TAG: Bloggers out and about

Daí que a pessoa que não tinha uma TAG sequer no blog até agosto do ano passado de repente posta duas em pouco mais de um mês. Pois bem, a Taty me indicou pra responder essa aqui, e como gostei do tema, cá estou eu de novo com uma TAG procêis.

1. Onde você nasceu?
Nasci em São Paulo, no coração da Avenida Paulista. Diria que são poucos os jeitos mais “paulistanos” de nascer hahaha =P

2. Onde você mora hoje?
Continuo morando na capital paulista, e ainda no mesmo bairro que moro desde bebê.

3. Qual foi o destino da sua última viagem?
Minha última viagem foi para Buenos Aires na Páscoa do ano passado (olha só, tá dando quase um ano). Nunca andei tanto na minha vida – foram mais de 25 mil passos num dia só, o que equivale a uns 25 km, de acordo com o app do celular – mas a cidade é uma graça. E foi lá que eu comi o melhor macarrão à carbonara da minha vida.

A foto que mais gostei de tirar na cidade, no Rosedal, e a ponte do maravilhoso bairro de Puerto Madero <3

A foto que mais gostei de tirar na cidade, no Rosedal, e um registro da ponte do maravilhoso bairro de Puerto Madero ❤

4. Qual é o destino da sua próxima viagem?
Não faço ideia! Não tenho nada programado, mas adoraria se pudesse ser pra Roma. Quando fui pra lá em 2008 eu não pude aproveitar direito porque as malas tinham sido extraviadas e tive de sair pra comprar roupas, então não pude visitar tudo que queria na cidade. Uma pena, porque gostei muito da atmosfera de Roma (até mesmo do clima quente estilo Brasil hahaha) e queria ter passado mais tempo lá.

Um dos poucos locais que consegui visitar enquanto saía por aí comprando roupas. Fontana de Trevi linda <3

Um dos poucos locais que consegui visitar enquanto saía por aí comprando roupas pra usar por lá. Fontana de Trevi, sua linda ❤

5. Qual foi sua melhor viagem?
Acho que foi a viagem que fiz para Londres e Paris em 2012, porque pude aproveitar as duas capitais mais do jeitinho que eu queria, fazendo os passeios que eu tinha planejado com calma e sem muitas limitações. Sem dúvida ainda ficou faltando muita coisa, mas foi bom poder visitar as duas dessa forma.

Paris e Londres

Paris sendo linda à noite e a vista deslumbrante da London Eye ❤

6. Qual o lugar mais bonito que já visitou?
Por mais que Paris seja incrível e belíssima, principalmente graças à altura dos prédios (que detalhe delicioso <3), essa pergunta tem uma resposta fácil: Veneza, na Itália. Sempre foi meu sonho ir pra lá, e quando cheguei na cidade… palavras não são suficientes pra descrever o quanto eu amei tudo aquilo. Se eu tivesse o dinheiro, acho que iria pra Veneza uma vez por ano, até porque tenho certeza que nunca me cansaria de andar de gôndola e de caminhar por aquelas ruas deliciosas. Ah, que saudades ❤

Duas fotos da minha cidade favorita no mundo!

Duas fotos da minha cidade favorita no mundo! ❤ ❤ (E a minha carinha de criança em 2008)

7. Que lugar você quer muito visitar?
São tantos! Tenho muita vontade de ir pra Portugal e pra Espanha, de conhecer outros lugares do Reino Unido e da França, e também países da América Latina e cidades do Brasil. No entanto, acho que a resposta oficial é que adoraria conhecer melhor a Itália. Não tive a oportunidade de ir a Milão, Pisa, Nápoles… acho que visitaria basicamente o país inteiro hahahaha.

8. Qual lugar você não tem tanta vontade assim de conhecer?
Lá vem uma daquelas respostas que vai deixar a maioria das pessoas meio chocada: à exceção da Disney em Orlando (um sonho de infância que ainda não pude realizar), não tenho interesse em NENHUMA outra cidade dos Estados Unidos. New York? Não vejo graça. Los Angeles? Também não. Las Vegas? Nem um pouquinho. E assim vai.

9. Onde você gostaria de estar agora?
Acho que no museu do Sherlock Holmes, no número 221B da Baker Street em Londres. Quem me conhece sabe que Sherlock é meu detetive preferido, então ainda tenho muita vontade de ir a esse museu qualquer dia desses.

