I was scared, I was scared…

Sou medrosa desde que me conheço por gente. Talvez seja uma consequência de ter crescido numa família super-protetora que sempre procurou evitar que eu sofresse ou me machucasse, mas meus medos são, sem dúvida, as minhocas que mais fazem morada na minha cabeça.
Em muitos casos, ter medo pode ser uma proteção pessoal. Nossas fobias são a forma que o cérebro encontra para bloquear situações perigosas ou desagradáveis. “Por que diabos você vai ficar na beirada do telhado de um arranha-céu se você pode se desequilibrar, cair no meio da rua e morrer?”, diz meu cérebro. Nesses casos, eu fico muito feliz de ser como sou. O grande problema aparece quando esses medos começam a me afetar de tal forma que eu tenho verdadeiras crises.
Citar aqui uma a uma das coisas que me deixam assustada seria entediante e provavelmente pouco produtivo, mas sem dúvida meus maiores receios envolvem aquela “indesejada das gentes”, a “iniludível” morte.
Tenho medo de morrer, sim, e não sinto vergonha alguma de expor isso pro mundo. Quando uma ideia dessas bate cá na porta do meu cérebro, querendo forçar a entrada, eu tranco tudo e finjo que não tem ninguém em casa, mas não consigo ignorar o barulho das pancadas na porta. Eu deixaria tanta coisa mal resolvida pra trás, tantas tarefas a concluir… isso sem contar que fico angustiada só de pensar na reação das pessoas que me amam muito, como minha família.
E é daí que eu puxo meu segundo (e maior) medo envolvendo a morte: perder alguém com quem me importo. Já falei muito vagamente sobre isso na época que o blog era hospedado lá no UOL (e você ainda pode encontrar o texto bem no final dessa página), mas durante uns bons dois anos, pouco tempo depois de perder minha mãe, isso tirava meu sono quase que diariamente. Por mais que hoje essas crises não sejam tão frequentes, ainda há dias em que esse medo me assalta por completo, e eu fico desnorteada, sem chão, sem “parede nua pra me encostar”.
Eu queria muito mesmo que esse post tivesse algum propósito terapêutico, ou que eu pudesse vir aqui dar uma solução mágica para quem passa por isso. Queria vir falar de superação, de como é revigorante botar tudo pra fora, de como é fácil se livrar disso. A verdade é que algumas coisas ajudam, sim, mas desconheço ainda um remédio definitivo que faça isso tudo desaparecer. É claro que fica pior se você enclausurar esses sentimentos todos dentro de si (como eu fiz parcialmente há pouquíssimo tempo, numa ocasião meio tensa envolvendo minha saúde), e é nisso que eu quero focar ao finalizar essa espécie de desabafo.
Se tem algo que está bagunçando sua cabeça e botando toda a sua vida de cabeça pra baixo, não guarde isso a sete chaves. Divida pelo menos com a pessoa em quem você mais confia, mas tire esse peso todo exclusivamente de você. De nada vale deixar a minhoca fecundar a terra o suficiente pra que a semente do desespero floresça, viu?!❤

Não sei se esse texto fez algum sentido pra alguém ou se ele foi mais uma série de desconfortos derramados com um tema em comum. Peço perdão pelo ponto fora da curva, em breve voltamos à programação normal.

P.S.: se você sente que reconheceu o título do post de algum lugar, foi de In My Place, do Coldplay.
P.S.2: se você sente que reconheceu alguns trechos do post que estão entre aspas, eles foram referências aos poemas Consoada, de Manuel Bandeira e José, de Carlos Drummond de Andrade.

Esse texto faz parte do Bandipost, a blogagem coletiva especial do Bandilouca, um grupo maravilhoso de amigas que eu conheci pela internet. Se você quiser conferir o que a Patthynete e a Tatiénne têm a dizer sobre as minhocas nas cabeças delas, clique nos nomes! Garanto que vale a pena =)

14 comentários sobre “I was scared, I was scared…

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  2. Pingback: Será que eu sou suficiente? ◂ Enfim, Veremos

  3. Quando vi o título da postagem no seu link, antes do post ir ao ar, achei familiar. Agora que você disse me toquei qual a origem da frase.
    Bora pra analogia? ANALOGY TIME!
    Penso que medos são como fantasmas. Às vezes nos esquecemos deles, mas vez ou outra eles saem de debaixo da cama para puxar nossos pés e nos assombrar. Cabe a nós dar uns tiros de sal pra que eles voltem pra baixo da cama por um tempo, porque é praticamente impossível encontrar onde os ossos estão enterrados para que possamos queimá-los e nos livrar deles for good. Tem que lembrar sempre de recarregar a espingarda de sal, porque os fantasmas do medo sempre resolvem atacar quando estamos despreparados.
    Como você disse, o medo é um mecanismo de defesa que nós temos. É importante ter medo, muitas vezes é ele que nos mantém vivos. Mas, como diz aquela frase célebre (que já não me recordo o autor): coragem não é a ausência de medo, mas a vitória sobre ele. Nem sempre dá para conseguir uma vitória definitiva, mas podemos lidar com nossos tiros de sal diários.

