei Editoração na ECA, descobri um mundo novo (muito mais feliz) e lá fiz amigas maravilhosas. Encontrei em mim uma feminista. Conheci ao vivo as amigas de internet com quem me conectava desde 2009. Namorei dois caras incríveis (coisa inimaginável pra Luizinha de 14 anos), que hoje são meus grandes amigos. Fui ao show da minha banda favorita – aquela, por quem me apaixonei em 2009 – e vi meus quatro amores de pertinho, na grade. Ingressei no Mestrado pela FFLCH e ganho bolsa pra estudar Machado de Assis.

Mas nem tudo foi tão bom assim. Passei por um Ensino Médio turbulento, cheio de inseguranças e baixa autoestima. Emendei o início de uma segunda graduação assim que encerrei a primeira e vivi um ano muito cansativo, cheio de dúvidas e de crises. Fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada ao final de 2017 e tenho tentado lidar com isso desde então. E, acima de tudo, perdi minha avó, ficando sem mais uma das minhas quatro mães.

Durante todo esse tempo, o blog permaneceu na ativa. Mudou de domínio, teve seus altos e baixos, mas continuou aqui. Teve períodos de vacas magras e vacas gordas, mas continuou aqui. Já postei uma vez por semana e já fiquei longos períodos sem postar (como ano passado inteiro, por exemplo… não me orgulho disso), mas ele continuou aqui. Esperando que eu voltasse pra celebrar meus momentos bons, ou pra chorar minhas mágoas. Por dez anos, ele esteve sempre comigo.

E é por isso que estou aqui hoje: não poderia deixar o aniversário de dez anos do Miniature Disasters passar. No dia 22 de janeiro de 2010 eu publicava um post celebrando o primeiro ano de vida desse blog, surpresa com a marca, sem imaginar que dali nove anos, com 23 de vida nas costas, eu estaria celebrando uma década desse blog maravilhoso!

Obrigada pela companhia ao longo de todos esses anos, Miniature! E que venham os próximos dez! ❤

10 year challenge.jpg

Aproveitando a onda do 10 Year Challenge, aqui vão duas fotos minhas, uma de quando eu tinha 13 anos e outra dos meus 23 anos =)

 

 

Into life I’ve just been woken

A história desse post começa há mais de dez anos, quando ouvi, na televisão, uma música muito bonita com um clipe que eu achava terrível. O nome era “The Hardest Part“. Lembro-me claramente de fechar os olhos pra esquecer o clipe enquanto ouvia aquela melodia que tanto me apaixonou.

Alguns anos se passaram, aquela banda lançou um disco novo, eu fui gostando cada vez mais do que ouvia e fui caçando na internet tudo que eles já tinham feito até então. É engraçado que eu nunca tive esse ímpeto com outro artista, nem antes nem depois desse episódio – costumo ter alguma preguiça de ouvir uma discografia completa de alguém – mas com eles foi diferente. Eles foram crescendo em mim e eu queria ouvir cada vez mais, e me encantar cada vez mais.

Pois bem, de lá pra cá a história de como o Coldplay fez parte da minha vida foi cada vez mais se misturando com a minha própria história: eles participaram de alguns dos meus melhores momentos, como a minha festa de 15 anos (também conhecida como o melhor dia da minha vida) e me acompanharam em alguns dos meus pontos mais críticos. Parecia que sempre existia uma música que se encaixava perfeitamente naquilo que eu sentia, tanto em melodia quanto em letra.

Toda essa atmosfera de amor justifica o sonho que eu tinha de ir a um show deles na pista premium e ver aquilo tudo de pertinho. Esse sonho não se realizou em 2010 porque eu era muito nova, nem em 2011 porque não consegui ir ao Rock in Rio, nem em 2013 porque eles cancelaram a turnê na América Latina (#neverforget =P). E em 2016, quando eu jurei que tinha chegado minha vez, o site de venda de ingressos me fez de trouxa e acabei ficando na pista comum, com visão privilegiada do Palco B, mas ainda sem realizar o sonho por completo. Nesse ponto, achei que uma nova chance só viria dali uns bons anos, na turnê seguinte, mas eu estava enganada.

Eis que eles anunciaram a volta à América do Sul para encerrar a turnê, e no dia 7 de novembro de 2017 lá estava eu, na fila para a pista premium, a alguns metros de realizar meu sonho.

A verdade é que até hoje, quase um mês depois de tudo ter acontecido, ainda é muito difícil colocar em palavras a emoção de estar na grade do show da banda da minha vida.  O cansaço e o calor desapareceram por duas horas, e uma euforia sem fim tomou conta de mim. E num toque de mágica (juro que o trocadilho é sem querer), eles conseguiram me proporcionar mais um dos melhores dias da minha vida.