10. Onde é o seu “lar”, o lugar que você se sente mais feliz? E por quê?
Olha… Eu poderia citar uma infinidade de cidades (principalmente europeias), mesmo não as conhecendo, mas eu diria que ainda é São Paulo. Estar ao lado de todas pessoas que eu amo é imbatível pra fazer com que me sinta em casa, aconchegada e feliz.

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“We teach girls…”

Estudei minha vida inteira numa escola católica e pequena de um bairro tradicional de São Paulo. Acho que não é segredo pra ninguém que um lugar como esse transborda machismo e definições estanques de gênero, e as transformações acontecem num ritmo extremamente lento. Isso não quer dizer que não encontrei coisas boas por lá: levo algumas amizades que fiz no colégio até hoje. Foram, porém, muitas as manifestações sexistas com as quais convivi na época, coisa que só fui perceber alguns anos depois.
Vi todo tipo de slut-shaming acontecer ali, bem na minha frente, pelos mais variados motivos. Vi meninas serem criticadas pelo tamanho da roupa que usavam em festas e pela forma como dançavam. Vi grupos de pessoas (de ambos os gêneros) comentando a vida sexual de colegas de turma. Vi mulheres chamando umas às outras de “puta”, “vadia” e similares pela quantidade de garotos com quem elas ficavam. Vi um ensino médio inteiro recriminar uma garota porque ela estava grávida.
Vi mulheres fingindo que eram burras apenas para que os garotos viessem ao socorro delas e, como não se sentiam intimidados por elas, passassem a se sentir atraídos. Vi várias brigarem por causa de homem. E vi muitos desses garotos com discurso de que “nenhuma mulher presta, são todas vagabundas”, discurso esse que não desaparecia nem com aquele argumento (que deveria ser SEMPRE último recurso) de “mas e a sua *insira-parente-feminina-aqui*?”. Eles também não perdiam a oportunidade de definir fulana como “o bundão da turma” ou de dizer que beltrana “não era como as outras”.
Vi uma escola que tirou a bermuda do uniforme feminino porque algumas garotas estavam “exagerando” e deixando as pernas muito de fora. Vi professores que insistiam, aula após aula, em piadas machistas ou de teor altamente sexual e que eram considerados “fodões” por causa disso. Vi outros que, bem discretamente, tentavam dar em cima de meninas de uma turma do ensino fundamental II, com menos de 15 anos.
Hoje olho para trás e me envergonho de ter sido conivente com muito disso e até de ter praticado algumas dessas atitudes. Ainda que em casa eu tenha recebido uma educação empoderadora, a vertente escolar é um forte elemento de pressão na formação da personalidade. Por sorte, a universidade me proporcionou um ambiente bem mais aberto, cheio de discussões sobre o assunto e problematizações constantes. De qualquer forma, sei que essa parte da minha educação deixou sequelas que eu luto diariamente pra desconstruir. Contudo, quando eu penso nas minhas colegas que não tiveram a mesma oportunidade que eu e que continuam mergulhadas no machismo da sociedade, que indiretamente nos foi enfiado goela abaixo por anos, tudo que eu sinto é um desejo de mudança.
Precisamos mudar o que ensinamos para as crianças, tanto mulheres quanto homens. Precisamos fazer com que todos desejem a igualdade de gêneros, lutem por ela e tentem praticá-la constantemente, nos menores detalhes.

Talvez você, mulher, que estiver lendo esse texto, ache que eu estou exagerando. Talvez você sinta que ele é uma enorme chuva de indiretas, mas eu mesma me culpo por várias das coisas que menciono acima. Não quero, com isso, subir em palanquinho moral ou apontar o dedo na cara de ninguém. A sociedade nos leva a ser assim, e cabe a nós tentarmos mudá-la.

We teach girls to shrink themselves, to make themselves smaller. We say to girls: ‘You can have ambition, but not too much. You should aim to be successful, but not too successful otherwise you will threaten the man.’ Because I am female I am expected to aspire to marriage. I am expected to make my life choices always keeping in mind that marriage is the most important. A marriage can be a source of joy and love and mutual support, but why do we teach girls to aspire to marriage and we don’t teach boys the same? We raise girls to see each other as competitors, not for jobs or for accomplishments, which I think can be a good thing, but for the attention of men. We teach girls that they can not be sexual beings in the way that boys are. Feminist: A person who believes in the social, political and economic equality of the sexes.”

