We played hide and seek in waterfalls…

Nunca fui uma pessoa que brincava muito de videogame. Como sempre tive (e ainda tenho) uma imaginação razoavelmente fértil, me encontrava com mais facilidade em brincadeiras que a deixassem fluir. Bonecas e bonecos, por exemplo, me agradavam bastante, porque eu podia viajar pra longe na minha mente e criar as histórias mais mirabolantes – ainda guardo meu Woody, eternamente meu brinquedo favorito❤ . Toda aquela nostalgia que as pessoas sentem quando ouvem falar em Mario, Sonic ou Legend of Zelda? Não compartilho.
Ganhei meu primeiro console aos 11 anos e, na empolgação, fui comprando vários joguinhos (ainda existe essa história de destravar o Playstation e adquirir jogos piratas a cinco reais no máximo? Não mais, né?!). A minha inexperiência era pública e notória, e graças a ela era também público e notório o meu desânimo com alguns jogos. Se eu não conseguia passar de uma dada fase nem por obra e graça do divino Espírito Santo, eu tomava birra do jogo e ele ficava encostado. Foi assim com a grande maioria dos meus jogos, pra falar a verdade, à exceção de Shrek 2 (sdds) e Guitar Hero III (que eu zerei no easy e depois também larguei, shame on me).
Como já disse que sou rata de YouTube, sou inscrita também em alguns canais de gameplay – e por ser inscrita, leia-se “vejo alguns vídeos de vez em quando porque raramente tenho paciência pra maioria deles” – e atualmente esse é meu maior meio de contato com jogos que não são de plataforma mobile. Foi dessa forma que eu descobri que o tipo de jogo que mais me encantava eram aqueles em que você interage com a história, quando devorei uma gameplay de The Wolf Among Us como se fosse um filme. Foi também dessa forma que eu me envolvi e me encantei com Life is Strange, a ponto de adquirir o jogo pra poder contar a história com as minhas decisões.

LiS
Life is Strange conta a história de Max Caulfield, uma garota tímida e hipster de 18 anos que ama fotografia. Num belo dia de sol, Max tem um sonho-visão muito lúcido com um tornado atingindo sua cidade e, poucos minutos depois, descobre que pode voltar no tempo. Acho que isso foi o que mais me fisgou na história: além de poder decidir o rumo que o enredo iria tomar, eu ainda poderia voltar no tempo se eu me arrependesse das consequências imediatas de uma decisão que eu tomei. Esse é o tipo de coisa que todo mundo já quis experimentar um dia na vida real, então por que não fazê-lo virtualmente na vida de alguém que sequer existe?
Se num primeiro episódio a história parece ser apenas um drama adolescente com gráficos dignos de câmeras lomográficas, ao longo dos quatro seguintes ela vai tomando um rumo bem diferente. O jogo discute questões como bullying, abusos, destino e (aqui vão umas doses de spoiler) coisas um pouco mais pesadas, como suicídio, eutanasia, assassinato. Algo que tinha tudo pra ser leve e despretensioso vira uma bola de neve num suspense investigativo.
Acho que a parte mais legal da coisa toda é que não se trata de um simples jogo de aventura, como o próprio Shrek 2 que eu joguei lá nos idos da minha pré-adolescência. A história de Life is Strange traz uma profundidade, um desenvolvimento de personagens e um envolvimento emocional que eu raramente vejo em jogos de videogame. Já li uma série de comentários com pessoas sugerindo que LiS poderia tranquilamente transformar-se em uma série de TV (embora eu ache que quem fosse adaptar um roteiro cheio de decisões como esse teria um trabalhinho).
Isso sem contar a trilha sonora, que gente… não sei expressar de maneira eficiente o meu amor pelas músicas desse jogo! A vibe hipster e indie é bem forte, então se você gosta de músicas assim, vai chorar de emoção. Nem é meu estilo favorito de música e eu fiquei apaixonada, então imagino pras pessoas cujo indie é o estilo favorito. Deixei uma playlist do YouTube aqui embaixo com as minhas favoritas, mas recomendo fortemente que vocês procurem as outras.