Talvez porque de lá eu tenha conseguido ver aqueles mínimos detalhes que são invisíveis de outros pontos por causa da escuridão do palco, como a entrada daqueles quatro moços (que eu apelido carinhosamente de “meus quatro putos” ❤ ) ou uma troca de camisa (sim, Chris, eu vi… e cê tá de parabéns =P). Talvez porque eu tenha tido a oportunidade de ver os movimentos de cada um deles em seus instrumentos. Talvez porque eu tenha visto eles se aproximarem de mim, e tenha visto o Chris sorrir enquanto andava na nossa direção. Talvez porque eu tenha sentido o calor do fogo disparado no palco, ou os confetes que vinham diretamente em mim, chegando até a cair dentro dos meus óculos. Talvez porque eles tenham tocado quatro músicas do meu álbum favorito de todos, e eu tenha tido a oportunidade de acompanhá-las todas a poucos metros de distância – principalmente “Clocks”, aquela que eu sinto que foi escrita pra mim. Talvez porque eu tenha feito parte do grupo que ouviu Will fucking Champion cantar “In My Place” quase sozinho pela primeira vez ao vivo. Talvez porque eu tenha participado de vários momentos catárticos entre banda e plateia, como com as cantorias em “The Scientist”, “God Put a Smile Upon Your Face”, “Viva la Vida” ou “Fix You”, os movimentos de “Adventure of a Lifetime” ou “Life is Beautiful” e as pulseiras em “Paradise” e principalmente em “Charlie Brown”. Talvez porque eles tenham algum tipo de feitiço que me faça gostar ao vivo até de uma música que eu odeio em estúdio, como é justamente “Adventure of a Lifetime”.

Obrigada, Coldplay. Por esse show, por esses momentos, por todos esses anos de companheirismo. Por tudo ❤

P.S.: Curiosamente, assim que eu terminei de escrever esse texto começou a tocar “Clocks” na minha playlist de mais ouvidas de 2017 no Spotify. Jesus, como eu amo essa banda!

Sim, esse post veio com atraso. Sim, eu to sumida há um bom tempo desse blog. Tem tanto post nos rascunhos e tanta coisa acontecendo na minha vida nos últimos meses que eu sinto que preciso voltar e compartilhar muito desse turbilhão com vocês, mas irei com calma, com baby steps. Enquanto isso, espero que tenham gostado desse relato do show =D

Minhas citações preferidas

Daí que eu adoro “roubar” ideias alheias de post.
Eu não me orgulho disso.  Mas a verdade é que eu penso em fazer algo nesse estilo desde que vi o desafio das 52 semanas pela primeira vez, e o recente post da Livoneta só trouxe de volta essa vontade. Só que vocês já devem ter percebido que eu não gosto de seguir as típicas regras que costumam estabelecer pra esse tipo de coisa, então resolvi criar as minhas próprias regras pra brincar: serão três citações da literatura, três de séries e três de música.
Antes de começar, preciso esclarecer certas coisas. Algumas das citações foram escritas na língua portuguesa, mas outras vêm de obras em inglês. Nesse segundo caso, decidi manter as versões originais no post, mas caso você não entenda inglês, nada tema: é só ir até a seção de comentários que deixarei traduções livres feitas por mim de todas elas por lá. Ah, e vale mencionar que haverá spoilers no post, principalmente nas citações de séries. Você pode ler por sua própria conta e risco. De qualquer forma, deixei os nomes e os números dos episódios ao lado do nome do seriado pra vocês terem uma noção se já passaram pelo episódio em questão.
Sem mais delongas, vamos a elas

Literatura

Dom Casmurro
Existem milhares de citações do Machado que eu poderia ter incluído aqui, e talvez Dom Casmurro nem seja o romance dele com as citações mais marcantes e conhecidas por aí, perdendo o posto pra Memórias Póstumas. Mas é meu livro favorito, e cada vez que eu releio o grupo de capítulos que vai de “As Curiosidades de Capitu” (XXXI) até “Sou Homem!” (XXXIV) eu fico embasbacada. É impressionante como ele consegue resumir em pequenos detalhes alguns dos principais aspectos do livro como um todo. Isso sem contar que algumas passagens servem pra mostrar que Machado, quando quer ser poético, trabalha o lirismo de uma maneira tão dele e tão linda. Eu poderia separar aqui todo o trecho em que Bentinho descreve os benditos “olhos de ressaca” de Capitu, porque poucas coisas que eu li na minha vida são mais bonitas  do que aquilo, mas decidi escolher um trecho simples e curto que eu acredito que demonstre bem a personalidade dos dois personagens principais. Logo após o primeiro beijo, vemos como Capitu, mulher forte e dona de si, está em pleno controle da situação, enquanto Bentinho, amedrontado no seu complexo de inferioridade, fica ali, sem saber o que fazer.

“Assim, apanhados pela mãe, éramos dois e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio” – Machado de Assis

Incidente em Antares
Aaaaah, esse livro. Eu já falei tantas vezes dele nesse blog que vocês já devem estar enjoados. As pessoas que convivem comigo, então, não devem aguentar mais as minhas constantes recomendações pra que elas leiam Incidente em Antares o mais rápido que puderem. Não só ele tem um enredo extremamente instigante e que te prende por completo, ele também tem um final arrasador e um dos melhores trechos que eu já li, que ganhou até post no meu facebook (coisa que eu faço de vez em nunca). Acredito que sejam poucos os personagens que conseguem traduzir, como Cícero Branco o faz nessa citação maravilhosa, a hipocrisia humana desse nosso “baile de máscaras” e o modo como a elite faz de tudo para manter a plebe fora do baile, distante, num lugar onde ela não possa atrapalhar os “convivas felizes”. 