Chimamanda Ngozi Adichie

Meu TV Guide

Eis que no final do ano passado eu passei a ter acesso ao Netflix e perdi minha desculpa para não acompanhar algumas séries que eu tinha muita curiosidade em ver (leia-se “agora eu não podia mais falar em preguiça de baixar”). Pois bem, como gosto de compartilhar meus gostos por aqui, por que não fazer um post sobre isso?
Andei vendo alguns pilotos depois que terminei as séries que inciei logo no primeiro dia de Netflix, então talvez um dia eu apareça por aqui com uma segunda edição desse post, mas enquanto esse dia não chega, segue abaixo uma lista de todas as séries que eu acompanhei até hoje.
Cuidado: esse post tem spoilers por todo o lado.

As mais queridinhas

series-1-sherlockSherlock
É até meio desleal comparar Sherlock com as outras séries desse post. A série tem elenco de cinema, produção extremamente profissional e tempo de sobra pra preparar cada um dos três episódios das temporadas com muito carinho. Além disso, é um pouco mais fácil brincar de escrever roteiro quando você tem Conan Doyle como base. De qualquer forma, a série tem uma qualidade incrível e Benedict Cumberbatch nasceu pra interpretar o melhor detetive da literatura.
Personagem favorito: Eu tenho uma queda enorme por personagens muito inteligentes e que abusam do sarcasmo, então não seria surpresa se eu dissesse que Sherlock Holmes é meu grande amor. Sou apaixonada pelo personagem desde os livros, mas o Cumberbatch me ajuda a gostar ainda mais da personalidade do meu detetive preferido ❤
Episódio favorito: Ok, não consegui escolher só um (Luiza trapaceando, que grande novidade): A Scandal in Belgravia (2×01) e The Reichenbach Fall (2×03) – aparentemente a segunda temporada é a minha favorita hahaha. Gosto muito do primeiro porque Irene Adler sempre foi uma personagem que muito me agrada. Ver a interação dela com Sherlock, tanto nos aspectos intelectuais quanto na tensão “amorosa/sexual” que eles tinham ali foi de encher os olhos. Até hoje fico arrepiada só de me lembrar de algumas cenas do episódio.
Quanto ao season finale, acredito que o que mais me agrada nele é o enredo extremamente bem construído – e isso fica ainda mais claro em The Empty Hearse (3×01). A inteligência dos irmãos Holmes desconhece limites (aproveito a oportunidade pra enviar amor ao Mycroft ❤ ), mas vê-los lidarem com alguém à altura é muito incrível. Devo acrescentar ainda que a produção faz um ótimo trabalho em adaptar essas histórias todas pros tempos atuais.

series-2-supernaturalSupernatural
Se você decidir ver Supernatural com o objetivo de acompanhar uma série de terror meio despretensiosa, você vai se arrepender já na primeira temporada. Embora tenha começado como uma série sobre lendas urbanas, a história tomou proporções muito maiores e o rumo adotado foi totalmente outro. Supernatural, na minha opinião, é essencialmente sobre família e sobre filosofia (abordando questões como livre-arbítrio/destino, o papel de Deus…). E o mais legal disso tudo é que o seriado consegue interligar esses dois pilares de forma magistral, principalmente até a quinta temporada.
Personagem favorito: Por mais que eu adore o Sammy, meu personagem favorito sempre será, temporada após temporada, Dean Winchester. Fico encantada com a forma que ele cuida do irmão e faz uma série de sacrifícios para proteger a família… e também o resto do mundo hahaha
Episódio favorito: Essa pergunta poderia ser difícil, mas por incrível que pareça, tenho a resposta na ponta da língua: Swan Song (5×22). Acho que esse episódio é a somatória perfeita de todos os elementos que eu amo na série: a relação de amor dos Winchesters, a vitória do livre-arbítrio e a coerência impecável do Eric Kripke, esse homem que conseguiu amarrar TODAS as pontas soltas que ele ia deixando ao longo do caminho (sdds, volta pra gente!). O episódio ainda conta com a primeira grande homenagem à Baby e com o Chuck narrando e dizendo essa frase maravilhosa logo após uma montagem emocionante de flashbacks: “Up against good, evil, angels, devils, destiny, and God himself, they made their own choice. They chose family. And, well, isn’t that kind of the whole point?”.
Vale a pena falar de alguns outros episódios amorzinhos, como All Hell Breaks Loose (2×21 e 2×22), meu segundo finale preferido com algumas das minhas cenas favoritas do Jensen Ackles; Dark Side of the Moon (5×16), o segundo episódio que eu mais gosto na melhor temporada de todas (que dor que é não recomendar a quinta temporada inteira pra vocês); e Fan Fiction (10×05), porque SPN é ótima com comédia também, e embora o episódio que mais me tenha feito rir seja The French Mistake (6×15), o ducentésimo (!!) da série tem um gostinho especial ❤

