Quase oito anos depois…

No final de 2008 eu entrei pela primeira vez num tal de Ma-Cherie. Li um post sobre uma reclamação com a Telefônica, achei muito divertido e vasculhei o blog inteiro. Ele foi, na realidade, uma das minhas maiores motivações pra voltar pro mundo dos blogs fazendo exatamente aquilo pra que deveria servir um blog: publicar textos sobre a minha vida. E em 22 de janeiro de 2009, surgia o primeiro post do Miniature Disasters.
Além de criar um blog novo, decidi que seria uma boa ideia fazer um twitter para acompanhar minhas blogueiras favoritas por lá (parecia muito divertido). A tal da @Lilikaaa foi a terceira pessoa que eu segui. Graças a ela, fui conhecendo gente nova e, ao final do ano, já mantinha contato quase diário – com direito a #twitchats longuíssimos e piadas internas – com mais duas arrobas: @imaginatif e @amoursensible (Fun fact: a Patthy foi a única das quatro que manteve o username no twitter de lá pra cá).
Aos poucos esse contato foi deixando de acontecer só pelo twitter: já nos falávamos pelo flickr, pelo tumblr, pelo facebook e até pelo saudoso msn (embora isso fosse BEM raro). Aquilo que tinha começado como uma série de brincadeiras foi tomando outra forma: trocávamos confidências e vídeos de aniversário. E foi graças aos vídeos de aniversário que surgiu o nosso principal meio de comunicação atualmente: o #mailchat diário.
O desejo de desvirtualizar essa relação foi crescendo junto com tudo isso, e quando fomos ver, estávamos criando um evento pra reunir todas nós em SP numa mesma data. Foram alguns perrengues no meio do caminho, algumas mudanças drásticas de planos e alguns problemas com datas até que chegássemos ao fim de semana dos dias 14 e 15/05 desse ano. Passagens compradas, hospedagem reservada, passeios programados: dessa vez era real!

Da esquerda para a direita: Patthynete, eu, Tatiénne, Livoneta ❤

Minha ansiedade era muita, até porque elas iriam se conhecer na sexta à noite e eu as veria pela primeira vez na manhã do sábado. Aliás, eu realmente gosto muito dessas três pra acordar às 7:30 NUM SÁBADO!!!!!
Meu cérebro demorou um pouco pra processar o que estava acontecendo quando finalmente vi duas ruivas e uma semi-morena (haha) entrando no Ibirapuera. Era meio surreal que elas estivessem mesmo ali e que a gente pudesse se abraçar pela primeira vez. Elas não eram mais nomes numa tela, mas sim pessoas reais, de carne e osso, que estavam bem na minha frente.

Primeira foto que tiramos juntas, assim que nos vimos. A justificativa pra escolha do cenário: as flores!

Talvez a gente não devesse ter andado tanto no Ibirapuera antes de parar pra sentar? Talvez. Talvez a gente devesse ter ido de ônibus do parque até a Paulista porque a gente quase morreu subindo a Brigadeiro? Talvez. Mas assim… são só hipóteses, mesmo (eu só queria aproveitar a deixa pra dizer que os ônibus em SP não são tão ruins, não foi por isso que fomos a pé, a gente só é meio trouxa, mesmo).
Dentre as coisas que dividimos nesse fim de semana, separamos um espacinho pra um food truck de milkshakes que vimos no meio do caminho. Claro que provamos os sabores uma da outra – mesmo quando não gostávamos do sabor escolhido, né, Taty?! =P. Esses milkshakes renderam muito: uma foto bem instagramável, uns pingos verdes que deixaram o chão mais bonito e uma das piadas mais engraçadas desses dois dias.

Olá, meninas! Hoje eu vim recomendar um lugar de milkshake suuuuper bacana pra vocês #sweet #love #delicious #publi

O passeio pela Casa das Rosas logo a seguir teve risadas, choques térmicos constantes (né, Taty?!) – junto com uma leve vontade de invadir propriedade privada -, um tutorial de como alcançar um ruivo natural e uma das minhas fotos favoritas de todo o passeio.
Aliás, antes dela, aproveito pra dizer que aprendi mais de zoologia nesses dois dias do que em muitas aulas de biologia. Agora posso dizer pra todo mundo que cigarras expelem seiva e também sei diferenciar uma foca de um *peixe-boi pelo focinho.

