Uma carta para meu eu de 10 anos atrás

Esse post foi inspirado no post do blog Hypeness.

Olá, Luiza.
Como vai você?
Ouvi dizer que as coisas não vão muito bem em 2004. Mas vim aqui pra te contar um pouco do que você vai encontrar daqui pra frente.
Você é tão novinha, minha querida. O peso que tem recaído sobre seus ombros nessa fase, com apenas oito anos de idade (quase nove) é exagerado. Mas eu te conheço, você é forte e vai segurar as pontas.
Se um dia vai parar de doer? Não. A saudades que você tem sentido da sua mãe só vai ficar menos intensa, mas nunca vai sumir. E todo dia 13/06, um vazio vai invadir seu peito. E toda vez que alguém contar histórias que viveu com a mãe, você vai se perguntar como seria se ela ainda estivesse ao seu lado. Mas as lágrimas serão menos frequentes, isso eu te garanto. E você sabe que está muito bem amparada e que as pessoas à sua volta vão te criar e te amar da melhor forma do mundo.
Sei que as coisas parecem muito confusas agora, mas acredite, algumas amizades persistem apesar da distância e são basicamente indestrutíveis. Fie-se nisso em todos os momentos que te disserem palavras cruéis ou que você se sentir sozinha no colégio: existem pessoas que te amam fora (e dentro) dele.
Tenha calma, as coisas vão melhorar. Os anos vão passar, você ainda vai viver o melhor dia da sua vida, vai se apaixonar (mas só duas vezes, não se iluda com os outros casos), vai ganhar (e perder) novos amigos, vai aprimorar seu gosto musical, vai reforçar cada vez mais os laços familiares, vai experimentar sensações incríveis, vai estudar na universidade dos seus sonhos… bom, talvez eu esteja dando muitos spoilers.
Mas eu vou te dar algumas diquinhas: pare de ter tanta pressa de crescer! Aproveite a infância, os filmes da Disney, os seus brinquedos. Um dia eles se tornarão sua melhor lembrança. Complementar a isso, não se cobre tanto. Não deixe sua autoestima baixa roubar a sua felicidade, a sua confiança em si mesma. Essas são as duas coisas que mais complicarão sua caminhada nesses próximos dez anos.
De resto, eu diria que nada será tão ruim quanto parece agora. Nem tão bom quanto eu estou prometendo. Mas acho que você, mesmo tão criança, sabe tão bem quanto eu que a vida nunca dá trégua e sempre oscila entre o topo do Everest e o mais profundo do vale.
Um grande beijo e toda a sorte do mundo, porque infelizmente eu sei que essa carta nunca chegará até você, que vai ver a vida como qualquer adolescente inconstante por aí.

Com amor,
Luiza.

3 comentários sobre “Uma carta para meu eu de 10 anos atrás

  1. Pingback: Uma carta para meu eu de daqui dez anos | Miniature Disasters

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