series-3-the-blacklistThe Blacklist
Sabem aquele tipo de piloto que te prende já nos primeiros minutos? Pois bem, The Blacklist conta com um desses. Como se não bastasse essa premissa inicial e todo o mistério em volta dos personagens, a série é muito bem escrita, com episódios inteligentes, diálogos incríveis e uma trama intrigante que te mantém interessado sem precisar jogar um cliffhanger por episódio na sua cara pra manter o suspense.
Personagem favorito: Se você assiste a essa série e seu personagem favorito não é Raymond Reddington, me explique COMO! James Spader faz miséria com esse gênio do crime extremamente divertido e cheio de histórias incríveis pra contar.
Episódio favorito: Não foi fácil pensar em um só, mas acabei optando por Anslo Garrick (1×09). Sabe aquele tipo de episódio a que você quase assiste de pé de tão eletrizante? Pois bem, esse mesmo! Eu sequer notei os 40 minutos passarem de tão bem feitos! Além de ser cheio de ação, com muitos momentos agonizantes e um certo medo que paira pela vida de alguns personagens, o episódio ainda conta com uma das cenas mais maravilhosas e emocionantes de James Spader no seriado. Como não amar Raymond Reddington declamando, quase como se fosse uma poesia, sua lista de coisas para fazer antes de morrer?
Vale também falar de alguns outros episódios que adoro, como Tom Connolly (2×22), cuja sequência final é tão incrível que eu não consigo mais ouvir Rocket Man da mesma forma; e The Director/The Director: Conclusion (3×09 e 3×10), ambos lotados de cenas fantásticas e um plano incrível que só Red é capaz de elaborar.

Não me estendi muito sobre os personagens prediletos dessas minhas três séries preferidas porque já falei deles nesse post aqui.

Um oferecimento do Netflix

series-4-penny-dreadfulPenny Dreadful
Penny Dreadful foi, sem dúvida, a escolha mais acertada dentre as séries que comecei a ver no Netflix. Além da beleza das cenas (porque, convenhamos, que bela fotografia que essa série tem), os personagens são maravilhosos, suas histórias são misteriosas e o enredo consegue manter um equilíbrio que te deixa curioso sem te encher de problemas a serem resolvidos.
Personagem favorito: Trapaceando mais uma vez, não consigo decidir entre dois personagens: Vanessa Ives e A Criatura/John Clare (desculpa, Ethan, ainda te amo). Gosto da primeira porque acho muito interessante acompanhar todo o mistério que a envolve e de ver a luta dela contra seus demônios (literalmente, nesse caso). Já no caso da Criatura, meu amor vem desde quando eu li Frankenstein e é todo baseado nas discussões filosóficas que ele propõe.
Faço aqui uma menção honrosa a Proteus, que teve pouquíssimo tempo de tela mas marcou meu coração.
Episódio favorito: Pelo que já notei, alguns dos meus episódios favoritos vão basicamente numa linha que poderia receber o nome de “The Vanessa Ives Show” hahaha. De qualquer forma, Possession (1×07) é um episódio tão cheio de emoção que é difícil não amar. Eva Green está maravilhosa, oscilando entre uma pessoa em desespero, lutando para se manter sã, e uma mulher possuída e totalmente fora de si. A cena mais incrível do episódio é a do exorcismo, mas aqui eu deixo vocês com o parágrafo da Patthy na categoria “três cenas marcantes” desse post aqui.