“(…) a vida mais do que nunca me parece um baile de máscaras. Ninguém usa (nem mesmo conhece direito) a sua face natural. Tendes um disfarce para cada ocasião. Cada um de vós selecionou sua fantasia para a Grande Festa. (…) E que baile! Também tomei parte nele e usei mil máscaras, mil disfarces. Aprendi a manipular a moeda corrente (falsa mas fácil) das mentirinhas cotidianas, das grandes mentiras e das meias verdades… Tornei-me um mestre em vossas danças e contradanças. Respeitei o vosso código, que manda aceitar as imposturas e simulações dos outros mascarados para que eles, em retribuição, aceitem as nossas…(…) Para vós o importante é que a festa continue, que não se toque na estrutura, não se alterem os estatutos do clube onde os privilegiados se divertem. A canalha que não pode tomar parte na festa e se amontoa lá fora no sereno, envergando a triste fantasia e a trágica máscara da miséria, essa deve permanecer onde está, porque vós os convivas felizes achais que pobres sempre os haverá, como disse Jesus. E por isso pagais a vossa polícia para que ela vos defenda no dia em que a plebe decidir invadir o salão onde vos entregais às vossas danças, libações, amores e outros divertimentos” – Erico Verissimo

To Kill a Mockingbird
A citação que virá a seguir é até um pouco paradoxal em relação à anterior. Ao mesmo tempo, ela é um sopro de esperança depois de um tapa na cara hahaha… já até falei dela uma vez antes aqui no blog. To Kill a Mockingbird procura mostrar para seu leitor uma série de preconceitos que permeiam a sociedade vistos pelos olhos de uma criança. Além do racismo que aparece com muita força no julgamento de Tom Robinson, o desprezo dos habitantes de Maycomb por Boo Radley também diz muito sobre como raramente nos colocamos no lugar do outro. A frase de Atticus é exemplar de algo que ainda falta muito hoje em dia: a empatia. Não podemos tentar entender as dores alheias sem antes perceber que não passamos pelas mesmas coisas.

“You never really understand a person until you consider things from his point of view (…) until you climb into his skin and walk around in it” – Harper Lee

Séries

Supernatural (Swan Song – 5×22)
Temos aqui mais uma citação que já foi mencionada nesse blog antes. Apesar de amar profundamente a série, penso muitas vezes se ela não deveria, de fato, ter terminado na quinta temporada. Não só porque eu ache que as temporadas posteriores são mais fracas e essa 12ª tá sofrível, mas também porque eu acho que Swan Song tem toda a carinha de um series finale perfeito. Os Winchesters conseguiram a vitória do livre-arbítrio fazendo a escolha mais bonita e mais coerente com o resto de toda a série: família. O amor que eles têm um pelo outro supera todas as coisas, salva o mundo e ajuda a confirmar para os humanos o direito que temos de escolher como queremos nossas vidas.

“Up against good, evil, angels, devils, destiny, and God himself, they made their own choice. They chose family. And, well, isn’t that kind of the whole point?” – Chuck Shurley

The Blacklist (Anslo Garrick – 1×09)
Existem poucas coisas mais deliciosas do que ouvir o incrível roteiro de The Blacklist na voz de James Spader. Reddington tem tiradas brilhantes, um humor afiadíssimo e uma risada muito gostosa de ouvir, mas os momentos em que ele mais brilha são aqueles com apelo emocional, em que o ator capricha nas pausas, na tonalidade da voz e na expressão. Não só o personagem tem histórias maravilhosas pra contar, como também faz monólogos com suas experiências de vida que são capazes de tocar até mesmo o mais frio dos espectadores. Nesse diálogo, ele pode até falar basicamente de situações que a riqueza dele pôde proporcionar, mas o sentimento como um todo é partilhado por todos os que assistem à cena. E essa merece não só ser lida, como ser ouvida (ela começa em 1:03 do vídeo).  Menção honrosa pra todo o diálogo final entre ele e a Liz no 3×02 (Marvin Gerard), que seria extenso demais pra reproduzir aqui e que é mais complexo do que uma citação só, mas nossa senhora que coisa linda ❤

“Have you ever sailed across an ocean, Donald? (…) On a sailboat surrounded by sea with no land in sight, without even the possibility of sighting land for days to come? To stand at the helm of your destiny? I want that one more time. I want to be in the Piazza del Campo in Siena, to feel the surge as ten racehorses go thundering by. I want another meal in Paris at L’Ambroisie in the Place des Vosges. I want another bottle of wine and then another. I want the warmth of a woman in the cool set of sheets. One more night of jazz at the Vanguard. I want to stand on summits and smoke Cubans and feel the sun on my face for as long as I can. Walk on the Wall again. Climb the Tower. Ride the River. Stare at the frescos. I want to sit in the garden and read one more good book. Most of all I want to sleep. I want to sleep like I slept when I was a boy. Give me that. Just one time. That’s why I won’t allow that punk out there to get the best of me, let alone the last of me.” – Raymond Reddington

