Minhas citações preferidas

Daí que eu adoro “roubar” ideias alheias de post.
Eu não me orgulho disso.  Mas a verdade é que eu penso em fazer algo nesse estilo desde que vi o desafio das 52 semanas pela primeira vez, e o recente post da Livoneta só trouxe de volta essa vontade. Só que vocês já devem ter percebido que eu não gosto de seguir as típicas regras que costumam estabelecer pra esse tipo de coisa, então resolvi criar as minhas próprias regras pra brincar: serão três citações da literatura, três de séries e três de música.
Antes de começar, preciso esclarecer certas coisas. Algumas das citações foram escritas na língua portuguesa, mas outras vêm de obras em inglês. Nesse segundo caso, decidi manter as versões originais no post, mas caso você não entenda inglês, nada tema: é só ir até a seção de comentários que deixarei traduções livres feitas por mim de todas elas por lá. Ah, e vale mencionar que haverá spoilers no post, principalmente nas citações de séries. Você pode ler por sua própria conta e risco. De qualquer forma, deixei os nomes e os números dos episódios ao lado do nome do seriado pra vocês terem uma noção se já passaram pelo episódio em questão.
Sem mais delongas, vamos a elas

Literatura

Dom Casmurro
Existem milhares de citações do Machado que eu poderia ter incluído aqui, e talvez Dom Casmurro nem seja o romance dele com as citações mais marcantes e conhecidas por aí, perdendo o posto pra Memórias Póstumas. Mas é meu livro favorito, e cada vez que eu releio o grupo de capítulos que vai de “As Curiosidades de Capitu” (XXXI) até “Sou Homem!” (XXXIV) eu fico embasbacada. É impressionante como ele consegue resumir em pequenos detalhes alguns dos principais aspectos do livro como um todo. Isso sem contar que algumas passagens servem pra mostrar que Machado, quando quer ser poético, trabalha o lirismo de uma maneira tão dele e tão linda. Eu poderia separar aqui todo o trecho em que Bentinho descreve os benditos “olhos de ressaca” de Capitu, porque poucas coisas que eu li na minha vida são mais bonitas  do que aquilo, mas decidi escolher um trecho simples e curto que eu acredito que demonstre bem a personalidade dos dois personagens principais. Logo após o primeiro beijo, vemos como Capitu, mulher forte e dona de si, está em pleno controle da situação, enquanto Bentinho, amedrontado no seu complexo de inferioridade, fica ali, sem saber o que fazer.

“Assim, apanhados pela mãe, éramos dois e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio” – Machado de Assis

Incidente em Antares
Aaaaah, esse livro. Eu já falei tantas vezes dele nesse blog que vocês já devem estar enjoados. As pessoas que convivem comigo, então, não devem aguentar mais as minhas constantes recomendações pra que elas leiam Incidente em Antares o mais rápido que puderem. Não só ele tem um enredo extremamente instigante e que te prende por completo, ele também tem um final arrasador e um dos melhores trechos que eu já li, que ganhou até post no meu facebook (coisa que eu faço de vez em nunca). Acredito que sejam poucos os personagens que conseguem traduzir, como Cícero Branco o faz nessa citação maravilhosa, a hipocrisia humana desse nosso “baile de máscaras” e o modo como a elite faz de tudo para manter a plebe fora do baile, distante, num lugar onde ela não possa atrapalhar os “convivas felizes”. 

“(…) a vida mais do que nunca me parece um baile de máscaras. Ninguém usa (nem mesmo conhece direito) a sua face natural. Tendes um disfarce para cada ocasião. Cada um de vós selecionou sua fantasia para a Grande Festa. (…) E que baile! Também tomei parte nele e usei mil máscaras, mil disfarces. Aprendi a manipular a moeda corrente (falsa mas fácil) das mentirinhas cotidianas, das grandes mentiras e das meias verdades… Tornei-me um mestre em vossas danças e contradanças. Respeitei o vosso código, que manda aceitar as imposturas e simulações dos outros mascarados para que eles, em retribuição, aceitem as nossas…(…) Para vós o importante é que a festa continue, que não se toque na estrutura, não se alterem os estatutos do clube onde os privilegiados se divertem. A canalha que não pode tomar parte na festa e se amontoa lá fora no sereno, envergando a triste fantasia e a trágica máscara da miséria, essa deve permanecer onde está, porque vós os convivas felizes achais que pobres sempre os haverá, como disse Jesus. E por isso pagais a vossa polícia para que ela vos defenda no dia em que a plebe decidir invadir o salão onde vos entregais às vossas danças, libações, amores e outros divertimentos” – Erico Verissimo

To Kill a Mockingbird
A citação que virá a seguir é até um pouco paradoxal em relação à anterior. Ao mesmo tempo, ela é um sopro de esperança depois de um tapa na cara hahaha… já até falei dela uma vez antes aqui no blog. To Kill a Mockingbird procura mostrar para seu leitor uma série de preconceitos que permeiam a sociedade vistos pelos olhos de uma criança. Além do racismo que aparece com muita força no julgamento de Tom Robinson, o desprezo dos habitantes de Maycomb por Boo Radley também diz muito sobre como raramente nos colocamos no lugar do outro. A frase de Atticus é exemplar de algo que ainda falta muito hoje em dia: a empatia. Não podemos tentar entender as dores alheias sem antes perceber que não passamos pelas mesmas coisas.

“You never really understand a person until you consider things from his point of view (…) until you climb into his skin and walk around in it” – Harper Lee

Séries

Supernatural (Swan Song – 5×22)
Temos aqui mais uma citação que já foi mencionada nesse blog antes. Apesar de amar profundamente a série, penso muitas vezes se ela não deveria, de fato, ter terminado na quinta temporada. Não só porque eu ache que as temporadas posteriores são mais fracas e essa 12ª tá sofrível, mas também porque eu acho que Swan Song tem toda a carinha de um series finale perfeito. Os Winchesters conseguiram a vitória do livre-arbítrio fazendo a escolha mais bonita e mais coerente com o resto de toda a série: família. O amor que eles têm um pelo outro supera todas as coisas, salva o mundo e ajuda a confirmar para os humanos o direito que temos de escolher como queremos nossas vidas.