series-5-grace-and-frankieGrace & Frankie
Tudo em Grace & Frankie parece levar a uma típica comédia: o enredo, o tempo de tela (de vinte a trinta minutos), e até mesmo a classificação oferecida pelo Netflix. Depois que você começa a acompanhar a série, porém, a história é outra: embora esteja recheada de momentos divertidos, também há muito drama sutil na trama. Acompanhar a jornada dessas duas senhoras para reconstruírem a vida delas é, ao mesmo tempo, cheio de risadas e de tristezas, e é isso o que dá um gostinho especial para o seriado.
Personagem favorito: Tentei, tentei, mas não consigo escolher entre a Grace e a Frankie. Elas duas são, definitivamente, o ponto alto da série, e acompanhar Jane Fonda e Lily Tomlin interagindo é delicioso. As duas são tão opostas que a amizade, por florescer nesse campo tão pouco provável e graças a uma situação tão triste, fica ainda mais bonita. Registro aqui também meu amor pela Brianna (a terceira figura presente no gif aí do lado), porque cada cena das três juntas é um deleite e porque ela é a única capaz de tornar as cenas do casal Sol e Robert suportáveis (sério, gente, odiei os dois personagens assim que eles falaram que eram VINTE anos de traição).
Episódio favorito: Acho que meu episódio preferido é justamente o piloto, que ironicamente chama-se The End (1×01). Ele é, sem dúvida, um dos episódios em que Grace e Frankie mais interagem, e numa época em que elas ainda se esforçam para sequer conviverem juntas. Ver as duas chapadas é impagável, e as cenas envolvendo a cadeira do Ryan Gosling são todas maravilhosas. Por fim, vale mencionar que esse episódio tem a cena que mais me fez rir na série inteira: a desse gif aqui.


series-6-htgawmHow to Get Away With Murder
Para mim, HTGAWM (porque, né) tem um defeito grave: me sinto vendo uma espécie de novela, ou um folhetim televisivo. A história tinha tudo pra ser extremamente interessante, mas o seriado tem tanto cliffhanger e tanto plot twist que eu acabo me irritando e preciso de pausas estratégicas ao longo da temporada pra conseguir retomar a paciência e voltar a ver. Tenho intenção de assistir à segunda temporada, mas sem pressa: um dia, quando ela chegar ao Netflix, eu verei com calma e com direito a todas as pausas que eu precisar.
Personagem favorito: Sendo bem sincera, eu não cheguei a me apegar direito a nenhum dos personagens, mas decidi escolher Connor Walsh porque vejo nele o alívio cômico de uma série que se leva a sério demais. Connor é responsável pela enorme maioria dos comentários irônicos, ele permanece basicamente o mesmo desde o piloto e, por fim, faz parte do único casal da série que me agrada.
Episódio favorito: Todo mundo fala da cena da maquiagem e o Emmy premiou Viola pelo sexto episódio, mas o episódio em que eu acho que Viola Davis está melhor é Kill me, kill me, kill me (1×09). A briga dela com o Sam logo no início é uma das cenas mais incríveis de toda a temporada. Além disso, é um alívio ver a cena do assassinato de uma vez por todas, inteira, sem cortes, sem interrupções, sem omissão de detalhes.

series-7-jessica-jonesJessica Jones
Ah, Jessica Jones, que decepção que você foi na minha vida de seriadora. Li tantos elogios na internet e tanta gente falando de como ela era uma “heroína feminista” que fui ver com uma expectativa muito alta. A decepção não poderia ter sido maior: adorei os primeiros episódios, porém depois da chegada do Kilgrave tudo começa a ficar fora de controle e os personagens caem assustadoramente de qualidade (embora eu não possa negar que David Tennant está muito bem no papel). Terminei a temporada numas de “bom, já que cheguei até aqui…”, mas acho que o décimo episódio foi uma das piores coisas que já vi na vida, cheio de furos de roteiro e recursos novelísticos que me deram nos nervos.
Personagem favorito: Se a série tivesse ao todo quatro episódios essa seria uma “questão” fácil e eu diria “Jessica Jones” sem qualquer dúvida. O problema é que do quinto até o season finale a personagem me irrita num tanto que fica difícil elegê-la como minha favorita. Ao mesmo tempo, ninguém conseguiu me conquistar o suficiente para ocupar o posto, então essa categoria fica assim, sem resposta.
Episódio favorito: Embora eu tenha de dar o braço a torcer e dizer que o diálogo da Jessica com o Kilgrave sobre estupro e relacionamentos abusivos no oitavo episódio é muito bom, meu favorito ainda é AKA Ladies Night (1×01), da saudosa época em que eu achava que a Jessica era mais uma humana cheia de defeitos do que uma pretensa super-heroína que usa uma moça como desculpa para não parar um vilão extremamente perigoso e acaba arrastando uma pá de gente junto nessa brincadeira.