Penny Dreadful (A Blade of Grass – 3×04)
Em primeiro lugar, sdds Penny Dreadful. Não é segredo que eu amo os episódios que são basicamente um “The Vanessa Ives Show“. Também não é segredo que ela e a criatura são meus personagens preferidos da série. Então um episódio que aborda o passado dela somado à amizade dos dois tinha tudo pra se tornar o melhor episódio pra mim. Junte-se a isso o roteiro MARAVILHOSO e não teve jeito: sou absurdamente apaixonada por A Blade of Grass. Ao longo de todos os quase 60 minutos de episódio eu senti meu coração ser destruído em diversos pedacinhos sem dó, então foi difícil escolher uma cena só como ponto alto, mas acho que essa citação fala muito dos dois personagens, então não teve jeito. E só de lembrar eu sinto um aperto gigantesco. E essa é outra que eu recomendo ser ouvida, porque MEU DEUS Rory Kinnear!

“I was at home, yesterday night past. And I was helping my son with a wooden ship model. That’s something we do. And he asked me about the ship. I said it was the kind of ship used for exploring the seas. And he said, ‘Where do they explore, Father?’. And I told him, ‘Everywhere. The Orient, Peru and even the frozen North’. And he says, ‘What’s that, Father?’. And so I told him it was the places all covered with snow. North of Scotland and even beyond that. And he said, ‘Do people live there?’. And I said, ‘No. It’s too cold and lonely all the time. No one lives there’. And I started to cry. And I couldn’t stop. My son took my hand. I couldn’t stop crying. (…) Because I realized I was wrong. One person does live there, where it’s cold and lonely all the time. So I tendered my resignation. I’ll stay on long enough to see you tomorrow. The last person you see before the surgery will be someone who loves you” – The Orderly

Músicas

Clocks
Por algum motivo, eu sempre senti que “Clocks” era a música que mais me representava, aquela que mais parecia ter sido escrita pra mim.  São vários os elementos responsáveis por isso: o piano, a participação dela em momentos importantes da minha vida, a ligação emocional que eu tenho com ela e esse trecho em específico. Acredito que a dúvida sobre ser parte da cura ou da doença é algo que aparece em muitas pessoas em diferentes momentos da vida, e ela paira na minha cabeça já por alguns anos a fio. Essa questão pode ser entendida a partir de tantas interpretações diferentes que daria pra fazer um post só sobre como ela se desdobra, mas sem dúvida ela sempre conversou muito comigo.

“Am I a part of the cure or am I part of the disease?” – Coldplay

Miniature Disasters
Essa foi uma das primeiras coisas da KT que eu ouvi na minha vida. Fiquei encantada com o refrão, mas acho que o trecho que mais falou comigo foi o finalzinho da segunda estrofe. Essa busca por entender melhor a si mesma quando o mundo a sua volta não facilita muito é algo bem real e bem profundo.Em diversas situações da minha vida eu tive a clara sensação de que não conseguia me comportar da forma como deveria, e de que falava uma língua diferente daquela que todos partilhavam. Porque, afinal, algum motivo eu tinha de ter pra ter escolhido o título dessa música como nome do meu blog, não é mesmo?! 

“And I need to patient, and I need to be brave / I need to discover how I need to behave / And I’ll find out the answers when I know what to ask / But I speak a different language / And everybody’s talking too fast” – KT Tunstall

Roda Viva
Ah, Chico… Esse homem é, definitivamente, meu letrista favorito, então foi difícil escolher apenas uma música pra constar nessa lista. 
Acho que daria pra fazer um compilado de citações preferidas só a partir das músicas do Chico. Pensei em “Construção”, mas a minha vontade seria de incluir a música toda, e não um trecho específico. Depois de muito penar, optei pelo comecinho de “Roda Viva” porque acho que ele passa uma mensagem que é, ao mesmo tempo, reflexiva e um pouco pessimista (e é minha cara gostar de coisas pessimistas). É bem triste pensar que nem sempre a gente consegue mandar na nossa própria vida, e que isso faça com que a gente às vezes sinta que paramos, que morremos, que não damos mais conta.

“Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu / A gente estancou de repente? / Ou foi o mundo então que cresceu? A gente quer ter voz ativa / No nosso destino mandar / Mas eis que chega a roda viva / E carrega o destino pra lá” – Chico Buarque

Texto: Nosso Idioma particular

Olha só quem apareceu após uma ausência de vários meseees!
O segundo semestre de 2016 foi uma verdadeira loucura na minha vida. Entre terminar o TCC e fazer outras diversas atividades acadêmicas, acabei abandonando um pouco o mundo blogueiro. Além de ter deixado meu blog na mão, parei de responder comentários, tanto por aqui quanto nos cantinhos mais queridos da internet. Não tive sequer tempo pra ler posts novos! Depois fui assomada por uma daquelas famosas crises de “não gosto de nenhum dos textos que escrevo”, e só agora tenho retomado um pouco as rédeas da minha criatividade (fica bonito quando dito assim, não?!). De qualquer forma, pretendo ir voltando a frequentar a blogosfera aos pouquinhos, tenham paciência comigo…
Fiquem com esse pequeno conto, o primeiro texto fictício que eu escrevi após uma abstinência de mais de um ano