“Up against good, evil, angels, devils, destiny, and God himself, they made their own choice. They chose family. And, well, isn’t that kind of the whole point?” – Chuck Shurley

The Blacklist (Anslo Garrick – 1×09)
Existem poucas coisas mais deliciosas do que ouvir o incrível roteiro de The Blacklist na voz de James Spader. Reddington tem tiradas brilhantes, um humor afiadíssimo e uma risada muito gostosa de ouvir, mas os momentos em que ele mais brilha são aqueles com apelo emocional, em que o ator capricha nas pausas, na tonalidade da voz e na expressão. Não só o personagem tem histórias maravilhosas pra contar, como também faz monólogos com suas experiências de vida que são capazes de tocar até mesmo o mais frio dos espectadores. Nesse diálogo, ele pode até falar basicamente de situações que a riqueza dele pôde proporcionar, mas o sentimento como um todo é partilhado por todos os que assistem à cena. E essa merece não só ser lida, como ser ouvida (ela começa em 1:03 do vídeo).  Menção honrosa pra todo o diálogo final entre ele e a Liz no 3×02 (Marvin Gerard), que seria extenso demais pra reproduzir aqui e que é mais complexo do que uma citação só, mas nossa senhora que coisa linda ❤

“Have you ever sailed across an ocean, Donald? (…) On a sailboat surrounded by sea with no land in sight, without even the possibility of sighting land for days to come? To stand at the helm of your destiny? I want that one more time. I want to be in the Piazza del Campo in Siena, to feel the surge as ten racehorses go thundering by. I want another meal in Paris at L’Ambroisie in the Place des Vosges. I want another bottle of wine and then another. I want the warmth of a woman in the cool set of sheets. One more night of jazz at the Vanguard. I want to stand on summits and smoke Cubans and feel the sun on my face for as long as I can. Walk on the Wall again. Climb the Tower. Ride the River. Stare at the frescos. I want to sit in the garden and read one more good book. Most of all I want to sleep. I want to sleep like I slept when I was a boy. Give me that. Just one time. That’s why I won’t allow that punk out there to get the best of me, let alone the last of me.” – Raymond Reddington

Penny Dreadful (A Blade of Grass – 3×04)
Em primeiro lugar, sdds Penny Dreadful. Não é segredo que eu amo os episódios que são basicamente um “The Vanessa Ives Show“. Também não é segredo que ela e a criatura são meus personagens preferidos da série. Então um episódio que aborda o passado dela somado à amizade dos dois tinha tudo pra se tornar o melhor episódio pra mim. Junte-se a isso o roteiro MARAVILHOSO e não teve jeito: sou absurdamente apaixonada por A Blade of Grass. Ao longo de todos os quase 60 minutos de episódio eu senti meu coração ser destruído em diversos pedacinhos sem dó, então foi difícil escolher uma cena só como ponto alto, mas acho que essa citação fala muito dos dois personagens, então não teve jeito. E só de lembrar eu sinto um aperto gigantesco. E essa é outra que eu recomendo ser ouvida, porque MEU DEUS Rory Kinnear!

“I was at home, yesterday night past. And I was helping my son with a wooden ship model. That’s something we do. And he asked me about the ship. I said it was the kind of ship used for exploring the seas. And he said, ‘Where do they explore, Father?’. And I told him, ‘Everywhere. The Orient, Peru and even the frozen North’. And he says, ‘What’s that, Father?’. And so I told him it was the places all covered with snow. North of Scotland and even beyond that. And he said, ‘Do people live there?’. And I said, ‘No. It’s too cold and lonely all the time. No one lives there’. And I started to cry. And I couldn’t stop. My son took my hand. I couldn’t stop crying. (…) Because I realized I was wrong. One person does live there, where it’s cold and lonely all the time. So I tendered my resignation. I’ll stay on long enough to see you tomorrow. The last person you see before the surgery will be someone who loves you” – The Orderly

Músicas

Clocks
Por algum motivo, eu sempre senti que “Clocks” era a música que mais me representava, aquela que mais parecia ter sido escrita pra mim.  São vários os elementos responsáveis por isso: o piano, a participação dela em momentos importantes da minha vida, a ligação emocional que eu tenho com ela e esse trecho em específico. Acredito que a dúvida sobre ser parte da cura ou da doença é algo que aparece em muitas pessoas em diferentes momentos da vida, e ela paira na minha cabeça já por alguns anos a fio. Essa questão pode ser entendida a partir de tantas interpretações diferentes que daria pra fazer um post só sobre como ela se desdobra, mas sem dúvida ela sempre conversou muito comigo.

“Am I a part of the cure or am I part of the disease?” – Coldplay

Miniature Disasters
Essa foi uma das primeiras coisas da KT que eu ouvi na minha vida. Fiquei encantada com o refrão, mas acho que o trecho que mais falou comigo foi o finalzinho da segunda estrofe. Essa busca por entender melhor a si mesma quando o mundo a sua volta não facilita muito é algo bem real e bem profundo.Em diversas situações da minha vida eu tive a clara sensação de que não conseguia me comportar da forma como deveria, e de que falava uma língua diferente daquela que todos partilhavam. Porque, afinal, algum motivo eu tinha de ter pra ter escolhido o título dessa música como nome do meu blog, não é mesmo?! 

“And I need to patient, and I need to be brave / I need to discover how I need to behave / And I’ll find out the answers when I know what to ask / But I speak a different language / And everybody’s talking too fast” – KT Tunstall

Roda Viva
Ah, Chico… Esse homem é, definitivamente, meu letrista favorito, então foi difícil escolher apenas uma música pra constar nessa lista. 
Acho que daria pra fazer um compilado de citações preferidas só a partir das músicas do Chico. Pensei em “Construção”, mas a minha vontade seria de incluir a música toda, e não um trecho específico. Depois de muito penar, optei pelo comecinho de “Roda Viva” porque acho que ele passa uma mensagem que é, ao mesmo tempo, reflexiva e um pouco pessimista (e é minha cara gostar de coisas pessimistas). É bem triste pensar que nem sempre a gente consegue mandar na nossa própria vida, e que isso faça com que a gente às vezes sinta que paramos, que morremos, que não damos mais conta.

“Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu / A gente estancou de repente? / Ou foi o mundo então que cresceu? A gente quer ter voz ativa / No nosso destino mandar / Mas eis que chega a roda viva / E carrega o destino pra lá” – Chico Buarque

Texto: Nosso Idioma particular

Olha só quem apareceu após uma ausência de vários meseees!
O segundo semestre de 2016 foi uma verdadeira loucura na minha vida. Entre terminar o TCC e fazer outras diversas atividades acadêmicas, acabei abandonando um pouco o mundo blogueiro. Além de ter deixado meu blog na mão, parei de responder comentários, tanto por aqui quanto nos cantinhos mais queridos da internet. Não tive sequer tempo pra ler posts novos! Depois fui assomada por uma daquelas famosas crises de “não gosto de nenhum dos textos que escrevo”, e só agora tenho retomado um pouco as rédeas da minha criatividade (fica bonito quando dito assim, não?!). De qualquer forma, pretendo ir voltando a frequentar a blogosfera aos pouquinhos, tenham paciência comigo…
Fiquem com esse pequeno conto, o primeiro texto fictício que eu escrevi após uma abstinência de mais de um ano