As encerradas:

series-8-houseHouse
Acho que a coisa que eu mais gostava em House era o fato de que a série deixava pouco espaço para os dramas pessoais dos personagens principais, focando principalmente na linha de raciocínio desse Sherlock da medicina. Isso também ajudava para que ficassem mais emocionantes aqueles episódios em que o foco eram os sentimentos de cada protagonista. Por fim, uma das maiores vantagens do seriado estava no fato de que, por ele ser cínico e bastante frio, seus pensamentos transbordavam reflexões muito interessantes e conduziam a piadinhas maravilhosas.
Personagem favorito: Também já falei dele nesse post, mas meu personagem favorito é, com certeza, Gregory House. Adoro o jeito como ele enxerga o mundo e as pessoas que nele vivem – o que de certa forma me assusta, já que ele é bem amargo e infeliz HAHAHA
Episódio favorito: Lembro até hoje de como chorei feito um bebê quando vi Wilson’s heart (4×16) pela primeira vez. Acho que o que mais me emocionou quando eu vi tudo aquilo foi a oportunidade que a série nos deu de acompanhar (e compreender) os pontos de vista tanto do House quanto do Wilson e sofrer imensamente pelos dois. Foi ainda mais impactante ver esse episódio logo após a maravilha que foi assistir ao anterior (House’s head – 4×15), com House tentando se lembrar do acidente e descobrir quem seria a pessoa em perigo.

series-9-friendsFriends
Não preciso nem pensar duas vezes pra dizer que Friends é meu seriado de humor favorito. A maioria das piadas transborda inteligência e os personagens são todos uns amorzinhos (apesar dos milhares de defeitos que eles têm). Além de tudo, Friends é também uma série sobre amadurecimento, o que a torna ainda mais interessante.
Personagem favorito: Embora eu goste muito de todos os seis, meu friend predileto é Miss Chanandler Bong, digo, Chandler Bing. Acredito que o Chandler é o personagem que mais evoluiu psicologicamente ao longo das dez temporadas. Ele superou traumas dos mais simples aos mais pesados e tornou-se uma pessoa melhor, mas sem nunca abandonar o sarcasmo maravilhoso dele.
Episódio favorito: Apesar de eu não ter visto tantas séries assim (e pouquíssimas que terminaram, convenhamos), acredito que quase nenhuma terminou ou vai terminar tão bem quanto Friends. The Final One (10×17) reúne a quantidade ideal de humor e de emoção, dando o encerramento que faltava para o amadurecimento dos seis. É um episódio lindo, gente.
Preciso mencionar mais alguns episódios queridinhos, como The One With The Proposal: Part 2 (6×25), porque eu shippo muito Mondler e foi impossível não amar o pedido de casamento deles; The One Where Everybody Finds Out (5×14), porque além de também ser sobre Mondler, tem a famosa sequência do “they don’t know we know they know we know” que me mata de rir toda vez; e The One Hundredth (5×03), um dos mais emocionantes com aquela cena linda da Phoebe se despedindo dos bebês.

TAG: Liebster Awards

O mundo blogueiro às vezes te proporciona algumas surpresas boas. Recentemente reencontrei a Mari, dona do The Secret Shoot, que eu conheci lá no comecinho do Miniature Disasters, por volta de 2009/2010. O mais engraçado é que a gente não se perdeu em outras redes sociais, mas por algum motivo não visitávamos mais os blogs uma da outra. Ainda bem que já nos apressamos em mudar isso.
Pois bem, outro dia ela me indicou pra responder uma TAG/meme e cá estou eu para fazê-lo.

