TAG: Como você era nos tempos de escola

Oi? Tem alguém aí? Vocês ainda se lembram de mim?
É engraçado pensar que, em tempos não tão longínquos, eu cheguei a passar meses e meses sem postar por aqui e isso não me incomodava. Em compensação, atualmente esses dois meses de ausência me deixaram bem triste. Depois de ter voltado de verdade pro mundo blogueiro, ter de me afastar dele porque a vida cobra certas obrigações (ooooi, tcc) não é a coisa mais agradável do mundo. Ainda não consegui responder direito os comentários dos dois últimos posts e não apareço nos blogs que mais amo há meses. Não me orgulho de nada disso, mas me orgulho menos ainda de abandonar meu tão amado Miniature às traças, então resolvi deixar esse post por aqui.
Vi essa TAG nos blogs das minhas queridas amigas Livoneta e Patthynete e resolvi copiar, mesmo. No regrets! =P

1- Quem era você na escola, como você era? E como era sua escola?
Eu era a cdf/nerd (peguei justamente a fase de transição do termo) calada da turma. Mas vejam bem: apesar da crença que muitos de meus colegas tinham, eu só estudava em véspera de provas. Quando eu era criança, chegava em casa e passava boa parte do dia brincando. À medida que os anos passaram, o computador foi quem tomou conta do meu tempo livre estudantil. Passei longas tardes do meu nono ano, por exemplo, twittando feito LOUCA (acho que foi minha fase mais ativa no twitter hahaha). Ainda assim, minhas notas eram muito boas.
Eu já falei um pouco da estrutura da minha escola, mas estudei a vida toda num colégio católico e pequeno de bairro tradicional. Quando penso no meu ensino médio sinto uma dor imensa porque a primeira coisa que vem à mente são os inúmeros defeitos da estrutura como um todo. Em compensação, tenho ótimas lembranças da fase da educação infantil e do ensino fundamental (principalmente do primeiro). Os recreios e as brincadeiras no pátio, principalmente ao lado das minhas amigas Lígia e Isabela, sempre me deixavam sorrir (e também já fiz post com uma história dessas na fase antiga do blog).

Aqui uma foto com as minhas amigas em alguma data comemorativa da primeira série.

Aqui uma foto com elas em alguma data comemorativa da primeira série ❤

2. Qual era sua tribo?
Hmmmm… a maioria dos amigos que fiz por lá tinha algo de similar comigo. Em muitos casos, a timidez e as notas altas foram dois grandes fatores de união, mas não sei se existe um nome específico pra essa “tribo”.

3. No recreio, onde era mais fácil te encontrar?
Depende da fase da minha vida, mas pra generalizar, sentada em algum lugar com meus amigos. Curiosamente a gente parecia preferir ambientes abertos, tomando muito sol na cabeça hahaha…

4. Já namorou ou ficou com alguém da escola? Foi dentro ou fora da escola?
Nope. Pra ser mais exata, eu nunca sequer me apaixonei por alguém da minha escola. Também nunca manifestaram interesse por mim, então juntou a fome com a vontade de comer.

5. Já fez alguma coisa escondida ou contra as regras? Já cabulou aula?
Passar cola e colar numa questão são contra as regras, né?! Então me declaro culpada =P. Sempre fui da turma das “comportadas”, que eram elogiadas pelos professores por não falar em aula e etc (mal sabiam eles dos longuíssimos bilhetes que eu passava pela minha “aplicada” agenda). Mas não posso negar: já cheguei a passar cola até com MÍMICA.
Cabular aula não era um conceito possível na minha escola. Se você fosse pego fora da sala em horário de aula você levava advertência, e os portões para a rua só se abriam se você tivesse uma justificava muito boa para ir embora. Tive de aguentar anos e anos de aulas inúteis que eu adoraria ter matado HAHAHA

6. Se lembra de alguma modinha que você seguiu?
SIM! Na verdade eu me lembro de duas: as pulseiras da Jade lá em 2002, quando eu tinha sete anos, e os tererês no cabelo na quarta série.