– Você acha que eu sou ridícula, né?!
Lembro-me até hoje do sorriso que minha irmã deu quando terminei de contar para ela o que sentia. Meu coração estava tão acelerado que não teria sido grande surpresa se ele tivesse saltado do meu peito como naquelas cenas de desenho animado. Apesar dos meus catorze anos de idade, aquela era uma das primeiras vezes em que conversávamos de fato, sem o intermédio de nosso pai ou de qualquer plataforma escrita.
Apesar disso, tínhamos uma conexão muito grande. Uma das minhas primeiras memórias da infância era dela, dez anos mais velha do que eu, sentada no sofá, concentrada naquele objeto misterioso que tinha nas mãos. Se, no meu olhar de criança, meus pais eram os grandes exemplos de gente-grande bem resolvida, ela tinha um ar enigmático e silencioso que muito me intrigava e, ao mesmo tempo, intimidava. Eu queria ser como ela, embora não soubesse muito bem por quê.
Certo dia, num rompante de coragem do auge dos meus quatro anos, fui até o quarto dela e surrupiei da estante uma daquelas coisas que ela sempre carregava pra todos os cantos. Sentei-me no sofá e tentei imitar todos os gestos que ela tinha quando fazia aquele ritual. Tinha escolhido a capa mais colorida da estante dela: era uma edição de 1984, de George Orwell. Enquanto tentava entender qual era o encanto daquele monte de formiguinhas imóveis espalhadas pelo papel, percebi que ela me olhava com muita curiosidade e um sorriso enorme no rosto. Eu, que estava com medo de tê-la irritado e de levar uma bronca, comecei a ficar mais calma, mas percebi que ainda não conseguia brincar com aquilo. Ela levantou-se, foi até o quarto e trouxe de volta uma obra muito mais adequada para a minha idade, feita quase exclusivamente de figuras muito grandes e cheias de cores.
– Aqui – ela disse, com um tom muito suave na voz. – Acho que vai gostar mais desse.
Foi ali que surgiu meu interesse pela literatura. Naquela breve conversa que tivemos, muito mais de gestos e olhares do que de palavras. Naquele carinho sutil. Naquela tentativa de ser como ela era.
A partir de então, comecei a procurar cada vez mais avidamente por livros. Ela era a maior incentivadora desse meu novo hábito, sempre entregando exemplares novos em minhas pequenas mãozinhas. As palavras ditas, no entanto, continuavam sendo quase nulas. Nosso modo de demonstrar amor e cumplicidade uma pela outra era diferente do da maioria das pessoas, e meus pais sempre encaravam aquela situação toda com uma estranheza razoável.
Mas os anos foram vindo e trouxeram com eles uma diminuição no meu interesse. Eu já não fazia mais tanta questão de seguir os passos daquela pessoa tão quieta com quem eu convivia, e outros estímulos foram roubando a atenção que eu dava para os livros. Eu percebia um ar de tristeza nos olhares dela, como se estivesse perdendo o laço que criara comigo.
Foi repentinamente que me dei conta das mudanças que estava vivendo. Assim, de súbito, senti que minha infância ia desaparecendo ao longe e que ia cada vez mais tornando-me uma adulta, perdendo, junto com a inocência, alguns dos meus costumes de criança. O sentimento de confusão foi grande e curioso: estava pronta para tudo aquilo? Eu não sabia bem quem eu era naquele momento, e muito menos quem eu queria ser nos anos vindouros.
Num dia cheio de desassossegos, cheguei em casa e a vi sentada no sofá, em sua posição costumeira, aparentemente inabalável. A conexão que tinha com ela voltou de forma arrebatadora, e quando dei por mim, estava sentada no sofá ao lado dela, compelida a contar tudo o que sentia. Ela voltara a ser aquela figura enigmática que eu admirava quando mais nova. Mas e se… e se o segredo da nossa relação fosse a ausência de oralidade? E se nossa linguagem fosse a dos olhares, dos gestos e dos livros? E se eu estragasse tudo a partir do momento em que eu abrisse a boca?
Olhei para ela e notei que ela percebera minha inquietação. Tinha fechado o livro e olhava para mim de forma interrogativa. Eu não podia mais guardar aquilo tudo ali dentro e fingir que vivia um dia como qualquer outro. Respirei bem fundo e contei.
– Não, eu não te acho ridícula – foi a resposta que ouvi depois dos longos e angustiantes segundos de silêncio que se seguiram à minha pergunta. O sorriso no rosto dela era carinhoso, mas eu ainda estava um pouco em dúvida quanto ao que havíamos vivido e minha percepção estava prejudicada. – Só acho que você é nova demais para uma crise de adultismo. Mas quem entende como funciona a adolescência?
Ela levantou-se e seguiu para o quarto. Poucos minutos depois, voltou com Clarissa nas mãos. Estendeu o livro para mim e disse, no mesmo tom suave que usara dez anos antes:
– Aqui. Acho que vai gostar. Depois conversamos sobre ele.
A verdade é que esse depois nunca veio. Quando terminei o livro, olhei para ela com um sorriso de agradecimento e ela compreendeu.
Depois disso, decidi mudar a estratégia. Passei a também recomendar alguns livros a ela, contando, por meio das narrativas, o que estava sentindo naquele momento de minha vida. Ela logo percebeu e, sentindo a abertura, resolveu fazer o mesmo. Até hoje é assim. Quando notamos uma sucessão de livros tristes nas recomendações uma da outra, sentamos para conversar mais longamente. Caso contrário, seguimos nos comunicando por meio desse idioma tão nosso.

TAG: Como você era nos tempos de escola

Oi? Tem alguém aí? Vocês ainda se lembram de mim?
É engraçado pensar que, em tempos não tão longínquos, eu cheguei a passar meses e meses sem postar por aqui e isso não me incomodava. Em compensação, atualmente esses dois meses de ausência me deixaram bem triste. Depois de ter voltado de verdade pro mundo blogueiro, ter de me afastar dele porque a vida cobra certas obrigações (ooooi, tcc) não é a coisa mais agradável do mundo. Ainda não consegui responder direito os comentários dos dois últimos posts e não apareço nos blogs que mais amo há meses. Não me orgulho de nada disso, mas me orgulho menos ainda de abandonar meu tão amado Miniature às traças, então resolvi deixar esse post por aqui.
Vi essa TAG nos blogs das minhas queridas amigas Livoneta e Patthynete e resolvi copiar, mesmo. No regrets! =P

1- Quem era você na escola, como você era? E como era sua escola?
Eu era a cdf/nerd (peguei justamente a fase de transição do termo) calada da turma. Mas vejam bem: apesar da crença que muitos de meus colegas tinham, eu só estudava em véspera de provas. Quando eu era criança, chegava em casa e passava boa parte do dia brincando. À medida que os anos passaram, o computador foi quem tomou conta do meu tempo livre estudantil. Passei longas tardes do meu nono ano, por exemplo, twittando feito LOUCA (acho que foi minha fase mais ativa no twitter hahaha). Ainda assim, minhas notas eram muito boas.
Eu já falei um pouco da estrutura da minha escola, mas estudei a vida toda num colégio católico e pequeno de bairro tradicional. Quando penso no meu ensino médio sinto uma dor imensa porque a primeira coisa que vem à mente são os inúmeros defeitos da estrutura como um todo. Em compensação, tenho ótimas lembranças da fase da educação infantil e do ensino fundamental (principalmente do primeiro). Os recreios e as brincadeiras no pátio, principalmente ao lado das minhas amigas Lígia e Isabela, sempre me deixavam sorrir (e também já fiz post com uma história dessas na fase antiga do blog).

