Quando tamanho é importante

Comprar roupas é uma atividade inglória e bastante paradoxal na minha vida: ao mesmo tempo em que amo experimentar coisas novas, ver meu corpo no espelho e levar pra casa aquele item que fez eu me sentir bem, sinto uma frustração imensa quando percebo que alguma peça que achei muito bonita não vai servir em mim nem por um milagre.
Pra você ter uma maior dimensão do meu drama, vamos a alguns dados sobre mim que até então eram desconhecidos pelos leitores desse blog (os que não me conhecem ao vivo, claro): tenho 1,74 metros de altura e, consequentemente, não teria muito como eu ser pequena. Ombros e costas um pouco largos, quadris de família italiana… posso dizer que não me encaixo exatamente no padrão da “mulher brasileira média” (até que ponto ele é real? Boa pergunta). Também não sou grande por completo: tenho peitos pequenos e cintura relativamente fina.
“Mas meu Deus, Luiza, pra que tanta informação sobre seu corpo? Qual a necessidade disso? Pra que eu preciso saber essas coisas?” Simples: porque a questão aqui é que as roupas vendidas por aí não cabem direito no meu corpo… e no da maioria das mulheres que conheço.

Trabalhando com o meu caso específico, vou contar algumas experiências pra vocês:
Entro em uma loja, vejo dois modelos de calça que me agradam. Sou abordada por algum funcionário da loja e peço número 38 das duas. Na hora de provar, a primeira não passa pelo quadril e preciso pedir a 40, que (aparentemente) serve. Já o segundo modelo (aparentemente) fica perfeito em 38. Levo as duas. Depois, numa análise mais detalhada em casa – e com tempo de uso -, percebo que elas estão muito largas na cintura. Quando digo “muito largas”, quero dizer que cabe mais de uma mão inteira aberta entre a calça e meu corpo. Sabe aquelas imagens na internet com meninas colocando bichinhos de pelúcia nesse buraco? Então… the struggle is real. Daí toca levar pra fazer pence ou tentar usar a bendita com cinto. O mais legal dessa história é que não importa a confecção, não importa a época, nada importa: isso acontece TODA VEZ, e nunca é porque eu emagreci ou qualquer coisa do gênero.
Quanto aos sutiãs, recentemente até que tenho me dado bem, mas é incrível como algumas lojas adotam essa premissa de que mulheres com pouco peito necessariamente têm costas estreitas e vice-versa. Você simplesmente NÃO pode ter costas largas e peitos pequenos, por exemplo, porque isso claramente fere a lógica do universo. Caso você esteja nesse grupo de desafortunadas, você pode escolher uma dentre essas três opções: se virar para comprar extensores sem fim, levar um sutiã maior e preencher o buraco com algo, ou contentar-se com a ideia de morrer asfixiada pelo seu próprio sutiã.
Por fim, como se não bastasse tudo isso, também passo por uns percalços na hora de achar blusas que fiquem bonitas em mim. Meu tamanho padrão costuma ser P (aliás, quem falou pras confecções que é uma boa ideia dividir blusa em P, M e G?). Assim como nas calças, porém, depende muito do modelo e da marca: às vezes o P fica folgado e eu poderia tranquilamente ficar com uma PP ou até com blusas tamanho 18; em outras ocasiões, porém, o P parece infantil e eu viro tamanho M. Pra completar, o fato de eu ser alta faz com que algumas blusas fiquem perfeitas na largura, mas muito curtas pro meu gosto.

Esse pode parecer um post com excesso de mimimi, e talvez muitos de vocês acreditem que eu sou um caso isolado. No entanto, toda vez que eu paro para conversar com amigas minhas sobre o quesito vestuário, a gente esbarra, se não nesses problemas, em inúmeros outros. A sensação que eu tenho é que a indústria da moda ou parou no tempo ou não aceita que os corpos das mulheres simplesmente não se encaixam no padrão de perfeição da sociedade e, olha só que ousadia, muitas delas não se incomodam e gostam de si mesmas assim, do jeitinho que são. Aliás, moças, que tal pararmos de tentar adaptar nossos corpos aos padrões da moda e passarmos a lutar para que adaptem a moda aos nossos corpos? =D

Esse texto faz parte do Bandipost, a blogagem coletiva especial do Bandilouca, um grupo maravilhoso de amigas que eu conheci pela internet. Se você quiser conferir o que a Livoneta e a Patthynete têm a dizer sobre o assunto, clique nos nomes delas! Garanto que vale a pena =)

15 comentários sobre “Quando tamanho é importante

  1. Pingback: Roupa pra quem? | IMAGINATIF

  2. “quadris de família italiana” – é disso que tô falando! rs Sabe qual foi o único lugar em que me senti totalmente detnro do padrão? Em Roma! Não sei qual foi a sua experiência, mas indo pra lugares menos turísticos (aka “quando nos perdíamos a caminho de algum lugar turístico”) vi muitas italianas parecidas comigo. Quadril e bunda grandes, peitos nem tanto, altas, não magrelas. Me senti em casa. Aliás, nunca fui tão ~admirada~ como no aeroporto de Fiumicino. Santo Cristo, os italianos não tem noção e olham na cara dura! O Daniel só ria heh
    O meu maior problema com calças é o que você relatou: experimento na loja > cabe bem > levo pra casa e começo a usar > sobra pelo menos um palmo na cintura ¬¬
    Essa questão de as roupas ficarem curtas acontece comigo com vestido. Ninguém pensa na gente aparentemente. Não que eu não gosto, mas não é todo vestido que eu quero que fique mini em mim.
    O engraçado é isso: a gente conversa com outras mulheres com os mais variados tipos de corpos e nenhuma dela se diz “atendida” pelos tamanho disponíveis. Tem algo errado aê!
    Adorei, Luh! Super precisamos fazer bandipost com maior frequência! Um beijo.

