Primeira pessoa do plural

Existem pessoas que são tímidas, quietas e desastradas. Essas são as pessoas que ficam com a cabeça presa debaixo de camas, quebram ossos e caem de uma altura considerável quando resolvem fazer algo mais “aventureiro”. Elas também são as pessoas que sofreram bullying quando crianças, mas que ao mesmo tempo escreviam cobras e lagartos sobre várias pessoas nas suas agendas. Elas não são muito boas em jogos de videogame, nem manuseando mouses, nem cozinhando (embora saibam muito bem a denominação dos molhos). Essas pessoas fizeram aula de natação e quase se afogaram, fizeram ballet e tem fotos vergonhosas vestidas de coelho e depois resolveram tocar piano.
Mas há também pessoas que são parcialmente tímidas e derrubam os lápis no chão o tempo todo. São pessoas que colocam a perna no aro da bicicleta para ver o que acontece, que fazem experiências com aranhas e moscas, e eram bem aventureiras quando crianças. São as precursoras do 3D e do Angry Birds (verdadeiras visionárias). Essas pessoas têm histórico de PRÁTICA de bullying e inclusive tem síndrome de Nazaré Tedesco =P. Não conseguem cortar frutas com os dedos nem acertar o solo de Living on a Prayer no Rock Band. Elas têm um book de fotos (muito fofas, por sinal) com as mais variadas fantasias.
Um dia desses, essas duas pessoas se encontraram e passaram a sentar uma ao lado da outra numa sala de aula. Não partilharam a mesma infância, mas às vezes até parece que sim.
Não sei exatamente quando isso começou. Se foi naquele primeiro “quer ajuda?” logo no segundo dia de aula, ou se foi nas reclamações sobre o ar condicionado. Se foi quando fugíamos de conversas inconvenientes, ou se foi graças ao Flow. Se foi nas perguntas sobre o meu dinossauro que tocava piano (!), ou se foi nas inúmeras vezes em que um lápis (e uma borracha, e o estojo inteiro) ia ao chão. Se foi naquela conversa sobre qual letra a lua parecia naquela noite, ou se foi nas inúmeras conversas pelo twitter e por mensagem…
Só sei que aconteceu. De repente, o pronome pessoal reto da primeira pessoa do plural (mais conhecido como “nós”) adquiriu um sentido todo especial, que eu até então desconhecia. E aí veio um book, uma colação, um cartão de Natal, um beijo, um cinema e uma aposta.
E no final de tudo isso, a verdade é que aquela “garota desapaixonada” acabou se apaixonando por alguém.

Give me more loving than I’ve ever had,
Make it all better when I’m feeling sad
Tell me that I’m special even when I know I’m not…
Make me feel good when I hurt so bad, barely getting mad
I’m so glad I’ve found you. I love being around you.
You make it easy, as easy as 1 2, 1 2 3 4
There’s only 1 thing 2 do, 3 words 4 you… I love you!
There’s only 1 way 2 say those 3 words and that’s what I’ll do
I love you!

14/12/12, 21/12/12, 29/12/12, 12/01/13… é só o começo da nossa futura coleção!

2 comentários sobre “Primeira pessoa do plural

  1. Não bastasse a história por si só me deixar encantada, você tinha que escrever lindamente assim, né, Luizete?
    Meu, amor/carinho/paixão é gostoso assim: quando a gente não planeja. Quando a gente deixa esses nerds com infâncias tão diferentes (mas tão próximas! como pode?) das nossas se apoderarem do nosso coração.
    Sem palavras, Lu-i-za de Camões =P
    E que esse coração nunca mais se desapaixone pq, né, pra mim uma vida sem amor é meia vida vivida…
    Beijo, fiote!

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