7. Qual foi o melhor e o pior dia?
Engraçado que consegui pensar em duas situações para cada caso.
Lembro de um dia na segunda série em que desatei a chorar de soluçar no meio do pátio em que estavam reunidas as turmas dos quatro anos do ensino fundamental I. Entendam: eu nunca gostei de ser o centro das atenções. Nem lembro mais o que tinha dado errado naquela situação em específico, mas lembro que estava passando por uma fase bem ruim da minha vida, eu tinha acabado de perder a minha mãe e, na verdade, aquilo foi só uma gotinha d’água num copo já bem cheio. Consigo me recordar também do pânico na cara das professoras e da coordenadora, que depois souberam lidar até que bem com a situação.
O outro caso de pior dia aconteceu no oitavo ano. Eu tinha tido ido muito bem numa prova geral, mas minha nota havia sumido. Depois de peregrinar pelo colégio inteiro atrás de alguma solução com a coordenação, fui meio que tratada feito lixo. Tive de me controlar muito para não chorar de raiva da situação – algo que acontece quase no automático pra mim. Apesar do lado ruim, essa memória traz um aspecto bom: foram dois grandes amigos meus que me ajudaram a lidar com aquele dia sem que eu matasse alguém. Talvez eles nunca leiam isso, mas como não me recordo de ter agradecido na época, aqui vai: obrigada, Gabriela e Luís <3.

Uma das melhores memórias também envolve esses dois amigos, e é curioso pensar no quão simples ela é. Trata-se de uma aula de matemática de revisão para a recuperação (à qual nenhum de nós precisava prestar atenção). Toda vez que o professor virava para a lousa, a Gabi e eu jogávamos bolinhas de papel no Luís (hahaha éramos duas pestes), as quais ele catava do chão e jogava de volta. O mais divertido era o modo como nós tínhamos de, indiretamente, prestar atenção no professor =P
A outra boa lembrança que tenho aconteceu fora do ambiente escolar, mas envolve a turma do nono ano. Depois da nossa “missa de formatura”, fomos todos a uma lanchonete da região celebrar. É uma memória agridoce porque muitos iriam mudar de escola no ano seguinte, então aquilo também tinha um ar de despedida, mas o lado gostoso dela prevalece.

Não estou bem nessa foto, mas não importa. O oitavo ano foi muito nosso <3

Não estou bem nessa foto, mas não importa. O oitavo ano foi muito nosso ❤

8. Se envolveu em algum tipo de briga ou movimento/protesto?
Serve reclamar de professores na coordenação até alguns deles serem demitidos? Oops… =P
Tirando isso, nada.

9. Sua escola tinha alguma lenda, tipo loira do banheiro? Você tinha algum medo na escola?
Não que eu me lembre. Quanto a medos, eu diria que eu tinha as inseguranças típicas de muitos adolescentes, mas só.

10. Sofreu ou causou bullying em alguém?
Olha, eu só pratiquei bullying cozamiguinho que levavam numa boa, conta?! =P
Quanto a sofrer, eu diria que sim, embora nada muito grave. Da terceira série ao ensino médio fui obrigada a aguentar gente que zombava de mim ou até mesmo me “odiava” (!!!) por conta das minhas notas. Além disso, enfrentei risadinhas e comentários beeem maldosos por ser um verdadeiro desastre em educação física.

11. Como era a sua performance em apresentações da escola? Curtia?
Essa pergunta é meio vaga porque não fica claro o que seriam essas apresentações: trabalhos? Feiras culturais? Danças de festa junina?
Nunca gostei de apresentar trabalhos por causa da timidez. A faculdade aliviou MUITO essa angústia, e hoje posso dizer que não fico tremendo ou com coração acelerado toda vez que preciso falar em público, mas durante o período escolar isso era muito real. Quanto a outros tipos de apresentação, diria que elas eram… normais?!

12. Do que você mais lembra desse tempo? Quais as coisas que mais te trazem lembranças?
Tenho muitas lembranças ruins, principalmente do ensino médio, mas não quero focar nelas para a resposta. No geral, minhas melhores memórias daquele lugar estão nas pessoas que ainda podem dividi-las comigo.  Algumas das que conheci lá, como a minha grande amiga Mariana, continuam ocupando um lugar muito especial no meu coração e na minha vida ❤ (nossa, que meloso hahaha).

