Retrospectiva Literária – 2013

Olha só quem voltou depois de inacreditáveis 30 dias!
Sim, eu sei, é um milagre. Eu tinha prometido que faria uma retrospectiva com os livros que li durante esse ano. De fato, o ano ainda não acabou, mas sei que não conseguirei terminar O Pêndulo de Foucault de Umberto Eco até o fim do ano, então não terei uma opinião concreta sobre ele antes de 2014. Por isso, resolvi adiantar a retrospectiva para hoje.
Espero que gostem e que, acima de tudo, leeeiam!

P.S.: Falarei sobre as obras na ordem em que as li.
P.S.2: Não incluí as obras acadêmicas porque, né, não vai interessar a grande maioria das pessoas.

Título: O Processo
Autor: Franz Kafka
Ano: 1925
Editora: Companhia de Bolso

O livro conta a história de Josef K., um homem que sofre um longo processo durante a narrativa sem saber qual foi o crime que teria cometido. E isso é o máximo que eu posso falar sobre o enredo sem dar muito spoiler. A verdade é que Kafka constrói a história de um modo que deixa o leitor angustiado o tem-po to-do! E como se não bastasse isso, o final explode seu cérebro em milhares de pedaços miudinhos. O livro é assustadoramente genial, recomendo muito!

Título: As Vantagens de Ser Invisível
Autor: Stephen Chbosky
Ano: 1999
Editora: Rocco

Charlie, um jovem que está prestes a começar sua trajetória no ensino médio, começa a enviar cartas a um destinatário anônimo, contando um pouco sobre seu dia a dia, suas novas amizades e seus problemas de saúde. A obra, pelo que eu entendo, pode ser encaixada na mais recente tendência da literatura mundial, a sick-lit, já que Charlie teve (e ainda tem) algumas alucinações, entre outros surtos. Apesar de tudo, a obra consegue ser leve e bem escrita, uma leitura rápida e gostosa, mesmo sendo um pouco triste. O filme baseado na obra segue as mesmas características.

Título: Ninguém Escreve ao Coronel
Autor: Gabriel García Márquez
Ano: 1961
Editora: Record

O Coronel e sua mulher são um casal extremamente pobre. Há alguns anos ele espera que sua pensão de guerra chegue pelo correio, mas o dinheiro nunca vem. Enquanto isso, ele usa o pouco que lhe resta para cuidar do galo de briga, posse do filho já falecido. Meu pai me deu esse livro quando me formei no Ensino Médio como forma de me convencer a nunca desistir de meus sonhos e não me deixar ser realista em excesso. A história é bem triste, e a escrita é de certa forma crua, o que torna tudo ainda mais interessante. E acima de tudo, não desista do galo!

Título: A Brincadeira
Autor: Milan Kundera
Ano: 1967
Editora: Companhia de Bolso

Ludvik é um jovem filiado ao Partido Comunista checo. Enamorado e irritado porque a garota de quem gosta está mais feliz em um Acampamento, afastada dele, Ludvik escreve um cartão postal com uma brincadeira. O cartão é interceptado pelo Partido, que o interpreta como uma manifestação trotskista e expulsa Ludvik, desencadeando uma série de eventos que mudam a vida do jovem. Li A Brincadeira para uma prova do meu curso, mas o livro passou longe de ser uma “leitura obrigatória”. Achei a história bem interessante, gostei da divisão de narrações e a narrativa é, de certa forma, um pouco reflexiva.

Título: To Kill A Mockingbird (em português, O Sol é Para Todos)
Autor: Harper Lee
Ano: 1960
Editora: Grand Central Publishing (edição importada)

O livro conta a história da família Finch e de alguns outros habitantes de uma pequena cidade no Alabama. O pai, advogado, empenha-se em defender a causa de um negro acusado de estupro (e qualquer coisa além disso é spoiler). Aaaaah, esse livro! Ele provocou o mesmo efeito em mim que alguns dos livros da nossa literatura regionalista de 1930. A narração feita por uma criança, a descrição dos preconceitos sulistas norte-americanos pela visão inocente de Scout, tudo colaborou para que eu ficasse um bom tempo refletindo sobre como diabos é possível que a sociedade seja assim tão podre. Vale MUITO a leitura, porque a obra é lindíssima. Além disso, recomendo também o filme, que é bastante fiel (com exceção de alguns detalhes ao final) e muito bem interpretado.

