“O peso das coisas que permanecem não-ditas…”

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Desde que me conheço por gente sou uma pessoa muito quieta. Em grande parte isso é culpa da timidez: graças a ela, já engoli tantas palavras por falta de coragem de dizê-las que, se bobear, qualquer dia desses tenho uma indigestão.
“Então deve ser fácil falar tudo que vem a sua mente quando você tem intimidade com a pessoa, certo?” Er… não é bem assim que as coisas funcionam na minha vida, caro leitor. Depois de muito ouvir que eu “reclamava demais”, comecei a omitir muito do que penso e dissimular meus sentimentos com razoável frequência, fingindo uma felicidade ou outra que não existem.
Pois bem, eis que quando li Manual de Sobrevivência dos Tímidos eu me identifiquei muito com o capítulo “Ensaios Psíquicos” e com essa imagem:

devia ter dito

Se eu fosse fazer uma lista enumerando todas as vezes que eu fiquei com algumas palavras presas na garganta, escreveria um livro com um volume digno de Ulysses, não um post de blog. Desde alguns simples “olás” até enormes desabafos e lavação de roupa suja, muitos de meus pensamentos até hoje ficaram só no sorrisinho amarelo somado ao olhar decepcionado com meu próprio silêncio.
Mas… que diferença será que isso teria feito no decorrer dos acontecimentos?
Talvez eu tivesse conhecido e me relacionado com mais gente. Talvez eu tivesse perdido menos tempo magoada com os outros. Talvez algumas pessoas permaneceriam ao meu lado, e outras teriam ido embora mais cedo e sem deixar sequelas. Talvez alguém ao redor do mundo tivesse como me identificar e me encontrar nas esquinas da vida. Talvez eu perguntasse mais e fizesse um pouco mais a minha parte. Talvez eu fosse mais incisiva sobre minhas vontades e sobre o que me incomodava. Talvez eu tivesse inspirado mais confiança nos outros, fazendo com que eles se abrissem mais e evitando algumas feridas. Talvez eu não passasse desapercebida em alguns momentos da vida, coisa que, infelizmente, acontece com frequência.
A verdade, porém, é que o ditado diz que “se minha avó tivesse rodas, ela não seria minha avó, seria minha bicicleta”, e eu não tenho como saber se falar mais seria benéfico ou maléfico ao longo dos anos. Quem sabe se, num universo paralelo, eu não estou aqui, nesse mesmo blog, reclamando do fato de eu não ter papas na língua e sair falando mais do que devo, não é?!
De qualquer forma, já passou da hora de eu parar de medir tanto o que pode ou não vir a público e conhecer a doçura e os espinhos do outro lado da moeda.

Aproveitem, esse é o post de comemoração dos seis anos do Miniature Disasters. Sei que tá longe de ser um texto sobre blog, então deixo aqui um singelo bolinho pra me desculpar por “negligenciar” o aniversário nos últimos três anos.

(É pra ser brega mesmo, beijos)

P.S.: Se por um acaso você tem a leve sensação de que conhece essa frase do título de algum lugar, provavelmente deve ser daqui. O resto da letra não tem muito a ver com o meu post, mas essa frase…❤

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