Essa é uma foto da formatura do terceiro ano com Dona Mariana, uma dessas pessoas que ficou <3

Essa é uma foto da formatura do terceiro ano com Dona Mari ❤

13. Teve algum professor(a) ou funcionário que te marcou?
O primeiro que me veio à mente foi o grande Imperador, o professor Roberto que dava História durante o ensino médio. Dos professores que tive durante a minha jornada de colégio, ele foi, sem a menor dúvida, o mais apaixonado pelo que fazia. Eu ficava fascinada toda vez que o via iniciar uma aula e falar do tema com uma empolgação impressionante. E como eu sempre amei História, era unir o útil ao agradável.

14. Se você pudesse voltar no tempo, o que diria pra você mesma naquela época?
Nossa, eu diria tanta coisa que daria quase pra fazer um post inteiro só sobre isso, mas vou tentar resumir.
“Luiza, pare de se estressar tanto com tudo de errado que acontece nessa escola. Não vale a pena. Você vai gastar saliva, perder horas de sono, se irritar e esbravejar de graça. E a sua saúde vai sofrer com isso em alguns momentos.
Sei que é difícil acreditar agora, mas pare de diminuir sua beleza. E também não dê tanta importância para o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre você. Eu sei que você mente para si mesma sobre isso e vai me dizer que já não se importa, mas confie em mim, tenho mais experiência.
Por fim, não se desespere, dias melhores virão. Eu juro. Você não tem noção de como a faculdade vai te fazer feliz e de como ela vai te ensinar algumas coisas que irão muito além das matérias da graduação.”

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Quase oito anos depois…

No final de 2008 eu entrei pela primeira vez num tal de Ma-Cherie. Li um post sobre uma reclamação com a Telefônica, achei muito divertido e vasculhei o blog inteiro. Ele foi, na realidade, uma das minhas maiores motivações pra voltar pro mundo dos blogs fazendo exatamente aquilo pra que deveria servir um blog: publicar textos sobre a minha vida. E em 22 de janeiro de 2009, surgia o primeiro post do Miniature Disasters.
Além de criar um blog novo, decidi que seria uma boa ideia fazer um twitter para acompanhar minhas blogueiras favoritas por lá (parecia muito divertido). A tal da @Lilikaaa foi a terceira pessoa que eu segui. Graças a ela, fui conhecendo gente nova e, ao final do ano, já mantinha contato quase diário – com direito a #twitchats longuíssimos e piadas internas – com mais duas arrobas: @imaginatif e @amoursensible (Fun fact: a Patthy foi a única das quatro que manteve o username no twitter de lá pra cá).
Aos poucos esse contato foi deixando de acontecer só pelo twitter: já nos falávamos pelo flickr, pelo tumblr, pelo facebook e até pelo saudoso msn (embora isso fosse BEM raro). Aquilo que tinha começado como uma série de brincadeiras foi tomando outra forma: trocávamos confidências e vídeos de aniversário. E foi graças aos vídeos de aniversário que surgiu o nosso principal meio de comunicação atualmente: o #mailchat diário.
O desejo de desvirtualizar essa relação foi crescendo junto com tudo isso, e quando fomos ver, estávamos criando um evento pra reunir todas nós em SP numa mesma data. Foram alguns perrengues no meio do caminho, algumas mudanças drásticas de planos e alguns problemas com datas até que chegássemos ao fim de semana dos dias 14 e 15/05 desse ano. Passagens compradas, hospedagem reservada, passeios programados: dessa vez era real!

Da esquerda para a direita: Patthynete, eu, Tatiénne, Livoneta ❤

Minha ansiedade era muita, até porque elas iriam se conhecer na sexta à noite e eu as veria pela primeira vez na manhã do sábado. Aliás, eu realmente gosto muito dessas três pra acordar às 7:30 NUM SÁBADO!!!!!
Meu cérebro demorou um pouco pra processar o que estava acontecendo quando finalmente vi duas ruivas e uma semi-morena (haha) entrando no Ibirapuera. Era meio surreal que elas estivessem mesmo ali e que a gente pudesse se abraçar pela primeira vez. Elas não eram mais nomes numa tela, mas sim pessoas reais, de carne e osso, que estavam bem na minha frente.