Título: Garranchos
Autor: Graciliano Ramos
Organizador: Thiago Mio Salla
Ano: 2012
Editora: Record

Garranchos é um livro de textos inéditos de Graciliano Ramos, incluindo um conto que nunca foi publicado antes, nem mesmo em jornais dos quais o autor participou. Organizados em várias seções (algumas de décadas, outras relacionadas com o conteúdo do texto), o livro mostra como Graciliano adaptava-se muito bem a qualquer tipo de gênero literário (até mesmo em seus discursos no PCB). Vale muito a leitura, principalmente se você quer conhecer as várias facetas do nosso alagoano querido.

Título: A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green
Ano: 2012
Editora: Intrínseca

Hazel Grace é uma paciente de câncer terminal. Ela é obrigada pelos pais a participar de um Grupo de Apoio para pacientes da doença e lá conhece um garoto que vai mudar sua vida. Mais um livro da sick-lit que eu li esse ano. Ele foi presente de aniversário de uma grande amiga. Eu poderia tentar avaliar a história, a escrita e qualquer coisa que envolva esse livro, mas eu diria que não tenho condições de fazê-lo. Eu apelidei o livro carinhosamente de “tortura”. Não porque ele seja ruim, mas sim porque foi MUITO difícil pra ler. Eu sofria mais a cada capítulo e ele ia me matando aos pouquinhos. O começo foi tranquilo, mas da metade pro final, meu Deus… talvez eu tenha lido na semana errada, mas ele foi cruel comigo.

Título: 50 Contos de Machado de Assis
Autor: Machado de Assis
Organizador: John Gledson
Ano: 2011
Editora: Companhia das Letras

Nesse caso, o título é autoexplicativo. Foi a melhor pedida de leitura depois de todo o sofrimento anterior. Presente de aniversário do meu namorado, ele foi o livro mais amado do ano. Machado consegue envolver o leitor em absolutamente TODOS os contos do livro, e eu me senti quase que órfã quando cheguei ao fim. Eu poderia recomendar um conto, dizer quais foram meus favoritos, mas isso é basicamente impossível: adorei cada um de uma forma especial e única. Recomendo FORTEMENTE pra quem já é apaixonado por Machado e para aqueles que torcem o nariz, porque os contos curtos trazem uma pequena prévia de toda a maravilha que é ler um romance machadiano❤. Destaque para a edição, que ainda vem com um mapa do Rio na época.

Título: The Sign of Four
Autor: Sir Arthur Conan Doyle
Ano: 1890
Editora: Penguin (edição importada)

Sherlock Holmes (nosso querido e amado detetive) e John Watson envolvem-se em nova aventura:  uma jovem aparece no 221B contando sobre o sumiço de seu pai, as pérolas que recebeu pelo correio nos últimos seis anos e a carta que acabara de chegar. Os dois amigos terão de descobrir a relação entre todos esses fatos. Por algum motivo obscuro, eu sou meio fissurada por tudo que envolve Sherlock Holmes. Talvez porque o primeiro tenha sido difícil de achar (eu queria edição importada), eu agora tenha essa vontade de comprar tudo que eu vejo sobre ele. Esse é só mais um livro incrível de Sir Arthur, super curtinho, mas com cenas eletrizantes e deduções incríveis.

 

lolitaTítulo: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Ano: 1955
Editora: PubliFolha
(Nesse caso, não peguei a capa da edição que tenho, mas sim a capa do Eugênio Hirsch, que foi escolhida pelo próprio Nabokov como a mais bonita já feita. A edição dessa capa é da Civilização Brasileira)

Lolita conta a história de uma jovem de 12 anos, Dolores Haze, que desperta a paixão de um homem de meia idade, Humbert Humbert. Se eu me estender mais na sinopse, é spoiler mais uma vez. A verdade é que Nabokov foi um dos poucos autores que me fez sentir raiva do personagem principal (e narrador-personagem) em menos de trinta páginas de história. Ele me provocou uma série de sentimentos e me fez reavaliar a minha ideia sobre a perversão sexual.

Um feliz 2014 com muita leitura pra vocês, seus lindos!

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