ATENÇÃO: o post acaba aqui pra quem nunca jogou/viu alguma gameplay e se interessa em fazê-lo sem receber spoilers. O parágrafo que vai vir depois da playlist é sobre o final do jogo. Você foi avisado.

Confesso: o final de Polarized me decepcionou um pouco. Quando as duas opções apareceram no meu notebook, a minha primeira reação foi dizer um “WHAT?” e ficar encarando aquela tela parada por uns bons 5 minutos até pensar no que eu poderia fazer. Primeiro porque porra, depois de você passar HORAS tomando decisões que de fato mudaram o rumo das coisas, ficar reduzida a duas opções que descartavam praticamente tudo que você tinha feito até ali foi um balde de água fria. Mas tudo bem, a vida que segue, e eu precisava escolher entre sacrificar a Chloe e sacrificar a cidade toda. Não fui a maior fã da Chloe no segundo e no terceiro episódios, mas foi inevitável gostar dela no final das contas, então um desfecho em que ela morresse antes de sequer rever a melhor amiga era bem triste. Em compensação, sacrificar a Arcadia Bay inteira por causa de uma pessoa parecia bem egoísta.
Decidi que jogaria os dois finais, mas optei por começar pela morte da Chloe, e acredito que esse seja o final mais bem elaborado tecnicamente. Foi triste – aliás, um minuto de silêncio pela Joyce, porque ô vida desgraçada a dessa mulher -, foi bem planejado, foi plasticamente perfeito, foi tocante, e resolveu questões como Mr. Jefferson, que eu jurava que ficariam sem resposta se você sacrificasse a Chloe. O segundo pareceu uma coisa meio tapa-buraco, com música repetida (perdendo a maravilhosa oportunidade de ouvir Spanish Sahara  ) e pouquíssima emoção. No entanto, eu esbarro num problema ideológico meu: sou do team free will (entendedores entenderão). Embora eu ache que sacrificar a Chloe seja mais condizente com a maturidade que as personagens tinham adquirido até ali e não egoísta como matar uma cidade inteira, me incomodou muito ficar com um final que é totalmente adepto da teoria de “ah, esse era o destino dela, tinha de ser assim”. Screw that, nosso destino é a gente quem faz. Por esse motivo, preferia que tivessem criado finais mais bem pensados que esses dois, porque fiquei meio incomodada com essas duas opções.

10 comentários sobre “We played hide and seek in waterfalls…

  1. O QUE DIZER DESSE JOGO QUE EU NEM TENHO E CONSIDERO PACAS??? ❤❤ Não li a parte final ainda, porque quero ler depois de ver o gameplay do último episódio! Sei que você vai ficar indignada que eu AINDA não vi, mas me perdi hoje ao devorar uma temporada inteira de How To Get Away With Murder… Opa! Hahaha Aaaaaaai, a trilha sonora é linda e perfeita e eu queria viver nela, pode? 💕😍 Juro! Tão incrivelmente estupenda! 😃😊 Confesso que estou prolongando um pouco ver o último episódio porque não quero que acabe. Esse jogo já virou tantas referências do meu mundo real, que parte o coração saber que vai ter um fim (ou dois) 💔 E olha que eu odeio tomar decisões, mas mesmo assim MELHOR JOGO!!! Cada decisão me dilacerava por dentro e eu pausava o vídeo tentando decidir (e minhas escolhas não davam muito certo pras personagens hahaha). Sem falar que eu adoro o senso de humor da Max 💗. Sobre videogames… Er… Ainda existe isso, sim! Pelo menos com o Wii haha O meu é destravado e dá-lhe joguinhos piratas 🙊 (Será q eu vou presa por comentar isso aqui? Espero q não 😱). Amei o post ❤ Nhac, sua linda! 💝 📷 💞 Podemos não viver em Arcadia Bay, mas ainda assim Life is Strange 💕