Primeira foto que tiramos juntas, assim que nos vimos. A justificativa pra escolha do cenário: as flores!

Talvez a gente não devesse ter andado tanto no Ibirapuera antes de parar pra sentar? Talvez. Talvez a gente devesse ter ido de ônibus do parque até a Paulista porque a gente quase morreu subindo a Brigadeiro? Talvez. Mas assim… são só hipóteses, mesmo (eu só queria aproveitar a deixa pra dizer que os ônibus em SP não são tão ruins, não foi por isso que fomos a pé, a gente só é meio trouxa, mesmo).
Dentre as coisas que dividimos nesse fim de semana, separamos um espacinho pra um food truck de milkshakes que vimos no meio do caminho. Claro que provamos os sabores uma da outra – mesmo quando não gostávamos do sabor escolhido, né, Taty?! =P. Esses milkshakes renderam muito: uma foto bem instagramável, uns pingos verdes que deixaram o chão mais bonito e uma das piadas mais engraçadas desses dois dias.

Olá, meninas! Hoje eu vim recomendar um lugar de milkshake suuuuper bacana pra vocês #sweet #love #delicious #publi

O passeio pela Casa das Rosas logo a seguir teve risadas, choques térmicos constantes (né, Taty?!) – junto com uma leve vontade de invadir propriedade privada -, um tutorial de como alcançar um ruivo natural e uma das minhas fotos favoritas de todo o passeio.
Aliás, antes dela, aproveito pra dizer que aprendi mais de zoologia nesses dois dias do que em muitas aulas de biologia. Agora posso dizer pra todo mundo que cigarras expelem seiva e também sei diferenciar uma foca de um *peixe-boi pelo focinho.

As “duplinhas”: de um lado as ruivas, do outro as semi-morenas; de um lado as mais altas, do outro as mais baixas; em cima as mais velhas, em baixo as mais novas (e a lista continua).

Escolhemos um pub pra passar a noite. Queríamos jantar e ouvir um rock juntas (um gênero que todas gostam), e nada melhor que um pub irlandês pra isso. Antes disso, porém, elas conheceram meu quarto (algo que me deixou bem felizinha ❤ ) e depois pegaram carona comigo! As três já estão no grupo seleto de pessoas que me viu dirigir até hoje HAHAHA. Ah, e também demos uma passada em um shopping e foi daí que saiu a foto a seguir:

Direto do Coachella para a sua tela do seu computador!

Interrompemos a programação para dar dicas de gambiarra: se você chegar a um pub pra jantar com MUITA fome e eles te deixarem entrar mesmo sem ter mesa disponível, não se desespere (ok, talvez só um pouquinho)! É só procurar um banco vazio na área de fumantes, pedir sua comida e colocar o prato no colo. Dá até pra usar o vaso da planta mais próxima como apoio pra ketchup, mostarda e guardanapos. Garanto que você nem vai sentir a diferença se estiver em boa companhia. Aliás, ainda sobre o pub: conversas sobre séries da CW e Crepúsculo com o amigo da Taty que a gente nem conhecia? Teve, sim!

O dia seguinte foi mais corrido e sobrou pouco espaço para fotos (só conseguimos tirar uma que é a que aparece aqui embaixo). Ali na metade da brincadeira a Taty e eu (justamente as mais novas) estávamos pedindo arrego pelas dores nas pernas. Sabe criança que estende os bracinhos pedindo por colo? Exatamente isso. Se existisse uma graduação de sedentarismo, eu provavelmente seria professora titular.
Nem conseguimos fazer todas as comprinhas que queríamos na Liberdade, junto com vídeo que seria intitulado como “provando docinhos japoneses”. De qualquer forma, ainda foi muito divertido dar uma passeada pelas ruas e ver alguns dos mimos que eles vendem por lá. A Galvão Bueno é BEM cheia e concentra uma bela quantidade de músicos de rua e de desenhistas vendendo suas artes.