Regras da TAG:
– Escreva 11 fatos sobre você.
– Responda as perguntas de quem te indicou.
– Indique 11 blogs com menos de 200 seguidores.
– Faça 11 perguntas para quem indicar responder.
– Coloque a imagem que mostre o selo Liebster Awards (abaixo).
– Link quem te indicou.


Os 11 fatos sobre mim:
1- Quando era criança, quis ser “cientista” porque gostava de aprender sobre os planetas nas aulas do colégio. Daquela época até o dia em que me inscrevi em editoração muitas outras carreiras passaram pela minha cabeça, mas quem diria que um dia eu me interessei por uma carreira meio de exatas.

2- Raramente passo 24 horas sem ouvir música. Estar de fones de ouvido enquanto leio ou faço trabalhos, por exemplo, faz com que eu me concentre melhor, mesmo que às vezes eu pare pra cantar algum trechinho ou pra fazer air drums, embora meu instrumento favorito seja piano (e também o único que sei tocar).
Se quiser conhecer um pouco melhor meu gosto musical, recomendo três rádios do Spotify: a do Coldplay, a de Rock e a do Chico Buarque.

3- Não sei andar de bicicleta. Como ninguém da minha família sabe, passei a infância toda sem ter aulas e, consequentemente, não aprendi a andar por aí sem rodinhas. Hoje morro de medo de tentar e me esborrachar. Sabem aquela cena da Phoebe xingando o Ross porque ele largou a bicicleta? Me identifico pacas HAHAHA

4- Sempre que vejo essas pessoas que adoram fazer exercício eu me pergunto o que se passa na mente delas. Adoro dormir, adoro sofá, adoro fazer vários nada e provavelmente ficaria no pódio se existisse um concurso de preguiça

5- Sou a-pai-xo-na-da por vestidos. No meu mundo ideal, a temperatura oscilaria entre 23º e 25º pra que eu pudesse encher meu armário apenas com vestidos e usá-los todo dia. O mais curioso, porém, é que embora eu prefira esse calor mais ameno ao frio, botas e jaquetas de couro também estão dentre as minhas peças de roupas favoritas.

6- Depois de anos fracassando miseravelmente em qualquer tipo de desenho, recentemente aprendi ao menos a copiar o desenho alheio. Ano passado copiei o Calvin e o Haroldo (minha tirinha favorita ❤ ) no meu caderno e devo dizer que fiquei bem orgulhosa do resultado. Criar um desenho sem a base do lado, porém, ainda é tarefa impossível pra mim.

desenho calvin e haroldo

Digam se não ficou uma gracinha? 😍

7- Se você quiser me deixar feliz, chocolate é uma boa opção. Sou daquele tipo de pessoa que gosta de todos os derivados de chocolate (bolo, sorvete, mousse, bolacha, pudim, fondue…) e comeria em quantidades absurdas se não engordasse/aumentasse o colesterol. Só existe um erro nesse quesito comigo: chocolate branco.

8- Em 2009, graças à influência das donas Lívia e Patricia, embarquei num vício que só piorou ao longo dos anos: esmaltes. Dois anos depois desenvolvi alergia, mas isso não me parou: saí à cata de produtos 3free porque não consigo me imaginar sem esmalte nas unhas por muito tempo. Tenho um amor especial por esmaltes metálicos ou com glitter.

9- Odeio baratas com todas as forças do meu ser. Provavelmente “puxei” isso da minha mãe, que morria de medo e se escondia comigo no quarto enquanto meu pai tentava matar o inseto maldito. Cada vez que eu vejo um desse bichinhos horrendos na minha frente, eu preciso me controlar muito pra não dar escândalo.

10- Se tem um sotaque que me deixa maravilhada é o britânico. Migos, sério, esse negócio não é de Deus. Gosto muito de outros sotaques (principalmente do italiano), mas nenhum tem o mesmo efeito do britânico. Eu poderia ouvir eles dizerem qualquer coisa e ainda acharia lindo.

11- Desde que me conheço por gente eu fujo de conflitos como o diabo foge da cruz. Brigas, sejam elas verbais ou físicas, me deixam totalmente desconfortável. Eu tenho um perfil meio conciliador, sou do tipo que quer apaziguar os ânimos quando vejo duas pessoas queridas brigando. E se não consigo fugir de um envolvimento direto na discussão, provavelmente ficarei me sentindo mal por eras depois.