– Você acha que eu sou ridícula, né?!
Lembro-me até hoje do sorriso que minha irmã deu quando terminei de contar para ela o que sentia. Meu coração estava tão acelerado que não teria sido grande surpresa se ele tivesse saltado do meu peito como naquelas cenas de desenho animado. Apesar dos meus catorze anos de idade, aquela era uma das primeiras vezes em que conversávamos de fato, sem o intermédio de nosso pai ou de qualquer plataforma escrita.
Apesar disso, tínhamos uma conexão muito grande. Uma das minhas primeiras memórias da infância era dela, dez anos mais velha do que eu, sentada no sofá, concentrada naquele objeto misterioso que tinha nas mãos. Se, no meu olhar de criança, meus pais eram os grandes exemplos de gente-grande bem resolvida, ela tinha um ar enigmático e silencioso que muito me intrigava e, ao mesmo tempo, intimidava. Eu queria ser como ela, embora não soubesse muito bem por quê.
Certo dia, num rompante de coragem do auge dos meus quatro anos, fui até o quarto dela e surrupiei da estante uma daquelas coisas que ela sempre carregava pra todos os cantos. Sentei-me no sofá e tentei imitar todos os gestos que ela tinha quando fazia aquele ritual. Tinha escolhido a capa mais colorida da estante dela: era uma edição de 1984, de George Orwell. Enquanto tentava entender qual era o encanto daquele monte de formiguinhas imóveis espalhadas pelo papel, percebi que ela me olhava com muita curiosidade e um sorriso enorme no rosto. Eu, que estava com medo de tê-la irritado e de levar uma bronca, comecei a ficar mais calma, mas percebi que ainda não conseguia brincar com aquilo. Ela levantou-se, foi até o quarto e trouxe de volta uma obra muito mais adequada para a minha idade, feita quase exclusivamente de figuras muito grandes e cheias de cores.
– Aqui – ela disse, com um tom muito suave na voz. – Acho que vai gostar mais desse.
Foi ali que surgiu meu interesse pela literatura. Naquela breve conversa que tivemos, muito mais de gestos e olhares do que de palavras. Naquele carinho sutil. Naquela tentativa de ser como ela era.
A partir de então, comecei a procurar cada vez mais avidamente por livros. Ela era a maior incentivadora desse meu novo hábito, sempre entregando exemplares novos em minhas pequenas mãozinhas. As palavras ditas, no entanto, continuavam sendo quase nulas. Nosso modo de demonstrar amor e cumplicidade uma pela outra era diferente do da maioria das pessoas, e meus pais sempre encaravam aquela situação toda com uma estranheza razoável.
Mas os anos foram vindo e trouxeram com eles uma diminuição no meu interesse. Eu já não fazia mais tanta questão de seguir os passos daquela pessoa tão quieta com quem eu convivia, e outros estímulos foram roubando a atenção que eu dava para os livros. Eu percebia um ar de tristeza nos olhares dela, como se estivesse perdendo o laço que criara comigo.
Foi repentinamente que me dei conta das mudanças que estava vivendo. Assim, de súbito, senti que minha infância ia desaparecendo ao longe e que ia cada vez mais tornando-me uma adulta, perdendo, junto com a inocência, alguns dos meus costumes de criança. O sentimento de confusão foi grande e curioso: estava pronta para tudo aquilo? Eu não sabia bem quem eu era naquele momento, e muito menos quem eu queria ser nos anos vindouros.
Num dia cheio de desassossegos, cheguei em casa e a vi sentada no sofá, em sua posição costumeira, aparentemente inabalável. A conexão que tinha com ela voltou de forma arrebatadora, e quando dei por mim, estava sentada no sofá ao lado dela, compelida a contar tudo o que sentia. Ela voltara a ser aquela figura enigmática que eu admirava quando mais nova. Mas e se… e se o segredo da nossa relação fosse a ausência de oralidade? E se nossa linguagem fosse a dos olhares, dos gestos e dos livros? E se eu estragasse tudo a partir do momento em que eu abrisse a boca?
Olhei para ela e notei que ela percebera minha inquietação. Tinha fechado o livro e olhava para mim de forma interrogativa. Eu não podia mais guardar aquilo tudo ali dentro e fingir que vivia um dia como qualquer outro. Respirei bem fundo e contei.
– Não, eu não te acho ridícula – foi a resposta que ouvi depois dos longos e angustiantes segundos de silêncio que se seguiram à minha pergunta. O sorriso no rosto dela era carinhoso, mas eu ainda estava um pouco em dúvida quanto ao que havíamos vivido e minha percepção estava prejudicada. – Só acho que você é nova demais para uma crise de adultismo. Mas quem entende como funciona a adolescência?
Ela levantou-se e seguiu para o quarto. Poucos minutos depois, voltou com Clarissa nas mãos. Estendeu o livro para mim e disse, no mesmo tom suave que usara dez anos antes:
– Aqui. Acho que vai gostar. Depois conversamos sobre ele.
A verdade é que esse depois nunca veio. Quando terminei o livro, olhei para ela com um sorriso de agradecimento e ela compreendeu.
Depois disso, decidi mudar a estratégia. Passei a também recomendar alguns livros a ela, contando, por meio das narrativas, o que estava sentindo naquele momento de minha vida. Ela logo percebeu e, sentindo a abertura, resolveu fazer o mesmo. Até hoje é assim. Quando notamos uma sucessão de livros tristes nas recomendações uma da outra, sentamos para conversar mais longamente. Caso contrário, seguimos nos comunicando por meio desse idioma tão nosso.