    • Sim! Já ouvi mais de uma vez que eu tenho perfil de italiana, aliás, inclusive por causa de ter cabelo e olhos castanhos com a pele super branquinha.
      Eu tinha 13 anos quando fui pra lá, mas mesmo assim eu notei alguns caras me olhando, sim. E recebi mais de um elogio por ser uma “bella ragazza”.
      Nossa, me irrito tanto com calças! Toda santa vez elas ficam largas, já até perdi as esperanças de encontrar uma calça que não comece a cair no segundo uso =(
      Você falou de vestido e eu lembrei de mais uma: saia que sobe enquanto você anda. Marcas de roupa: parem. Apenas parem.
      Quero Bandipost todo dia agora! hahahaha

  3. As pessoas precisam parar de pensar que essas situações são simplesmente mimimi, porque acho que a maioria não reclama disso porque acha que é bobeira. E depois fica todo mundo com “depressão de provador”. =/
    E sim, adaptemos esse padrão maluco e não nossos corpos!

    • Exatamente! Não entendo essa necessidade que as pessoas têm de diminuir o drama alheio. Se alguém se sente mal com alguma coisa, essa pessoa tem todo o direito, ué! E que direito tem o coleguinha de dizer que é “frescura”, que “não precisa se sentir mal por tão pouco”? ¬¬’

  4. Pingback: Calcinha, calçola ou caleçon?

  5. Sempre acontece esse problema de experimentar na loja e achar ok, ai chegar em casa e perceber que não funciona tão bem assim. Realmente, tinha que existir um padrão pra corpos reais, não o corpo que acham que devíamos ter. Beijo, Lu!

    • Isso acontece direto comigo, principalmente depois de alguns usos. É mais frustrante ainda, porque dá uma sensação de dinheiro jogado fora por um tempo. A única coisa que me salva nessas horas é ficar mentalizando “a peça é bonita, se fizer alguns ajustes dá tudo certo” hahaha
      É essa a questão: quem precisa adaptar alguma coisa são eles, não a gente, né?!

  6. Antes de tudo, amei a fonte desse template novo, qual que é?! Hahaha
    Eu penso que não existe uma pessoa que não passe por esses mesmo problemas na hora de escolher roupa, talvez até mesmo aquelas que se encaixam no tal “padrão de beleza”. Se todas as roupas fossem sob medida seria perfeito não é? Talvez num futuro não tão distante…(eu espero haha)

  7. Luh, quando você começou a descrever o que te acontece quando compra calças, me identifiquei totalmente. Sempre acontece a mesma coisa comigo, nenhuma calça fica perfeita por causa do quadril largo e cintura fina. Nada que eu compre em uma loja posso usar de imediato, tenho que mandar ajustar na cintura (a tal da pence!) ou sempre usar com cinto. Sei que existem meninas com problemas maiores do que esse, mas não deixa de ser um inconveniente que chateia mesmo.

    Um beijo! ♥

    • Engraçado que, não importa o corpo da menina com quem eu falo, todas comentam desse problema com as calças. Que padrão é esse que eles adotam, então? Só se isso for uma sociedade secreta com as costureiras pra arrancar mais dinheiro dos consumidores HAHAHAHA

  8. Eu nem preciso dizer o quanto eu me identifico, né? hahaha E olha que eu sou baixinha e oriental😛 Aparentemente não importa o biotipo, somos todas afetadas pela indústria da moda que insiste em achar que somos manequim (e olha que nem nos manequim ficam boas, já vi muitas roupas com alfinetes atrás pra acinturar calças, hein!). Sinto mais de perto a luta com os sutiãs mesmo (haja extensor, jesus!), mas ultimamente descobri uma marca que coube em mim perfeitamente e desde então virei cliente assídua xD Quando o milagre acontece, a gente precisa aproveitar! Com as roupas eu não sofro muito, porque eu curto umas camisetas largas haha Quanto às outras peças de roupa é uma dádiva que minha mãe costure muito bem e faça roupas sobre medida pra mim, ou então reforme todas as outras que não ficam boas (isso quando eu mesma não dou um jeito :P). Entretanto, isso não deveria ser necessário, as roupas simplesmente deviam servir na gente!

    • Pior que é exatamente isso, nem nas manequins a roupa fica perfeita e aí tem de ficar pra gente? Nós, mulheres, temos de parar com isso de nos sentirmos mal por causa de vestuário, porque as roupas não são feitas pra mulheres reais.

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