Aqui uma foto com as minhas amigas em alguma data comemorativa da primeira série.

Aqui uma foto com elas em alguma data comemorativa da primeira série ❤

2. Qual era sua tribo?
Hmmmm… a maioria dos amigos que fiz por lá tinha algo de similar comigo. Em muitos casos, a timidez e as notas altas foram dois grandes fatores de união, mas não sei se existe um nome específico pra essa “tribo”.

3. No recreio, onde era mais fácil te encontrar?
Depende da fase da minha vida, mas pra generalizar, sentada em algum lugar com meus amigos. Curiosamente a gente parecia preferir ambientes abertos, tomando muito sol na cabeça hahaha…

4. Já namorou ou ficou com alguém da escola? Foi dentro ou fora da escola?
Nope. Pra ser mais exata, eu nunca sequer me apaixonei por alguém da minha escola. Também nunca manifestaram interesse por mim, então juntou a fome com a vontade de comer.

5. Já fez alguma coisa escondida ou contra as regras? Já cabulou aula?
Passar cola e colar numa questão são contra as regras, né?! Então me declaro culpada =P. Sempre fui da turma das “comportadas”, que eram elogiadas pelos professores por não falar em aula e etc (mal sabiam eles dos longuíssimos bilhetes que eu passava pela minha “aplicada” agenda). Mas não posso negar: já cheguei a passar cola até com MÍMICA.
Cabular aula não era um conceito possível na minha escola. Se você fosse pego fora da sala em horário de aula você levava advertência, e os portões para a rua só se abriam se você tivesse uma justificava muito boa para ir embora. Tive de aguentar anos e anos de aulas inúteis que eu adoraria ter matado HAHAHA

6. Se lembra de alguma modinha que você seguiu?
SIM! Na verdade eu me lembro de duas: as pulseiras da Jade lá em 2002, quando eu tinha sete anos, e os tererês no cabelo na quarta série.

7. Qual foi o melhor e o pior dia?
Engraçado que consegui pensar em duas situações para cada caso.
Lembro de um dia na segunda série em que desatei a chorar de soluçar no meio do pátio em que estavam reunidas as turmas dos quatro anos do ensino fundamental I. Entendam: eu nunca gostei de ser o centro das atenções. Nem lembro mais o que tinha dado errado naquela situação em específico, mas lembro que estava passando por uma fase bem ruim da minha vida, eu tinha acabado de perder a minha mãe e, na verdade, aquilo foi só uma gotinha d’água num copo já bem cheio. Consigo me recordar também do pânico na cara das professoras e da coordenadora, que depois souberam lidar até que bem com a situação.
O outro caso de pior dia aconteceu no oitavo ano. Eu tinha tido ido muito bem numa prova geral, mas minha nota havia sumido. Depois de peregrinar pelo colégio inteiro atrás de alguma solução com a coordenação, fui meio que tratada feito lixo. Tive de me controlar muito para não chorar de raiva da situação – algo que acontece quase no automático pra mim. Apesar do lado ruim, essa memória traz um aspecto bom: foram dois grandes amigos meus que me ajudaram a lidar com aquele dia sem que eu matasse alguém. Talvez eles nunca leiam isso, mas como não me recordo de ter agradecido na época, aqui vai: obrigada, Gabriela e Luís <3.

Uma das melhores memórias também envolve esses dois amigos, e é curioso pensar no quão simples ela é. Trata-se de uma aula de matemática de revisão para a recuperação (à qual nenhum de nós precisava prestar atenção). Toda vez que o professor virava para a lousa, a Gabi e eu jogávamos bolinhas de papel no Luís (hahaha éramos duas pestes), as quais ele catava do chão e jogava de volta. O mais divertido era o modo como nós tínhamos de, indiretamente, prestar atenção no professor =P
A outra boa lembrança que tenho aconteceu fora do ambiente escolar, mas envolve a turma do nono ano. Depois da nossa “missa de formatura”, fomos todos a uma lanchonete da região celebrar. É uma memória agridoce porque muitos iriam mudar de escola no ano seguinte, então aquilo também tinha um ar de despedida, mas o lado gostoso dela prevalece.

Não estou bem nessa foto, mas não importa. O oitavo ano foi muito nosso <3

Não estou bem nessa foto, mas não importa. O oitavo ano foi muito nosso ❤

8. Se envolveu em algum tipo de briga ou movimento/protesto?
Serve reclamar de professores na coordenação até alguns deles serem demitidos? Oops… =P
Tirando isso, nada.

9. Sua escola tinha alguma lenda, tipo loira do banheiro? Você tinha algum medo na escola?
Não que eu me lembre. Quanto a medos, eu diria que eu tinha as inseguranças típicas de muitos adolescentes, mas só.

10. Sofreu ou causou bullying em alguém?
Olha, eu só pratiquei bullying cozamiguinho que levavam numa boa, conta?! =P
Quanto a sofrer, eu diria que sim, embora nada muito grave. Da terceira série ao ensino médio fui obrigada a aguentar gente que zombava de mim ou até mesmo me “odiava” (!!!) por conta das minhas notas. Além disso, enfrentei risadinhas e comentários beeem maldosos por ser um verdadeiro desastre em educação física.

11. Como era a sua performance em apresentações da escola? Curtia?
Essa pergunta é meio vaga porque não fica claro o que seriam essas apresentações: trabalhos? Feiras culturais? Danças de festa junina?
Nunca gostei de apresentar trabalhos por causa da timidez. A faculdade aliviou MUITO essa angústia, e hoje posso dizer que não fico tremendo ou com coração acelerado toda vez que preciso falar em público, mas durante o período escolar isso era muito real. Quanto a outros tipos de apresentação, diria que elas eram… normais?!