A última foto do fim de semana, poucos minutos antes de eu me despedir delas =(

Todo esse fim de semana foi tão natural que nem parecia que era a primeira vez que a gente se via na vida. Conseguimos resgatar piadas com seus 7 anos de idade (como sex on the beach, a bananice do Stefan) e criar novas (a mala, “olá meninas”, “caralho, é grosso”, as bad trips de dipirona…) em menos de 48 horas. Conversamos sobre os mais variados assuntos,  demos muita risada, nos cansamos muito. Mas todas as dores no corpo que eu sentia quando cheguei em casa valeram a pena. Eu repetiria essa experiência com muita frequência se eu pudesse. E já foi combinado: vai rolar pelo menos uma vez por ano ❤

O chaveiro exclusivíssimo que dona Patthy nos deu. Pensarei no nosso fim de semana sempre que for entrar em casa ❤

Ali em cima eu linkei os twitters delas, então aqui vão os blogs: BeautyLivsEnfim, BelezaImaginalinda. Cada uma delas tem algo a dizer sobre esse fim de semana, então eu sugiro que vocês deem uma olhada por lá ❤

Uma saudade…

Oi, Mã (era assim que eu te chamava, lembra?)

Outro dia me peguei pensando na linda Tears in Heaven, do Eric Clapton. Você se foi quando eu tinha acabado de completar oito anos, hoje já sou uma “jovem adulta”, será que você me reconheceria?  Será que você perceberia que sou sua filha, mesmo que eu tenha me tornado quase uma versão feminina do meu pai?
A verdade é que isso não me preocupa tanto quanto o medo que eu teria de não te reconhecer. As lembranças que tenho de você são escassas e diminuem com o tempo. Não fui capaz de guardar na memória nenhum aniversário seu que passamos juntas; sua voz já se tornou um som abafado e incerto ao qual eu tento me apegar; não tenho certeza se realmente me lembro do seu rosto, já que tenho fotos nas quais me amparo sempre que preciso.
Muitas das coisas que sei sobre você são uma construção do que os outros me contam. Sempre que ouço as pessoas falando sobre algum traço da sua personalidade, fico imaginando como teria sido conviver com ele durante toda a minha adolescência. É curioso prestar atenção nessas conversas e depois tentar imaginar como você teria agido em tal ou qual situação.
Queria aproveitar essa carta pra te dizer que vai tudo bem por aqui. O homem com quem você se casou e que escolheu pra ser o pai da sua filha (que você demorou a querer ter) é o melhor pai do mundo. Ele tem cuidado muito bem de mim, como sempre fez. O amor que ele tem por mim não encontra limites. Foi graças a ele, também, que três mulheres maravilhosas passaram a ter um papel cada vez maior na minha vida e ajudaram a fazer de mim a mulher que sou hoje. Embora minha avó não tenha mais condições de cuidar de alguém, minhas tias fazem um trabalho incrível.
São tantas as coisas que eu fiz e que você não pôde ver. Fiz sete anos de piano, sabia? Ultimamente ando meio relapsa por causa do meu perfeccionismo, mas você nunca me viu tocar nem um dó-ré-mi-fá. Ah, também passei na universidade dos meus sonhos, aquela em que você e meu pai se conheceram. Toda vez que caminho pelo prédio da História, sou tomada por uma pequena dose de alegria ao pensar em vocês dois.

Eu gostaria de acreditar em céu, em vida pós-morte, em reencarnação. Gostaria de crer que, de alguma forma, você pode ler o que está escrito aqui. Essa não sou eu, infelizmente. Mas eu percebi que falo muito pouco sobre isso tudo e sobre você. Talvez tenha sido algo que ficou guardado no meu subconsciente desde a infância, uma espécie de medo de que os outros sintam pena de mim. E eu não posso guardar isso comigo pra sempre, não é mesmo?!

Com todo o amor que eu não tive tempo de te dizer que sentia,
Luiza

Esse texto saiu depois da leitura dessa lista no Buzzfeed. Acho que nunca tinha lido algo tão verdadeiro por lá, e o post deles me fez ver que muitas das coisas que se passavam na minha cabeça não eram exclusivas. Recomendo a leitura pra quem quer entender melhor o que se passa na mente de alguém que perdeu um dos pais durante a infância.

