As várias partes de mim/Azul

Existem várias pessoas dentro de mim. Várias Luizas que se alternam para tomar conta de quem eu sou.
Tem uma parte de mim que é quieta, tímida, reservada e de meios-sorrisos, e que se odeia por isso. Tem outra que acha isso uma qualidade. E tem ainda uma terceira que é espalhafatosa, divertida, expansiva, falante e que pouco aparece.
Tem uma parte de mim que é pessimista, dramática, negativa e triste. Mas ainda tem uma que, por menor que seja, é esperançosa, sonhadora e otimista.
Tem uma parte de mim que é paciente, que não se incomoda de esperar, que idealiza o presente e o futuro. Tem outra que está cansada de esperar, que é irritada e raivosa, que grita e vê somente a parte concreta da vida.
Tem uma parte de mim que é forte. Ela aguenta muito com sorrisos no rosto, perdoa fácil, esquece fácil e é boa companheira. Ela sabe que os pequenos desastres da vida são apenas obstáculos e passam rápido…
Tem outra parte de mim que sucumbe quieta e chora lágrimas invisíveis, que guarda ressentimentos e procura sempre esconder as fraquezas bem dentro da alma. Ela está sempre às voltas com catástrofes pequeninas, mas que maltratam.
Todas as partes de mim têm seu par ação-reação. Exceto uma.
Tem uma parte de mim que ama. E que faz tudo por aqueles que ama. Que escuta, aconselha, confia e guarda segredos. Uma parte que é confiável, um tumulo de segredos alheios. Essa é a parte que os outros menos veem. E a parte que mais se sente fracassada.

Fazia um bom tempo que eu não gostava muito dos poemas que eu escrevia, que sentia falta de um poema que me agradasse. Cheguei a passar por um período de abstinência de poemas, no ano passado. Mas uns certos olhos azuis que me balançaram há duas semanas (e que, infelizmente, eu nunca mais verei) me motivaram a escrever um dos melhores poemas que eu já escrevi, e que eu achei que merecia ser publicado.

Azul
Era dia
O sol resplandecia
Livremente,
Inquietamente.
O céu, a cor pura,
Esse azul que murmura
Nos meus olhos, os teus.

Do mar, as ondas
Em tua face perdidas
Redondas,
Irrequietas e iludidas
Traduzem em mim
A taquicardia, a tontura
E do mal, a cura.

Azul,
Azul é perder-se,
É sumir-se nesse
Sonho, nessa
Mentira, nessa
História, nesse conto
de fadas, surreal,
Impossível!

Era pra eu só postar no sábado/domingo que vem, com um diário sobre a tão famigerada quadrilha do terceiro. Mas sei lá… eu tava precisando do texto acima. PROMETO que falo da quadrilha do mesmo jeito, tá?!

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