TAG: Como você era nos tempos de escola

Oi? Tem alguém aí? Vocês ainda se lembram de mim?
É engraçado pensar que, em tempos não tão longínquos, eu cheguei a passar meses e meses sem postar por aqui e isso não me incomodava. Em compensação, atualmente esses dois meses de ausência me deixaram bem triste. Depois de ter voltado de verdade pro mundo blogueiro, ter de me afastar dele porque a vida cobra certas obrigações (ooooi, tcc) não é a coisa mais agradável do mundo. Ainda não consegui responder direito os comentários dos dois últimos posts e não apareço nos blogs que mais amo há meses. Não me orgulho de nada disso, mas me orgulho menos ainda de abandonar meu tão amado Miniature às traças, então resolvi deixar esse post por aqui.
Vi essa TAG nos blogs das minhas queridas amigas Livoneta e Patthynete e resolvi copiar, mesmo. No regrets! =P

1- Quem era você na escola, como você era? E como era sua escola?
Eu era a cdf/nerd (peguei justamente a fase de transição do termo) calada da turma. Mas vejam bem: apesar da crença que muitos de meus colegas tinham, eu só estudava em véspera de provas. Quando eu era criança, chegava em casa e passava boa parte do dia brincando. À medida que os anos passaram, o computador foi quem tomou conta do meu tempo livre estudantil. Passei longas tardes do meu nono ano, por exemplo, twittando feito LOUCA (acho que foi minha fase mais ativa no twitter hahaha). Ainda assim, minhas notas eram muito boas.
Eu já falei um pouco da estrutura da minha escola, mas estudei a vida toda num colégio católico e pequeno de bairro tradicional. Quando penso no meu ensino médio sinto uma dor imensa porque a primeira coisa que vem à mente são os inúmeros defeitos da estrutura como um todo. Em compensação, tenho ótimas lembranças da fase da educação infantil e do ensino fundamental (principalmente do primeiro). Os recreios e as brincadeiras no pátio, principalmente ao lado das minhas amigas Lígia e Isabela, sempre me deixavam sorrir (e também já fiz post com uma história dessas na fase antiga do blog).

Aqui uma foto com as minhas amigas em alguma data comemorativa da primeira série.

Aqui uma foto com elas em alguma data comemorativa da primeira série ❤

2. Qual era sua tribo?
Hmmmm… a maioria dos amigos que fiz por lá tinha algo de similar comigo. Em muitos casos, a timidez e as notas altas foram dois grandes fatores de união, mas não sei se existe um nome específico pra essa “tribo”.

3. No recreio, onde era mais fácil te encontrar?
Depende da fase da minha vida, mas pra generalizar, sentada em algum lugar com meus amigos. Curiosamente a gente parecia preferir ambientes abertos, tomando muito sol na cabeça hahaha…

4. Já namorou ou ficou com alguém da escola? Foi dentro ou fora da escola?
Nope. Pra ser mais exata, eu nunca sequer me apaixonei por alguém da minha escola. Também nunca manifestaram interesse por mim, então juntou a fome com a vontade de comer.

5. Já fez alguma coisa escondida ou contra as regras? Já cabulou aula?
Passar cola e colar numa questão são contra as regras, né?! Então me declaro culpada =P. Sempre fui da turma das “comportadas”, que eram elogiadas pelos professores por não falar em aula e etc (mal sabiam eles dos longuíssimos bilhetes que eu passava pela minha “aplicada” agenda). Mas não posso negar: já cheguei a passar cola até com MÍMICA.
Cabular aula não era um conceito possível na minha escola. Se você fosse pego fora da sala em horário de aula você levava advertência, e os portões para a rua só se abriam se você tivesse uma justificava muito boa para ir embora. Tive de aguentar anos e anos de aulas inúteis que eu adoraria ter matado HAHAHA

6. Se lembra de alguma modinha que você seguiu?
SIM! Na verdade eu me lembro de duas: as pulseiras da Jade lá em 2002, quando eu tinha sete anos, e os tererês no cabelo na quarta série.