Small Talk

A definição principal da expressão “small talk” lembra um pouco aquilo que nós, brasileiros, chamamos de “conversa fiada”. Sabe aquele papo que geralmente ocorre com um estranho ou com um semi-conhecido e cujo único objetivo é estabelecer uma interação social? Exatamente esse. Ele pode surgir numa conversa sobre clima, ou naquela pergunta sobre ocupação, família, qualquer coisa banal… Alguns taxistas são verdadeiros especialistas nessa arte de “small talk”.
O que pode parecer plenamente natural para a maioria dos seres humanos funciona quase como tortura para pessoas tímidas. Verdade seja dita: nosso cérebro pode ser muito evoluído em vários outros aspectos, mas quando chegamos no campo da interação social, ele funciona com a mesma velocidade dos computadores na época da internet discada. Ou, para alguns casos mais sortudos, a rapidez de quando nossos celulares usavam sinal 1G, antes de sequer sonharmos com 3G ou 4G.
Querem um exemplo? Simulemos uma dessas conversas entre diferentes tipos de pessoas.

Duas pessoas normais:
– Oi, tudo bem?
– Tudo, e você?
– Tudo também. Nossa, o dia tá quente, né?!
– Sim, tá bem abafado. Ouvi dizer que vai chover no final da semana.
– É mesmo? Que bom, eu passo mal no calor e…
Olha aí uma conversa fluncional, que flui bem e que pode continuar por algum tempo.

Um indivíduo um pouco tímido em cena:
– Oi, tudo bem?
– Tudo, e você?
– Tudo também. Nossa, o dia tá quente, né?!
– É, verdade… (com um sorriso no rosto)
Faz-se uma longa pausa de silêncio.
Nesse meio tempo, descrevo o que se passa na cabeça do tímido: nossa… eu deveria ter dito algo a mais, né?! Esse silêncio tá constrangedor. O que eu faço? E… e se eu falar daquela notícia que eu vi de que vai chover no final da semana? Não, já passou tempo demais, vai parecer que tenho delay ou sei lá. Ah, poderia criar outro assunto. Mas eu não tenho outro assunto. Não sei do que falar. E agora? Será que pareceu grosseria? Melhor eu continuar de boca fechada.
Atenção para o fracasso retumbante de público e crítica dessa interação social.

Reprisemos mais uma vez a conversa, só que dessa vez com alguém extremamente tímido:
– Oi, tudo bem?
– Tudo… (com um sorriso no rosto)
Faz-se uma longa pausa de silêncio.
Em questão de alguns segundos, a seguinte reflexão se inicia: MEU DEUS, a educação manda que eu tivesse perguntado “e você?”. Nossa, nossa, que pessoa horrível que eu sou. Passei a impressão de que não me interesso. Deve achar que eu odeio gente. Ou que eu odeio ele. Será que eu devo olhar e sorrir pra diminuir a grosseria que eu fiz? (olhar de soslaio) Melhor não, vai achar que tenho problemas. E se eu checar o celular? Mas aí vai parecer ainda mais grosseiro…
Além de uma interação social com altíssimos níveis de constrangimento, temos uma pessoa que mal consegue cumprir com o be-a-bá da interação social.

O mais difícil disso tudo, porém, é que geralmente as pessoas se conhecem por meio dessas conversas, o que muitas vezes impede o tímido de fazer novas amizades. Como nós não iniciamos diálogos (a não ser que tenha uma arma apontada pra nossa cabeça) e os outros geralmente interpretam erroneamente nossas atitudes, ficamos a ver navios. E de repente tudo isso gera uma bola de neve, porque cada vez mais nós achamos que somos incapazes de nos comunicarmos com os outros.
Talvez o Bruno Maron tenha razão e sejamos um bando de egocêntricos que acham que o mundo gira em torno de nós e das nossas falhas. Talvez precisemos de ajuda. Mas se você tentar conversar com alguém que parece legal e essa pessoa for de poucas palavras – e, ocasionalmente, estiver meio encolhida e aparentemente constrangida -, não desista tão fácil. Isso não quer dizer necessariamente que ela te odeie, que ela seja antissocial, que ela ache seu papo entediante ou que ela seja grossa. Às vezes o cérebro dela está apenas processando uma série de arrependimentos por não ter processado respostas decentes para o que você disse. E nós podemos ser legais depois que você ganhar alguma intimidade conosco, eu juro!