12. Do que você mais lembra desse tempo? Quais as coisas que mais te trazem lembranças?
Tenho muitas lembranças ruins, principalmente do ensino médio, mas não quero focar nelas para a resposta. No geral, minhas melhores memórias daquele lugar estão nas pessoas que ainda podem dividi-las comigo.  Algumas das que conheci lá, como a minha grande amiga Mariana, continuam ocupando um lugar muito especial no meu coração e na minha vida ❤ (nossa, que meloso hahaha).

Essa é uma foto da formatura do terceiro ano com Dona Mariana, uma dessas pessoas que ficou <3

Essa é uma foto da formatura do terceiro ano com Dona Mari ❤

13. Teve algum professor(a) ou funcionário que te marcou?
O primeiro que me veio à mente foi o grande Imperador, o professor Roberto que dava História durante o ensino médio. Dos professores que tive durante a minha jornada de colégio, ele foi, sem a menor dúvida, o mais apaixonado pelo que fazia. Eu ficava fascinada toda vez que o via iniciar uma aula e falar do tema com uma empolgação impressionante. E como eu sempre amei História, era unir o útil ao agradável.

14. Se você pudesse voltar no tempo, o que diria pra você mesma naquela época?
Nossa, eu diria tanta coisa que daria quase pra fazer um post inteiro só sobre isso, mas vou tentar resumir.
“Luiza, pare de se estressar tanto com tudo de errado que acontece nessa escola. Não vale a pena. Você vai gastar saliva, perder horas de sono, se irritar e esbravejar de graça. E a sua saúde vai sofrer com isso em alguns momentos.
Sei que é difícil acreditar agora, mas pare de diminuir sua beleza. E também não dê tanta importância para o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre você. Eu sei que você mente para si mesma sobre isso e vai me dizer que já não se importa, mas confie em mim, tenho mais experiência.
Por fim, não se desespere, dias melhores virão. Eu juro. Você não tem noção de como a faculdade vai te fazer feliz e de como ela vai te ensinar algumas coisas que irão muito além das matérias da graduação.”

Press play

Eu não me orgulho do abandono em que eu tenho deixado a blogosfera ultimamente. Mal tenho conseguido comentar nos blogs que eu gosto e o Miniature tem recebido no máximo um post por mês – quem diria que eu me incomodaria com isso sendo que já passei por fases em que fiquei MESES sem aparecer. Ando atolada em trabalhos da faculdade e, por esse motivo, não tenho conseguido dedicar tanto tempo quanto gostaria a esse mundinho de blogs que tanto me faz feliz. Mas voltarei aos pouquinhos, eu juro!
Enquanto isso, resolvi deixar vocês com algumas das coisas que tenho ouvido nesses últimos tempos. Tem pra todos os gostos: indie pop, rock alternativo, folk rock e pop rock. Espero que gostem de pelo menos alguma das minhas recomendações =D

Melanie Martinez
Taí uma descoberta deliciosa que os “recomendados” do YouTube me proporcionou. Quando vi o clipe de Dollhouse pela primeira vez, fiquei um tempo encarando a tela e pensando “nossa, tudo casou perfeitamente: essa letra, esse clipe e esse toque macabro na melodia”. Decidi dar uma olhada no resto do canal dela e, quando dei por mim, já tinha visto todos os clipes e estava caminhando pro replay em alguns deles. A Melanie é uma união perfeita entre algo fofo e doentio, e por algum motivo isso me chamou MUITA atenção. Em pouco tempo eu já tinha ouvido o álbum inteiro dela e já tava quase pedindo clipe de certas músicas pra ela no twitter HAHAHA. Por sorte, li na Wikipedia que ela pretende fazer um clipe pra cada faixa de Cry Baby, e já fico tentando imaginar como serão os que estão por vir.
Ah, e como se não bastasse tudo isso, ainda divido a Melanie com a Mai, minha tão querida amiga ❤

Escolhi como recomendação principal pra vocês a minha favorita, mas deixo aqui outras muito boas (vejam os clipes das três primeiras, plmdds): Sippy Cup, Soap, Training Wheels (sim, Soap tem dois clipes, um deles em conjunto com o dessa), Mr. Potato Head, Mad Hatter.

Foals
Como se eu já não gostasse o suficiente de Supernatural pela história, a série tem uma trilha sonora tão boa que chega a doer. Já fui apresentada a muito rock clássico que eu desconhecia, mas qual não foi a minha surpresa quando, ao pesquisar qual era a música do vídeo promocional da 11ª temporada, eu achei uma banda de rock contemporâneo? Banda essa que eu fui ouvir de novo na maravilhosa trilha sonora de Life is Strange e daí pra sair caçando mais coisa deles no Spotify foi um pulo. Ainda não consegui parar pra ouvir toda a discografia, mas gostei de tudo que já peguei pra escutar e pretendo ir conhecendo cada vez melhor.


Escolhi What Went Down porque foi a primeira que eu ouvi e tenho todo um carinho por ela, mas aqui vão outras que você pode ouvir: Spanish Sahara, InhalerMy Number, Mountain At My Gates, Birch Tree.

KT Tunstall ❤
Eu juro que essa não é só mais uma tentativa de catequizar os leitores desse blog na igreja de KT Tunstall (embora eu realmente ache que todo mundo deveria conhecer melhor essa maravilhosa), eu realmente tenho ouvido muito dela nesse mês. Comecei a ouvir essa mulher em 2008, quando fiquei sabendo que ela viria pro Brasil e encasquetei que queria ir no show. Foi o primeiro da minha vida, e de lá pra cá minha relação de amor por ela só cresceu. Hoje fico checando o twitter dela de vez em quando pra ver se tem novidades sobre o novo álbum e fico sempre torcendo pra que ela anuncie mais um de seus shows deliciosamente intimistas aqui por essas bandas.
Ah, e gostaria de dizer que existe uma foto minha inspirada na capa do Drastic Fantastic


HA!, e vocês acharam que eu iria colocar Miniature Disasters? Quis fugir do óbvio! Mas ouçam Miniature Disasters, sim, que é minha favorita! Ouçam também:  Uummannaq Song, Invisible Empire, Paper Aeroplane, Another Place to Fall e False Alarm.

DNCE
Dentre as coisas que eu tenho ouvido nos últimos tempos, DNCE é a que tem ocupado menos tempo da minha vida, mas ainda assim merece menção. A banda tem toda uma carinha de Maroon 5 nos últimos álbuns, principalmente na guitarra e na voz do Joe, que lembra, de certa forma, a do Adam. Acho que gostei deles porque gosto de Maroon 5 (mesmo que prefira a primeira fase, sdds Harder to Breathe e Won’t Go Home Without You). Consigo até imaginar uma banda cantando as músicas da outra. Como eles ainda têm poucas músicas, deixo minha segunda recomendação aqui mesmo: Toothbrush (aliás, adoro o fato de que tanto o clipe oficial quanto o lyric video quebram com os padrões típicos de clipes de pop-rock).