7. Qual foi o melhor e o pior dia?
Engraçado que consegui pensar em duas situações para cada caso.
Lembro de um dia na segunda série em que desatei a chorar de soluçar no meio do pátio em que estavam reunidas as turmas dos quatro anos do ensino fundamental I. Entendam: eu nunca gostei de ser o centro das atenções. Nem lembro mais o que tinha dado errado naquela situação em específico, mas lembro que estava passando por uma fase bem ruim da minha vida, eu tinha acabado de perder a minha mãe e, na verdade, aquilo foi só uma gotinha d’água num copo já bem cheio. Consigo me recordar também do pânico na cara das professoras e da coordenadora, que depois souberam lidar até que bem com a situação.
O outro caso de pior dia aconteceu no oitavo ano. Eu tinha tido ido muito bem numa prova geral, mas minha nota havia sumido. Depois de peregrinar pelo colégio inteiro atrás de alguma solução com a coordenação, fui meio que tratada feito lixo. Tive de me controlar muito para não chorar de raiva da situação – algo que acontece quase no automático pra mim. Apesar do lado ruim, essa memória traz um aspecto bom: foram dois grandes amigos meus que me ajudaram a lidar com aquele dia sem que eu matasse alguém. Talvez eles nunca leiam isso, mas como não me recordo de ter agradecido na época, aqui vai: obrigada, Gabriela e Luís <3.

Uma das melhores memórias também envolve esses dois amigos, e é curioso pensar no quão simples ela é. Trata-se de uma aula de matemática de revisão para a recuperação (à qual nenhum de nós precisava prestar atenção). Toda vez que o professor virava para a lousa, a Gabi e eu jogávamos bolinhas de papel no Luís (hahaha éramos duas pestes), as quais ele catava do chão e jogava de volta. O mais divertido era o modo como nós tínhamos de, indiretamente, prestar atenção no professor =P
A outra boa lembrança que tenho aconteceu fora do ambiente escolar, mas envolve a turma do nono ano. Depois da nossa “missa de formatura”, fomos todos a uma lanchonete da região celebrar. É uma memória agridoce porque muitos iriam mudar de escola no ano seguinte, então aquilo também tinha um ar de despedida, mas o lado gostoso dela prevalece.

Não estou bem nessa foto, mas não importa. O oitavo ano foi muito nosso <3

Não estou bem nessa foto, mas não importa. O oitavo ano foi muito nosso ❤

8. Se envolveu em algum tipo de briga ou movimento/protesto?
Serve reclamar de professores na coordenação até alguns deles serem demitidos? Oops… =P
Tirando isso, nada.

9. Sua escola tinha alguma lenda, tipo loira do banheiro? Você tinha algum medo na escola?
Não que eu me lembre. Quanto a medos, eu diria que eu tinha as inseguranças típicas de muitos adolescentes, mas só.

10. Sofreu ou causou bullying em alguém?
Olha, eu só pratiquei bullying cozamiguinho que levavam numa boa, conta?! =P
Quanto a sofrer, eu diria que sim, embora nada muito grave. Da terceira série ao ensino médio fui obrigada a aguentar gente que zombava de mim ou até mesmo me “odiava” (!!!) por conta das minhas notas. Além disso, enfrentei risadinhas e comentários beeem maldosos por ser um verdadeiro desastre em educação física.

11. Como era a sua performance em apresentações da escola? Curtia?
Essa pergunta é meio vaga porque não fica claro o que seriam essas apresentações: trabalhos? Feiras culturais? Danças de festa junina?
Nunca gostei de apresentar trabalhos por causa da timidez. A faculdade aliviou MUITO essa angústia, e hoje posso dizer que não fico tremendo ou com coração acelerado toda vez que preciso falar em público, mas durante o período escolar isso era muito real. Quanto a outros tipos de apresentação, diria que elas eram… normais?!

12. Do que você mais lembra desse tempo? Quais as coisas que mais te trazem lembranças?
Tenho muitas lembranças ruins, principalmente do ensino médio, mas não quero focar nelas para a resposta. No geral, minhas melhores memórias daquele lugar estão nas pessoas que ainda podem dividi-las comigo.  Algumas das que conheci lá, como a minha grande amiga Mariana, continuam ocupando um lugar muito especial no meu coração e na minha vida ❤ (nossa, que meloso hahaha).

Essa é uma foto da formatura do terceiro ano com Dona Mariana, uma dessas pessoas que ficou <3

Essa é uma foto da formatura do terceiro ano com Dona Mari ❤

13. Teve algum professor(a) ou funcionário que te marcou?
O primeiro que me veio à mente foi o grande Imperador, o professor Roberto que dava História durante o ensino médio. Dos professores que tive durante a minha jornada de colégio, ele foi, sem a menor dúvida, o mais apaixonado pelo que fazia. Eu ficava fascinada toda vez que o via iniciar uma aula e falar do tema com uma empolgação impressionante. E como eu sempre amei História, era unir o útil ao agradável.

14. Se você pudesse voltar no tempo, o que diria pra você mesma naquela época?
Nossa, eu diria tanta coisa que daria quase pra fazer um post inteiro só sobre isso, mas vou tentar resumir.
“Luiza, pare de se estressar tanto com tudo de errado que acontece nessa escola. Não vale a pena. Você vai gastar saliva, perder horas de sono, se irritar e esbravejar de graça. E a sua saúde vai sofrer com isso em alguns momentos.
Sei que é difícil acreditar agora, mas pare de diminuir sua beleza. E também não dê tanta importância para o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre você. Eu sei que você mente para si mesma sobre isso e vai me dizer que já não se importa, mas confie em mim, tenho mais experiência.
Por fim, não se desespere, dias melhores virão. Eu juro. Você não tem noção de como a faculdade vai te fazer feliz e de como ela vai te ensinar algumas coisas que irão muito além das matérias da graduação.”