As “duplinhas”: de um lado as ruivas, do outro as semi-morenas; de um lado as mais altas, do outro as mais baixas; em cima as mais velhas, em baixo as mais novas (e a lista continua).

Escolhemos um pub pra passar a noite. Queríamos jantar e ouvir um rock juntas (um gênero que todas gostam), e nada melhor que um pub irlandês pra isso. Antes disso, porém, elas conheceram meu quarto (algo que me deixou bem felizinha ❤ ) e depois pegaram carona comigo! As três já estão no grupo seleto de pessoas que me viu dirigir até hoje HAHAHA. Ah, e também demos uma passada em um shopping e foi daí que saiu a foto a seguir:

Direto do Coachella para a sua tela do seu computador!

Interrompemos a programação para dar dicas de gambiarra: se você chegar a um pub pra jantar com MUITA fome e eles te deixarem entrar mesmo sem ter mesa disponível, não se desespere (ok, talvez só um pouquinho)! É só procurar um banco vazio na área de fumantes, pedir sua comida e colocar o prato no colo. Dá até pra usar o vaso da planta mais próxima como apoio pra ketchup, mostarda e guardanapos. Garanto que você nem vai sentir a diferença se estiver em boa companhia. Aliás, ainda sobre o pub: conversas sobre séries da CW e Crepúsculo com o amigo da Taty que a gente nem conhecia? Teve, sim!

O dia seguinte foi mais corrido e sobrou pouco espaço para fotos (só conseguimos tirar uma que é a que aparece aqui embaixo). Ali na metade da brincadeira a Taty e eu (justamente as mais novas) estávamos pedindo arrego pelas dores nas pernas. Sabe criança que estende os bracinhos pedindo por colo? Exatamente isso. Se existisse uma graduação de sedentarismo, eu provavelmente seria professora titular.
Nem conseguimos fazer todas as comprinhas que queríamos na Liberdade, junto com vídeo que seria intitulado como “provando docinhos japoneses”. De qualquer forma, ainda foi muito divertido dar uma passeada pelas ruas e ver alguns dos mimos que eles vendem por lá. A Galvão Bueno é BEM cheia e concentra uma bela quantidade de músicos de rua e de desenhistas vendendo suas artes.

A última foto do fim de semana, poucos minutos antes de eu me despedir delas =(

Todo esse fim de semana foi tão natural que nem parecia que era a primeira vez que a gente se via na vida. Conseguimos resgatar piadas com seus 7 anos de idade (como sex on the beach, a bananice do Stefan) e criar novas (a mala, “olá meninas”, “caralho, é grosso”, as bad trips de dipirona…) em menos de 48 horas. Conversamos sobre os mais variados assuntos,  demos muita risada, nos cansamos muito. Mas todas as dores no corpo que eu sentia quando cheguei em casa valeram a pena. Eu repetiria essa experiência com muita frequência se eu pudesse. E já foi combinado: vai rolar pelo menos uma vez por ano ❤

O chaveiro exclusivíssimo que dona Patthy nos deu. Pensarei no nosso fim de semana sempre que for entrar em casa ❤

Ali em cima eu linkei os twitters delas, então aqui vão os blogs: BeautyLivsEnfim, BelezaImaginalinda. Cada uma delas tem algo a dizer sobre esse fim de semana, então eu sugiro que vocês deem uma olhada por lá ❤