 

Quase oito anos depois…

No final de 2008 eu entrei pela primeira vez num tal de Ma-Cherie. Li um post sobre uma reclamação com a Telefônica, achei muito divertido e vasculhei o blog inteiro. Ele foi, na realidade, uma das minhas maiores motivações pra voltar pro mundo dos blogs fazendo exatamente aquilo pra que deveria servir um blog: publicar textos sobre a minha vida. E em 22 de janeiro de 2009, surgia o primeiro post do Miniature Disasters.
Além de criar um blog novo, decidi que seria uma boa ideia fazer um twitter para acompanhar minhas blogueiras favoritas por lá (parecia muito divertido). A tal da @Lilikaaa foi a terceira pessoa que eu segui. Graças a ela, fui conhecendo gente nova e, ao final do ano, já mantinha contato quase diário – com direito a #twitchats longuíssimos e piadas internas – com mais duas arrobas: @imaginatif e @amoursensible (Fun fact: a Patthy foi a única das quatro que manteve o username no twitter de lá pra cá).
Aos poucos esse contato foi deixando de acontecer só pelo twitter: já nos falávamos pelo flickr, pelo tumblr, pelo facebook e até pelo saudoso msn (embora isso fosse BEM raro). Aquilo que tinha começado como uma série de brincadeiras foi tomando outra forma: trocávamos confidências e vídeos de aniversário. E foi graças aos vídeos de aniversário que surgiu o nosso principal meio de comunicação atualmente: o #mailchat diário.
O desejo de desvirtualizar essa relação foi crescendo junto com tudo isso, e quando fomos ver, estávamos criando um evento pra reunir todas nós em SP numa mesma data. Foram alguns perrengues no meio do caminho, algumas mudanças drásticas de planos e alguns problemas com datas até que chegássemos ao fim de semana dos dias 14 e 15/05 desse ano. Passagens compradas, hospedagem reservada, passeios programados: dessa vez era real!

Da esquerda para a direita: Patthynete, eu, Tatiénne, Livoneta ❤

Minha ansiedade era muita, até porque elas iriam se conhecer na sexta à noite e eu as veria pela primeira vez na manhã do sábado. Aliás, eu realmente gosto muito dessas três pra acordar às 7:30 NUM SÁBADO!!!!!
Meu cérebro demorou um pouco pra processar o que estava acontecendo quando finalmente vi duas ruivas e uma semi-morena (haha) entrando no Ibirapuera. Era meio surreal que elas estivessem mesmo ali e que a gente pudesse se abraçar pela primeira vez. Elas não eram mais nomes numa tela, mas sim pessoas reais, de carne e osso, que estavam bem na minha frente.

Primeira foto que tiramos juntas, assim que nos vimos. A justificativa pra escolha do cenário: as flores!

Talvez a gente não devesse ter andado tanto no Ibirapuera antes de parar pra sentar? Talvez. Talvez a gente devesse ter ido de ônibus do parque até a Paulista porque a gente quase morreu subindo a Brigadeiro? Talvez. Mas assim… são só hipóteses, mesmo (eu só queria aproveitar a deixa pra dizer que os ônibus em SP não são tão ruins, não foi por isso que fomos a pé, a gente só é meio trouxa, mesmo).
Dentre as coisas que dividimos nesse fim de semana, separamos um espacinho pra um food truck de milkshakes que vimos no meio do caminho. Claro que provamos os sabores uma da outra – mesmo quando não gostávamos do sabor escolhido, né, Taty?! =P. Esses milkshakes renderam muito: uma foto bem instagramável, uns pingos verdes que deixaram o chão mais bonito e uma das piadas mais engraçadas desses dois dias.

Olá, meninas! Hoje eu vim recomendar um lugar de milkshake suuuuper bacana pra vocês #sweet #love #delicious #publi

O passeio pela Casa das Rosas logo a seguir teve risadas, choques térmicos constantes (né, Taty?!) – junto com uma leve vontade de invadir propriedade privada -, um tutorial de como alcançar um ruivo natural e uma das minhas fotos favoritas de todo o passeio.
Aliás, antes dela, aproveito pra dizer que aprendi mais de zoologia nesses dois dias do que em muitas aulas de biologia. Agora posso dizer pra todo mundo que cigarras expelem seiva e também sei diferenciar uma foca de um *peixe-boi pelo focinho.

As “duplinhas”: de um lado as ruivas, do outro as semi-morenas; de um lado as mais altas, do outro as mais baixas; em cima as mais velhas, em baixo as mais novas (e a lista continua).

Escolhemos um pub pra passar a noite. Queríamos jantar e ouvir um rock juntas (um gênero que todas gostam), e nada melhor que um pub irlandês pra isso. Antes disso, porém, elas conheceram meu quarto (algo que me deixou bem felizinha ❤ ) e depois pegaram carona comigo! As três já estão no grupo seleto de pessoas que me viu dirigir até hoje HAHAHA. Ah, e também demos uma passada em um shopping e foi daí que saiu a foto a seguir:

Direto do Coachella para a sua tela do seu computador!

Interrompemos a programação para dar dicas de gambiarra: se você chegar a um pub pra jantar com MUITA fome e eles te deixarem entrar mesmo sem ter mesa disponível, não se desespere (ok, talvez só um pouquinho)! É só procurar um banco vazio na área de fumantes, pedir sua comida e colocar o prato no colo. Dá até pra usar o vaso da planta mais próxima como apoio pra ketchup, mostarda e guardanapos. Garanto que você nem vai sentir a diferença se estiver em boa companhia. Aliás, ainda sobre o pub: conversas sobre séries da CW e Crepúsculo com o amigo da Taty que a gente nem conhecia? Teve, sim!

O dia seguinte foi mais corrido e sobrou pouco espaço para fotos (só conseguimos tirar uma que é a que aparece aqui embaixo). Ali na metade da brincadeira a Taty e eu (justamente as mais novas) estávamos pedindo arrego pelas dores nas pernas. Sabe criança que estende os bracinhos pedindo por colo? Exatamente isso. Se existisse uma graduação de sedentarismo, eu provavelmente seria professora titular.
Nem conseguimos fazer todas as comprinhas que queríamos na Liberdade, junto com vídeo que seria intitulado como “provando docinhos japoneses”. De qualquer forma, ainda foi muito divertido dar uma passeada pelas ruas e ver alguns dos mimos que eles vendem por lá. A Galvão Bueno é BEM cheia e concentra uma bela quantidade de músicos de rua e de desenhistas vendendo suas artes.