Press play

Eu não me orgulho do abandono em que eu tenho deixado a blogosfera ultimamente. Mal tenho conseguido comentar nos blogs que eu gosto e o Miniature tem recebido no máximo um post por mês – quem diria que eu me incomodaria com isso sendo que já passei por fases em que fiquei MESES sem aparecer. Ando atolada em trabalhos da faculdade e, por esse motivo, não tenho conseguido dedicar tanto tempo quanto gostaria a esse mundinho de blogs que tanto me faz feliz. Mas voltarei aos pouquinhos, eu juro!
Enquanto isso, resolvi deixar vocês com algumas das coisas que tenho ouvido nesses últimos tempos. Tem pra todos os gostos: indie pop, rock alternativo, folk rock e pop rock. Espero que gostem de pelo menos alguma das minhas recomendações =D

Melanie Martinez
Taí uma descoberta deliciosa que os “recomendados” do YouTube me proporcionou. Quando vi o clipe de Dollhouse pela primeira vez, fiquei um tempo encarando a tela e pensando “nossa, tudo casou perfeitamente: essa letra, esse clipe e esse toque macabro na melodia”. Decidi dar uma olhada no resto do canal dela e, quando dei por mim, já tinha visto todos os clipes e estava caminhando pro replay em alguns deles. A Melanie é uma união perfeita entre algo fofo e doentio, e por algum motivo isso me chamou MUITA atenção. Em pouco tempo eu já tinha ouvido o álbum inteiro dela e já tava quase pedindo clipe de certas músicas pra ela no twitter HAHAHA. Por sorte, li na Wikipedia que ela pretende fazer um clipe pra cada faixa de Cry Baby, e já fico tentando imaginar como serão os que estão por vir.
Ah, e como se não bastasse tudo isso, ainda divido a Melanie com a Mai, minha tão querida amiga ❤

Escolhi como recomendação principal pra vocês a minha favorita, mas deixo aqui outras muito boas (vejam os clipes das três primeiras, plmdds): Sippy Cup, Soap, Training Wheels (sim, Soap tem dois clipes, um deles em conjunto com o dessa), Mr. Potato Head, Mad Hatter.

Foals
Como se eu já não gostasse o suficiente de Supernatural pela história, a série tem uma trilha sonora tão boa que chega a doer. Já fui apresentada a muito rock clássico que eu desconhecia, mas qual não foi a minha surpresa quando, ao pesquisar qual era a música do vídeo promocional da 11ª temporada, eu achei uma banda de rock contemporâneo? Banda essa que eu fui ouvir de novo na maravilhosa trilha sonora de Life is Strange e daí pra sair caçando mais coisa deles no Spotify foi um pulo. Ainda não consegui parar pra ouvir toda a discografia, mas gostei de tudo que já peguei pra escutar e pretendo ir conhecendo cada vez melhor.


Escolhi What Went Down porque foi a primeira que eu ouvi e tenho todo um carinho por ela, mas aqui vão outras que você pode ouvir: Spanish Sahara, InhalerMy Number, Mountain At My Gates, Birch Tree.

KT Tunstall ❤
Eu juro que essa não é só mais uma tentativa de catequizar os leitores desse blog na igreja de KT Tunstall (embora eu realmente ache que todo mundo deveria conhecer melhor essa maravilhosa), eu realmente tenho ouvido muito dela nesse mês. Comecei a ouvir essa mulher em 2008, quando fiquei sabendo que ela viria pro Brasil e encasquetei que queria ir no show. Foi o primeiro da minha vida, e de lá pra cá minha relação de amor por ela só cresceu. Hoje fico checando o twitter dela de vez em quando pra ver se tem novidades sobre o novo álbum e fico sempre torcendo pra que ela anuncie mais um de seus shows deliciosamente intimistas aqui por essas bandas.
Ah, e gostaria de dizer que existe uma foto minha inspirada na capa do Drastic Fantastic


HA!, e vocês acharam que eu iria colocar Miniature Disasters? Quis fugir do óbvio! Mas ouçam Miniature Disasters, sim, que é minha favorita! Ouçam também:  Uummannaq Song, Invisible Empire, Paper Aeroplane, Another Place to Fall e False Alarm.

DNCE
Dentre as coisas que eu tenho ouvido nos últimos tempos, DNCE é a que tem ocupado menos tempo da minha vida, mas ainda assim merece menção. A banda tem toda uma carinha de Maroon 5 nos últimos álbuns, principalmente na guitarra e na voz do Joe, que lembra, de certa forma, a do Adam. Acho que gostei deles porque gosto de Maroon 5 (mesmo que prefira a primeira fase, sdds Harder to Breathe e Won’t Go Home Without You). Consigo até imaginar uma banda cantando as músicas da outra. Como eles ainda têm poucas músicas, deixo minha segunda recomendação aqui mesmo: Toothbrush (aliás, adoro o fato de que tanto o clipe oficial quanto o lyric video quebram com os padrões típicos de clipes de pop-rock).