    • Quero que você veja o último episódio logo pra eu poder falar sobre esses finais de bosta com alguém hahaha
      Eu também odeio tomar decisões, mas acho que essa é a graça de jogos assim: você toma decisões pelos outros (que sequer existem), não por você, e isso é muito mais fácil HAHAHAHA
      Sobre você ir presa, com a quantidade de acessos que eu tenho no meu blog, duvido muitíssimo 😛 hahahaha

      • Vou assistir, prometo 😊❤ E provavelmente entrar numa espiral de desolação, indignação e um místico de sentimentos (sim, eu quis dizer místico, igual Marcelinho! Hahahah 😅). Concordo totalmente sobre isso de tomar decisões por alguém que sequer existe ~e poder voltar~! #butterflyeffect 💕 Hahahah, ah, sei lá, nunca se sabe qdo se pode ir presa xD

  2. Adoro jogos, sempre estou jogando, mas esse título eu não conhecia! É bem diferente mesmo do que estou acostumada (que é geralmente em primeira pessoa e aventura, tipo Assassin’s Creed e Tomb Raider), mas vou procurar por esse. O vídeo que colocou no post é incrível, a arte do jogo é muito bonita! E sobre os consoles precisar ser destravado, o PlayStation não aceita mais isso, até onde sei. Acho que até o PS2 dava pra fazer isso, mas o meu, que é o PS3, não rola mais. Só que muito jogo você pode adquirir online e fica um pouquinho mais em conta, só que grandes lançamentos, tipo GTA e afins, sempre custam mais caro, haha. Um beijo!

    • Jogos de aventura tipo Assassin’s Creed e Tomb Raider são complicados pra mim justamente pela minha total falta de habilidade com videogames. Morro muito fácil e não consigo fazer atividades básicas tipo atirar no inimigo hahaha
      O mais legal de um jogo como LiS é que além da história ser muito boa, a única coisa que eu preciso fazer é clicar na opção que eu mais gostei quando surge uma escolha hahaha
      Bom, então não dá mais pra fazer no Playstation (eu tinha um PS2) mas dá no Wii. Estava parcialmente bem informada HAHAHA

    • Tem uns gameplays muito bons dele no YouTube se você preferir! A história é, de fato, muito interessante, viu?! Toda a coisa de poder voltar no tempo faz com que a narrativa tome rumos muito diferentes pra cada pessoa que joga *-*

  3. Estava comentando num post da Patthy que eu tbm sempre gostei de inventar histórias quando pequena. Porééééém… já joguei muito vídeo game nessa vida.
    Mas, veja só: eu sempre gostei de jogos com a história definida e caminhos únicos. Sou da era pós-Atari e pré-Playstation então não me acostumei com jogos em 3D quando era mais nova, sempr eme perdia nos mapas, cosia e tal. Só abri exceção ao lindo do Gran Fantasia, um RPG maravilhoso que joguei por muito tempo.
    A temática desse jogo me pareceu bastante séria e relevante, sabe? Fiquei curiosa.
    Coloquei a playlist pra tocar enquanto trabalho, vamos ver se gosto tbm🙂
    “Nosso destino é a gente quem faz”<3<3<3 tô contigo! E não acho que vá contra à idéia que postei hoje, de que toda ação gera uma reação e algumas coisas são pra acontecer. Mas o que muda é como a gente reage diante das situações.
    Um beijo, Luizete!

    • Minha habilidade pra jogos com caminhos definidos é zero, porque geralmente eles exigem coordenação motora HAHAHA
      Jogos como LiS só exigem poder de decisão, e decidir pela Max foi muito mais fácil do que decidir coisas da minha própria vida (e olha que eu pastei em alguns momentos do jogo, hein?!).
      Ele aborda umas coisas bem pesadas que eu nunca imaginei que apareceriam logo que comecei o primeiro episódio, sabe? Gostei muito de ver alguns dos temas que apareceram ali e ter de “lidar” com coisas que provavelmente nunca vão acontecer na minha vida.

  4. Pingback: Press play | Miniature Disasters

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