A última foto do fim de semana, poucos minutos antes de eu me despedir delas =(

Todo esse fim de semana foi tão natural que nem parecia que era a primeira vez que a gente se via na vida. Conseguimos resgatar piadas com seus 7 anos de idade (como sex on the beach, a bananice do Stefan) e criar novas (a mala, “olá meninas”, “caralho, é grosso”, as bad trips de dipirona…) em menos de 48 horas. Conversamos sobre os mais variados assuntos,  demos muita risada, nos cansamos muito. Mas todas as dores no corpo que eu sentia quando cheguei em casa valeram a pena. Eu repetiria essa experiência com muita frequência se eu pudesse. E já foi combinado: vai rolar pelo menos uma vez por ano ❤

O chaveiro exclusivíssimo que dona Patthy nos deu. Pensarei no nosso fim de semana sempre que for entrar em casa ❤

Ali em cima eu linkei os twitters delas, então aqui vão os blogs: BeautyLivsEnfim, BelezaImaginalinda. Cada uma delas tem algo a dizer sobre esse fim de semana, então eu sugiro que vocês deem uma olhada por lá ❤

Dez livros que me marcaram até aqui

Recentemente criei um perfil no Skoob (me adicionem lá, gente <3) e fiquei pensando em como alguns dos meus livros lidos tinham me marcado. Foi aí que surgiu a ideia pra esse post.
Isso não é exatamente uma TAG/um meme, mas pode ser se você assim o quiser. De qualquer forma, eu, ironicamente a rainha da trapaça nesse tipo de coisa, estabeleci uma regra pra mim mesma: não repetir autores. Como vou indicar algumas pessoas ao final (e eu fico aqui tentando me convencer de que não é uma TAG), gostaria que quem decidisse fazer o post tentasse seguir o mesmo padrão. Se não conseguir, tudo bem. E não precisam ser necessariamente seus dez livros favoritos da vida, mas sim livros que tenham te marcado por algum motivo.
Sem mais delongas, vamos pra minha lista, que segue a ordem mais aleatória possível.

Os nacionais
1- Dom Casmurrode Machado de Assis
Acho que eu poderia resumir os motivos pra esse livro entrar na lista dizendo que ele é meu favorito da vida e que foi ele que me convenceu de vez que Machado era o melhor autor do mundo. De qualquer forma, todo o fundo psicológico criado para cada um dos personagens consegue me deixar fascinada toda vez que eu releio um trecho. Já até escrevi um trabalho pra faculdade comentando o complexo de inferioridade do Bentinho em relação à Capitu – que mulher, aliás. A psicologia é um tema que sempre me interessou muito, e vê-lo trabalhado dessa forma numa obra de ficção é encantador. Por fim, o estilo de escrita machadiano é de encher os olhos: a ironia, as metáforas, as digressões sempre pertinentes, o pessimismo pungente… ❤

2- Incidente em Antaresde Erico Verissimo
Eu falo desse livro tantas vezes pros outros que ninguém deve aguentar mais. Em primeiro lugar, ele é o livro mais viciante que eu já li: quando cheguei na segunda parte eu não queria largar por nada nesse mundo. Em segundo, Cícero Branco (um dos personagens mais interessantes da obra) é responsável por uma das minhas citações favoritas em toda a literatura. Por fim, (e aqui vai um spoiler de leve) toda a reflexão sobre a questão da verdade como algo impossível de ser alcançado em vida é arrebatadora e deixa qualquer um meio aturdido. Amo com todas as forças.

3- As Meninas, de Lygia Fagundes Telles
Acho que o principal motivo pra esse livro ter me marcado é o fato de que eu me imaginei dentro dele. Eu poderia ser parte daquele grupo de amigas, eu poderia ter vivido tudo aquilo. A história de Lorena, Lia e Ana Clara é muito real, e eu vi muito de mim nas duas primeiras. A obra é comovente, bem pensada e, na minha opinião, o timing de cada detalhe é perfeito. Além disso, dá gosto de ler o fluxo de consciência da Lygia. Os capítulos narrados pela Ana Clara são de uma complexidade incrível e caem feito uma luva para a personalidade da personagem.

4- Vidas Secasde Graciliano Ramos
Quando li Vidas Secas, fiquei impressionada com a habilidade do Graciliano em fazer o leitor entender o que se passa na cabeça de Fabiano, Sinhá Vitória, dos meninos e até de Baleia. Trabalhando constantemente com discurso indireto livre e com uma objetividade típica dele, o autor consegue produzir um belo efeito. Compreender a vida de uma família do sertão de dentro da cabeça deles faz com que o leitor sinta na pele o sofrimento dos menos favorecidos, daqueles que lutam dia após dia para sobreviverem e compreenderem um mundo que não está tão disponível para eles.

5- Capitães da Areiade Jorge Amado
Acho que esse foi o livro mais triste que eu já li (menção honrosa para “Campo Geral”, de Manuelzão e Miguilim, que me fez chorar num ônibus). A história dos meninos do trapiche é quase palpável: todos nós já vimos muitas crianças de rua, pedindo dinheiro para sobreviverem. Uma das passagens mais agridoces da obra é a cena do carrossel: aqueles meninos, apesar de toda a dor que enfrentaram na vida, ainda se encantam, como qualquer outra criança, com uma brincadeira, com algo que pode parecer comum e mundano para muitos leitores com infâncias mais fáceis. 

Da literatura estrangeira
1- O Sol é para Todos (To Kill a Mockingbird)de Harper Lee
O aspecto mais marcante desse livro é ler a história de uma adulta que conta aquilo que via na infância. Scout possui a inocência, a esperança e a honestidade de uma criança comum, e a visão dela torna certos episódios do livro muito mais tristes e/ou revoltantes. Todo o preconceito da cidadezinha de Maycomb, seja com o Tom Robinson, seja com Arthur Radley, fica bem mais evidente a partir dos olhos dela. Harper Lee acerta em cheio na construção de cada personagem e no modo como ela conta essa história.

2- 1984 (Nineteen Eighty-Four), de George Orwell
O que mais me assusta nesse livro é que ele é muito real. Vejo Ministério da Verdade na grande imprensa brasileira. Vejo  a monitoração das teletelas nos governos que vigiam passo a passo seus cidadãos. Vejo muita gente encarando 1984 como um manual de instruções pra uma sociedade futura. Corro o risco de me repetir, mas as cenas que acontecem no Ministério do Amor fizeram com que eu sentisse um mal-estar físico. Eu me coloquei no lugar do Winston, me senti dentro de uma sociedade como a do livro e não gostei nem um pouco do que vi.