    • Meu Deus, Patthy! Olha essa analogia! Puta que pariu, me abraça, por favor! ❤ ❤
      Eu não poderia ter descrito os medos de melhor forma, principalmente com relação à dificuldade de encontrar os ossos pra queimar. Seu comentário foi delicioso de ler!
      Enfim, acho que preciso aprender a carregar mais minha arma e a andar com uns objetos de ferro por aí, porque não posso deixar que esses meus fantaminhas me impeçam de viver. Obrigada pelo lembrete ❤

  4. Tbm sou muito medrosa, Luh. E nem fui tão super protegida assim. Meu medo de chegar sozinha em casa de noite é algo absurdo que mesmo se estou com meu namorado ou meus pais junto dou vexame. Mas agora aprendi: vou chegar depois das 22h? Passo na guarita do vigia e ele me acompanha até em casa, muito melhor assim.
    Meu medo da morte é exatamente das coisas que deixaria pra trás sem serem resolvidas… das frases não ditas…
    A verdade é que sód e você falar sobre isso já ajuda. É o que estávamos falando sobre a JoutJout. Só dela abordar alguns assuntos que achávamos que era paranóia só da nossa mente já ajuda com que saibamos que tem outros milhares por aí com essas mesmas minhocas. Não estamos mais sozinhos, sabe?
    Beijo, Luh! Obrigada por dividir conosco❤

    • Bom saber que não sou só eu que tenho esses medos cotidianos, Lí! Mas andar na rua à noite assusta mesmo hahaha (ou a gente que é meio paranoica, mas prefiro acreditar que todo mundo fica com um tiquinho de medo =P).
      É curioso porque o medo nem é tanto do ato de morrer, mas sim do que vai ficar por aqui depois que você se for, né?!
      Você tem razão. E ler os comentários de vocês tá me fazendo muito bem, também ❤

  5. Só tenho a dizer: ❤. Acho que você já sabe de todo o resto hehe. E obrigada por me ajudar a enfrentar meus medos e crises! Quando precisar ou quiser, sempre vou estar aqui pra você e sempre serei grata, do fundo do meu coração. Especialmente por sempre estar presente nos momentos que eu mais precisei de alguém pra me amparar, Luh 😊

  6. Sim, esse texto fez muito sentido pra muitas pessoas que leram e certamente também faria pra muitos outros que nunca entrarão em contato com esse post. É estranho pensar assim, mas de fato há tanta gente e tanta complexidade pra todos os lados que nunca podemos assegurar como o outro se sente, mas sem dúvida os medos são compartilhados pela maioria de nós. Sei que você já está cansada de me ouvir falar isso, mas sempre pode me procurar! ❤

    • É muito curioso imaginar que às vezes a gente esquece que algumas coisas ão universais, né?! Embora cada indivíduo coloque seu toque pessoal num sentimento comum, ele não deixa de ser, de certa forma, compartilhado por muita gente ao redor do planeta.
      E você também sabe que a recíproca é verdadeira e que eu to aqui pra tudo ❤

  7. Acho que nunca parei pra pensar se sinto realmente medo da morte. Penso que sinto mais medo de deixar coisas por fazer, de deixar as pessoas que eu amo, de deixar de ser. Fico pensando que eu tenho tanto tempo pela frente, tanto o que ver, o que sentir, que tenho medo de não estar lá pra viver isso tudo. Mas não gosto de pensar muito sobre isso, essa que é a verdade. Se eu me entregar a isso não vivo, e não é exatamente esse o meu medo? HAHA, será que eu fiz algum sentido aqui? Desculpe se não.😄
    Um beijo!

    • A morte é um tema tão esquisito, né?! Até mesmo o medo de morrer é complexo, apresentando uma quantidade absurda de vertentes. A minha é parecida com a sua: tenho mais medo do que vai ficar por aqui quando eu me for, das coisas que eu deixei pra depois, de como vai ser pra minha família e tudo mais. E você fez todo o sentido do mundo, Thay!

  8. Eu não tenho medo de morrer (só não me agrada saber que quando isso acontecer eu posso ter muitas coisas não ditas/feitas, sabe?), mas eu morro de medo de perder as pessoas que eu amo. Tento nem pensar muito nisso porque já sei que isso é natural e inevitável e que não adianta sofrer por antecipação, tenho mais é que aproveitar as pessoas enquanto tenho elas do meu lado. Mas medos fazem parte, né? Acho que o que podemos fazer é não deixar que o medo nos impeça de viver, por isso é o mais importante.

    • Medo de perder quem a gente ama é terrível, até porque te dá uma sensação absurda de impotência, né?! Mas é exatamente esse o caminho mais adequado pra contornar esse medo: aproveitar todo o tempo que temos com as pessoas e estar sempre disposto a mostrar o quanto elas são importantes pra gente.

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