P.S.: favor não confundir “introvertido” com tímido. Embora essas características apareçam comumente ligadas, nem todo introvertido é tímido. Existem quatro tipos diferentes de introversão e nem todos envolvem ter dificuldades com habilidades sociais. Se quiser saber um pouco mais sobre isso, dê uma olhada nesse link (em inglês porque é o mais completo, mas existem versões em português por aí).

Água fria, fria água

Ou “uma reflexão sobre o ódio que os chuveiros sentem por mim”

Outro dia me peguei comemorando a água morninha que caía nas minhas costas, apesar do chuveiro estar na temperatura máxima, num dia em que São Paulo presenteava seus habitantes com alguma garoa e muito vento. Isso não deveria ser motivo de alegria para a maioria das pessoas, mas dada a qualidade dos insucessos anteriores com banhos, uma água morna era quase uma vitória.
A quantidade de histórias do gênero que eu acumulei com meus vinte anos é de fazer inveja a muita gente mais velha. De energia e disjuntores caindo a chuveiros quebrando no meio do banho e até mesmo uma ducha inteira despencando no chão e pegando fogo (essa é definitivamente a melhor de todas), posso dizer que fui premiada com todo tipo de causo pra compartilhar com as gerações futuras.
Encaro o momento do banho como uma pausa pra mim mesma. Posso refletir sobre meu dia, repassar as atitudes recentes, conversar comigo (às vezes em voz alta), desenvolver temas que têm se passado na minha cabeça (também periodicamente em alto e bom som… ops). A água funciona como relaxante muscular em alguns dias especialmente tensos. E, por que não, de vez em quando crio situações fictícias ou me imagino num palco fazendo uma performance brilhante daquela música que não sai da minha cabeça. Por que motivo, então, que meus chuveiros não colaboram?
Se eles falassem, o que diriam pra mim? Será que estão cansados dos meus discursos ou das minhas cantorias? Será que não aguentam mais o fato de que algumas das minhas reflexões não saem do papel? Será que diriam uma série de impropérios e explicariam que pararem de funcionar era a única maneira de se comunicar comigo?
Não sei. Até porque toda essa história de objetos inanimados que criam vida é só mais um fruto da minha imaginação fértil (e talvez um pouco de culpa da minha infância regada a Disney). De qualquer forma, faço aqui meu apelo: chuveiros, por favor, gostem mais de mim!

Resolvi encerrar o ano blogueiro com um dos posts mais “cronísticos” (e curtos hahaha) que eu já fiz. Desejo a todos vocês uma ótima passagem de ano e um 2016 maravilhoso! Volto em janeiro com um post contando um pouco mais sobre uma das coisas mais agradáveis dos meus últimos meses.

Turn and face the strange

Ou “sobre como eu finalmente tomei coragem pra mudar meu cabelo”

Pontas coloridas

Existem momentos na vida em que a gente percebe que precisa mudar. Seja alterar só alguma coisa pequena, seja fazer uma reviravolta de 180º em tudo, de repente você encara essa sensação permanente de que é hora de sair da zona de conforto. Mas por onde começar?
Quando eu era criança, eu morria de vontade de pintar o cabelo. Azul, roxo, verde, vemelho… eu só queria fazer mechas coloridas, fosse da cor que fosse. Na época, fui desencorajada pelo fato de que, com menos de 12 anos, o cabelo estraga muito fácil com química. Acontece que, por causa disso, eu fui desanimando de fazer qualquer mudança nas madeixas. Como boa medrosa que sou, ficava sempre achando que eu não iria gostar e que, pra completar, ele ficaria seco feito uma palha e eu definitivamente me arrependeria.
Eis que desde a metade 2014 que esse desejo de mudança me arrebatou por completo. Eu precisava ser diferente, ou jamais seria feliz de verdade. Por onde começar, porém? O que eu podia fazer pra perder um pouco desse meu medo de tudo, por exemplo?
A solução apareceu rapidamente na minha cabeça: mudar meu cabelo! Pois bem, se esse tinha sido um grande medo meu por uns oito anos, por que não enfrentá-lo? A decisão seguinte, contudo, era um tantinho mais complexa: eu não sabia se cortava radicalmente, se fazia luzes, se fazia ombré hair, se deixava franjinha… e nessas e mais outras eu permaneci na estaca zero por um ano inteiro.
No final de julho desse ano, vi uma matéria sobre pontas coloridas e de repente aquele velho desejo de quando eu era pequena reapareceu e eu fiquei pensando na cor que mais ficaria legal no meu cabelo. A escolha final foi vermelho, analisando que, se eu gostasse arriscaria outras cores, e se eu não gostasse, meteria a tesoura.