I was scared, I was scared…

Sou medrosa desde que me conheço por gente. Talvez seja uma consequência de ter crescido numa família super-protetora que sempre procurou evitar que eu sofresse ou me machucasse, mas meus medos são, sem dúvida, as minhocas que mais fazem morada na minha cabeça.
Em muitos casos, ter medo pode ser uma proteção pessoal. Nossas fobias são a forma que o cérebro encontra para bloquear situações perigosas ou desagradáveis. “Por que diabos você vai ficar na beirada do telhado de um arranha-céu se você pode se desequilibrar, cair no meio da rua e morrer?”, diz meu cérebro. Nesses casos, eu fico muito feliz de ser como sou. O grande problema aparece quando esses medos começam a me afetar de tal forma que eu tenho verdadeiras crises.
Citar aqui uma a uma das coisas que me deixam assustada seria entediante e provavelmente pouco produtivo, mas sem dúvida meus maiores receios envolvem aquela “indesejada das gentes”, a “iniludível” morte.
Tenho medo de morrer, sim, e não sinto vergonha alguma de expor isso pro mundo. Quando uma ideia dessas bate cá na porta do meu cérebro, querendo forçar a entrada, eu tranco tudo e finjo que não tem ninguém em casa, mas não consigo ignorar o barulho das pancadas na porta. Eu deixaria tanta coisa mal resolvida pra trás, tantas tarefas a concluir… isso sem contar que fico angustiada só de pensar na reação das pessoas que me amam muito, como minha família.
E é daí que eu puxo meu segundo (e maior) medo envolvendo a morte: perder alguém com quem me importo. Já falei muito vagamente sobre isso na época que o blog era hospedado lá no UOL (e você ainda pode encontrar o texto bem no final dessa página), mas durante uns bons dois anos, pouco tempo depois de perder minha mãe, isso tirava meu sono quase que diariamente. Por mais que hoje essas crises não sejam tão frequentes, ainda há dias em que esse medo me assalta por completo, e eu fico desnorteada, sem chão, sem “parede nua pra me encostar”.
Eu queria muito mesmo que esse post tivesse algum propósito terapêutico, ou que eu pudesse vir aqui dar uma solução mágica para quem passa por isso. Queria vir falar de superação, de como é revigorante botar tudo pra fora, de como é fácil se livrar disso. A verdade é que algumas coisas ajudam, sim, mas desconheço ainda um remédio definitivo que faça isso tudo desaparecer. É claro que fica pior se você enclausurar esses sentimentos todos dentro de si (como eu fiz parcialmente há pouquíssimo tempo, numa ocasião meio tensa envolvendo minha saúde), e é nisso que eu quero focar ao finalizar essa espécie de desabafo.
Se tem algo que está bagunçando sua cabeça e botando toda a sua vida de cabeça pra baixo, não guarde isso a sete chaves. Divida pelo menos com a pessoa em quem você mais confia, mas tire esse peso todo exclusivamente de você. De nada vale deixar a minhoca fecundar a terra o suficiente pra que a semente do desespero floresça, viu?! ❤

Não sei se esse texto fez algum sentido pra alguém ou se ele foi mais uma série de desconfortos derramados com um tema em comum. Peço perdão pelo ponto fora da curva, em breve voltamos à programação normal.

P.S.: se você sente que reconheceu o título do post de algum lugar, foi de In My Place, do Coldplay.
P.S.2: se você sente que reconheceu alguns trechos do post que estão entre aspas, eles foram referências aos poemas Consoada, de Manuel Bandeira e José, de Carlos Drummond de Andrade.

Esse texto faz parte do Bandipost, a blogagem coletiva especial do Bandilouca, um grupo maravilhoso de amigas que eu conheci pela internet. Se você quiser conferir o que a Patthynete e a Tatiénne têm a dizer sobre as minhocas nas cabeças delas, clique nos nomes! Garanto que vale a pena =)