3- O Homem Duplicadode José Saramago
Depois de muito me decepcionar com todos os escritores portugueses que eu li e de ouvir com frequência que “Saramago é difícil, Saramago é complexo”, ler os primeiros capítulos desse livro foi uma das coisas mais prazerosas e surpreendentes dos últimos tempos. Deus, como eu amei o estilo literário desse homem! Tudo me fascinou: seu modo de brincar com a pontuação, de escrever os diálogos fora de todo e qualquer padrão já existente, de transmitir os pensamentos do personagem principal… E gente, que história empolgante e inspiradora de reflexões! ❤

4- Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)de Jane Austen
Sempre ouvi falar muito bem da Jane Austen, mas não me imaginava gostando tanto de Orgulho e Preconceito quanto eu gostei. Acompanhar as mudanças dos dois personagens principais foi delicioso, e nunca shippei tanto um casal na minha vida (e é bem raro eu shippar algo, principalmente em literatura). Mr. Darcy aprende  e cresce muito com seu amor por Elizabeth. Ela também cresce, mesmo sendo sensacional desde o primeiro momento do livro: proto-feminista, a frente de seu tempo, independente para a época e segura de si (mais um caso nessa lista de “que mulher”).

Antes de ir para o último livro da lista, devo dizer que demorei MUITO pra tomar essa decisão e fiquei entre três livros. O primeiro deles foi Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias, de Edgar Allan Poe, um dos meus contistas favoritos da vida. O que me fez desistir dele, porém, foi que embora eu ame fortemente alguns contos ali presentes (“O Coração Revelador” ❤ , “O Gato Preto”, “A Máscara da Morte Rubra”, “O Poço e o Pêndulo”), outros não me agradam tanto. Achei meio estranho colocá-lo na lista sendo que não seria o livro todo que teria me marcado.
Depois pensei em Crônica de uma Morte Anunciada, do Gabriel García Márquez. Essa obra tem um dos começos mais incríveis que eu já li na vida. Ao mesmo tempo, fiquei pensando no porquê ele teria me marcado tanto além de um “gostei muito da leitura e do modo como Gabinho escreveu o livro”. Depois de dar voltas e mais voltas mentais, achei que ele caberia mais numa lista de “livros muito amor”.
Acabei optando por uma leitura bem recente, mas que me fez refletir por um bom tempo. Acho que isso conta como marcante, certo? =P

5- Desonra (Disgrace), de John Maxwell Coetzee
Acho que o principal motivo desse livro ter me marcado foi o fato de que fui apresentada a um cenário sobre a África do Sul que desconhecia e que me impressionou. Quer dizer, enquanto estamos na escola só acompanhamos a história desse país até o fim do apartheid. Não fazemos ideia de como as coisas aconteceram depois disso, à exceção da vaga ideia de que, apesar de tudo, continua existindo muito racismo por lá. Mesmo a mídia não nos fornece muito material sobre o contexto de qualquer país da África. Descobrir como os sul-africanos têm lidado com racismo, machismo e violência foi algo totalmente novo, e até agora eu não consegui estabelecer uma ideia sobre o certo e o errado dentro do contexto do livro, nem saber direito o que eu acho de cada personagem.

Algumas coisas que achei merecedoras de um comentário final:
– Fiquei bem feliz que a maioria dos livros é de autores brasileiros. Nossa literatura precisa ser valorizada sempre.
– Dada a quantidade de autores que eu li em comparação com a quantidade de autoras, achei lindo que 30% da minha lista seja composta por mulheres. Proporcionalmente, eu diria que elas estão muito bem. Espero que essa porcentagem só cresça com o passar do tempo (e que eu leia cada vez mais mulheres).
– Oito dos livros dessa lista possuem edições pela Companhia das Letras. Achei no mínimo curioso.

Como não se trata de uma TAG, não é obrigatório fazer uma indicação no final, mas quis trazer aqui alguns dos blogueiros cujos livros marcantes me interessam: Amável Formalidade / BeLivs / DeClara / Dreams / Dreams & Dramas / Enfim, veremos / Flaws Made / Imaginatif / Não me venha com desculpas / Ooh, Mry

Uma saudade…

Oi, Mã (era assim que eu te chamava, lembra?)

Outro dia me peguei pensando na linda Tears in Heaven, do Eric Clapton. Você se foi quando eu tinha acabado de completar oito anos, hoje já sou uma “jovem adulta”, será que você me reconheceria?  Será que você perceberia que sou sua filha, mesmo que eu tenha me tornado quase uma versão feminina do meu pai?
A verdade é que isso não me preocupa tanto quanto o medo que eu teria de não te reconhecer. As lembranças que tenho de você são escassas e diminuem com o tempo. Não fui capaz de guardar na memória nenhum aniversário seu que passamos juntas; sua voz já se tornou um som abafado e incerto ao qual eu tento me apegar; não tenho certeza se realmente me lembro do seu rosto, já que tenho fotos nas quais me amparo sempre que preciso.
Muitas das coisas que sei sobre você são uma construção do que os outros me contam. Sempre que ouço as pessoas falando sobre algum traço da sua personalidade, fico imaginando como teria sido conviver com ele durante toda a minha adolescência. É curioso prestar atenção nessas conversas e depois tentar imaginar como você teria agido em tal ou qual situação.
Queria aproveitar essa carta pra te dizer que vai tudo bem por aqui. O homem com quem você se casou e que escolheu pra ser o pai da sua filha (que você demorou a querer ter) é o melhor pai do mundo. Ele tem cuidado muito bem de mim, como sempre fez. O amor que ele tem por mim não encontra limites. Foi graças a ele, também, que três mulheres maravilhosas passaram a ter um papel cada vez maior na minha vida e ajudaram a fazer de mim a mulher que sou hoje. Embora minha avó não tenha mais condições de cuidar de alguém, minhas tias fazem um trabalho incrível.
São tantas as coisas que eu fiz e que você não pôde ver. Fiz sete anos de piano, sabia? Ultimamente ando meio relapsa por causa do meu perfeccionismo, mas você nunca me viu tocar nem um dó-ré-mi-fá. Ah, também passei na universidade dos meus sonhos, aquela em que você e meu pai se conheceram. Toda vez que caminho pelo prédio da História, sou tomada por uma pequena dose de alegria ao pensar em vocês dois.

Eu gostaria de acreditar em céu, em vida pós-morte, em reencarnação. Gostaria de crer que, de alguma forma, você pode ler o que está escrito aqui. Essa não sou eu, infelizmente. Mas eu percebi que falo muito pouco sobre isso tudo e sobre você. Talvez tenha sido algo que ficou guardado no meu subconsciente desde a infância, uma espécie de medo de que os outros sintam pena de mim. E eu não posso guardar isso comigo pra sempre, não é mesmo?!

Com todo o amor que eu não tive tempo de te dizer que sentia,
Luiza

Esse texto saiu depois da leitura dessa lista no Buzzfeed. Acho que nunca tinha lido algo tão verdadeiro por lá, e o post deles me fez ver que muitas das coisas que se passavam na minha cabeça não eram exclusivas. Recomendo a leitura pra quem quer entender melhor o que se passa na mente de alguém que perdeu um dos pais durante a infância.