Antes e depois

Ó aí um antes e depois procêis. A primeira foto tá bem mais morta que a segunda por motivos de flash.

Agosto e setembro foram dois meses meio chatinhos e eu mal tive tempo pra respirar, então o cabelo acabou ficando pra outubro. E geeeente, que ansiedade que eu tava! Não via a hora dos meses passarem pra eu finalmente poder tingir essas malditas pontas.
Fiquei exageradamente tensa no dia. Foram basicamente três horas até toda a parte da tintura ficar pronta. Não precisou de descolorante, todo o processo foi feito com base em tinta, mesmo. Ficou bem suave, mas ainda assim, bem diferente. E eu não poderia estar mais feliz com o resultado! Faria de novo, faria com outras cores, enfim, estou muito disposta a brincar mais com meu cabelo agora. Já posso dizer que vim, vi e venci esse medo. Que venham os outros!

Antes e depois

Não parece que eu to mais feliz na segunda foto, né?! É que eu não gostei das fotos que tirei sorrindo, ficaram meio tremidas, então peguei essa mesmo que foi a mais bonita hahaha

Com a palavra final, the bloody King of Hell:

image

(Porque eu simplesmente não podia usar essa música como título do post e não incluir um gif com uma das cenas do meu episódio favorito do Mark Sheppard em Supernatural)

De repente 20

Ao contrário de Jenna Rink, eu não entrei em nenhum armário e pedi pra ter vinte anos. Pra falar a verdade, se eu tivesse entrado num armário eu provavelmente desejaria voltar a ser criança, não iniciar a terceira década da minha vida. Mas tão repentinamente quanto com a personagem do filme, aconteceu. Hoje é dezessete de maio de 2015. Eu tenho, oficialmente, vinte anos de idade.
Se eu estou preocupada achando que já vivi ~~todo esse tempo~~ e ainda não fiz nada de memorável até agora? Pra ser bem sincera, não. Vejo algumas pessoas da minha idade achando que estão “velhas demais” para serem “genuinamente felizes” e “mudarem o mundo”, enquanto eu fico aqui achando que somos todos tão jovens e ainda temos todo o tempo do mundo  (qualquer dia te pago os direitos autorais, Renato Russo!). Chego até a ser um pouco cética e acreditar que a contribuição que darei ao mundo será útil, talvez, para um pequeno grupo de pessoas. Não tenho pretensões de escrever um Dom Casmurro, de me tornar a próxima José Olympio ou qualquer coisa do gênero, e espero ainda ter muitos anos de vida para alcançar as coisas que tenho em mente.
O que me assusta é virar adulta. Quando eu era criança e brincava de ser adulta ninguém me avisou que crescer trazia mais incertezas, mais medos e mais angústias. Ninguém me avisou que as minhas preocupações e responsabilidades iriam aumentar. Eu não fui preparada pra isso, não assinei nenhum contrato dizendo que queria tomar parte nessa história toda de virar adulta. Ser “gente grande” parecia um pouco mais empolgante do que de fato é. Somos jogados no mundo assim, sem aviso prévio, sem mais nem menos, sem um manual de instruções de como nos comportarmos. Quanta coisa eu não posso acertar e errar nesses próximos anos e eu nem sei!
Vinte anos. Eu sei que crescer é um processo gradual e que bem ou mal eu já passei por uma parte disso. Sei que isso não é um marco, que não quer dizer nada, que é igual a fazer dezenove ou vinte e um. Não precisam me dizer que isso tudo é tempestade em copo d’água, eu já percebi. Estou me preocupando com decisões futuras que provavelmente tomarei com mais tranquilidade quando a hora chegar. Mas fazer o que se eu pareço ser meio masoquista e gosto de sofrer por antecipação?

Feliz aniversário para mim! E que venham os trin… não, melhor não falar isso agora. Vai que chega rápido que nem os vinte? =P