Quando tamanho é importante

Comprar roupas é uma atividade inglória e bastante paradoxal na minha vida: ao mesmo tempo em que amo experimentar coisas novas, ver meu corpo no espelho e levar pra casa aquele item que fez eu me sentir bem, sinto uma frustração imensa quando percebo que alguma peça que achei muito bonita não vai servir em mim nem por um milagre.
Pra você ter uma maior dimensão do meu drama, vamos a alguns dados sobre mim que até então eram desconhecidos pelos leitores desse blog (os que não me conhecem ao vivo, claro): tenho 1,74 metros de altura e, consequentemente, não teria muito como eu ser pequena. Ombros e costas um pouco largos, quadris de família italiana… posso dizer que não me encaixo exatamente no padrão da “mulher brasileira média” (até que ponto ele é real? Boa pergunta). Também não sou grande por completo: tenho peitos pequenos e cintura relativamente fina.
“Mas meu Deus, Luiza, pra que tanta informação sobre seu corpo? Qual a necessidade disso? Pra que eu preciso saber essas coisas?” Simples: porque a questão aqui é que as roupas vendidas por aí não cabem direito no meu corpo… e no da maioria das mulheres que conheço.

Trabalhando com o meu caso específico, vou contar algumas experiências pra vocês:
Entro em uma loja, vejo dois modelos de calça que me agradam. Sou abordada por algum funcionário da loja e peço número 38 das duas. Na hora de provar, a primeira não passa pelo quadril e preciso pedir a 40, que (aparentemente) serve. Já o segundo modelo (aparentemente) fica perfeito em 38. Levo as duas. Depois, numa análise mais detalhada em casa – e com tempo de uso -, percebo que elas estão muito largas na cintura. Quando digo “muito largas”, quero dizer que cabe mais de uma mão inteira aberta entre a calça e meu corpo. Sabe aquelas imagens na internet com meninas colocando bichinhos de pelúcia nesse buraco? Então… the struggle is real. Daí toca levar pra fazer pence ou tentar usar a bendita com cinto. O mais legal dessa história é que não importa a confecção, não importa a época, nada importa: isso acontece TODA VEZ, e nunca é porque eu emagreci ou qualquer coisa do gênero.
Quanto aos sutiãs, recentemente até que tenho me dado bem, mas é incrível como algumas lojas adotam essa premissa de que mulheres com pouco peito necessariamente têm costas estreitas e vice-versa. Você simplesmente NÃO pode ter costas largas e peitos pequenos, por exemplo, porque isso claramente fere a lógica do universo. Caso você esteja nesse grupo de desafortunadas, você pode escolher uma dentre essas três opções: se virar para comprar extensores sem fim, levar um sutiã maior e preencher o buraco com algo, ou contentar-se com a ideia de morrer asfixiada pelo seu próprio sutiã.
Por fim, como se não bastasse tudo isso, também passo por uns percalços na hora de achar blusas que fiquem bonitas em mim. Meu tamanho padrão costuma ser P (aliás, quem falou pras confecções que é uma boa ideia dividir blusa em P, M e G?). Assim como nas calças, porém, depende muito do modelo e da marca: às vezes o P fica folgado e eu poderia tranquilamente ficar com uma PP ou até com blusas tamanho 18; em outras ocasiões, porém, o P parece infantil e eu viro tamanho M. Pra completar, o fato de eu ser alta faz com que algumas blusas fiquem perfeitas na largura, mas muito curtas pro meu gosto.

Esse pode parecer um post com excesso de mimimi, e talvez muitos de vocês acreditem que eu sou um caso isolado. No entanto, toda vez que eu paro para conversar com amigas minhas sobre o quesito vestuário, a gente esbarra, se não nesses problemas, em inúmeros outros. A sensação que eu tenho é que a indústria da moda ou parou no tempo ou não aceita que os corpos das mulheres simplesmente não se encaixam no padrão de perfeição da sociedade e, olha só que ousadia, muitas delas não se incomodam e gostam de si mesmas assim, do jeitinho que são. Aliás, moças, que tal pararmos de tentar adaptar nossos corpos aos padrões da moda e passarmos a lutar para que adaptem a moda aos nossos corpos? =D

Esse texto faz parte do Bandipost, a blogagem coletiva especial do Bandilouca, um grupo maravilhoso de amigas que eu conheci pela internet. Se você quiser conferir o que a Livoneta e a Patthynete têm a dizer sobre o assunto, clique nos nomes delas! Garanto que vale a pena =)