Respondendo as perguntas da Mari:
1- Por que você escolheu esse visual para o seu blog?
Essa é uma boa pergunta HAHAHA
Acho que depois de usar uma série de layouts mais coloridões eu decidi optar por um visual mais clean. Escolhi uma foto do meu piano pra complementar porque gostei muito dela. Por enquanto escolhi o meu tema favorito dentre os gratuitos do WordPress, mas quem sabe um dia eu não apareço com um personalizado, né?!

2- Por quanto tempo pretende continuar com o blog?
Acredito que várias coisas possam mudar na minha vida nos anos vindouros (olha só que lexico requintado), mas o blog definitivamente não está entre elas. Já passei por fases de pouquíssimos posts em um longo período de tempo, e talvez isso volte a acontecer no futuro, mas não penso em fechá-lo. Acho que gosto demais da ideia de saber que ele estará lá. Meu blog é uma espécie de porto-seguro cibernético do qual não pretendo abrir mão.

3- Depois de ter começado, já tentou viver sem o blog?
Entrei no mundo blogueiro em 2006 e desde então tive três blogs. O máximo de tempo que fiquei sem ter um espaço na internet foi pouco mais de seis meses, mas às vezes ainda fico distante.

4- Se tivesse que trocar de blog com outra blogueira, com quem trocaria?
Essa vai ser uma resposta piegas, mas não tem como fugir dela: pensei, pensei, e percebi que não conseguiria trocar meu blog com o de outra pessoa. Por mais que eu goste dos textos ou do visual do outro, o Miniature é tão pessoal que seria até meio estranho me desfazer dele. Além disso, a maioria dos blogs que eu curto também é bem pessoal, então também me sentiria “roubando” a individualidade do autor.

5- Que tipo de post você NÃO gosta de comentar em blogs?
Acho que não gosto de comentar naqueles posts em que sinto que o blogueiro não se conectou com aquilo que ele resenhou/recomendou, sabe?! Quando parece só uma apresentação de um produto, sem envolvimento do autor, eu não consigo me identificar. Gosto de textos com experiências pessoais.

6- De 0 a 10 que nota daria ao seu blog e por quê?
Eu daria uns 7 porque a minha frequência de textos é baixa. Mas né, adoro o Miniature de paixão, então a nota só podia ser alta. Sou meio suspeita pra falar HAHAHA

7- Se tivesse que dar seu blog para uma pessoa que não tem blog, para quem seria?
Acho que daria para o meu pai (embora saiba que ele não ia ficar muito feliz com isso, porque ele gosta de ler meus textos hahaha). Sei que ele gosta de escrever e que ele cuidaria bem do meu cantinho.

8- Como você decide o que vai postar no blog?
É uma decisão meio aleatória hahahaha… Na maioria das vezes o que se passa na minha cabeça é “olha, eu bem que podia falar de x no blog” e fim. Costumo refletir mais sobre o texto em si do que sobre o tema.

9- Para você o que é mais importante no blog?
Além de poder compartilhar um pouco das minhas experiências (blog pessoal ❤ ), gosto muito da interação que o mundo blogueiro permite. Conhecer endereços novos e responder comentários é sempre uma das partes mais prazerosas.

10- Se existissem regras no mundo blogueira, qual você gostaria que existisse?
Nunca me deparei com algo do gênero, mas na minha vibe meio paz e amor, eu proibiria ofensas pessoais.

11- Já passou por alguma situação constrangedora por causa do blog?
É provável que sim, mas não me lembro de nada agora pra responder.

Minhas 11 perguntas para as indicadas:
A Mari criou (e respondeu) perguntas relacionadas a blogs. Achei todas muito pertinentes e não consegui imaginar nenhuma outra sobre o tema. Como não vi quaisquer regras sobre as perguntas que deveria elaborar (e, de qualquer forma, adoro quebrar regras de tags/memes), minhas perguntas serão mais pessoais.

1- Se você pudesse abraçar um personagem (de livro, filme ou série), qual seria?
2- Qual o tipo de passeio que você mais gosta de fazer?
3- Se você pudesse escolher o país em que nasceu, qual escolheria? Por quê?
4- Qual a música que mais tem grudado na sua cabeça recentemente?
5- Qual a sua comida favorita? E bebida?
6- Se você só pudesse guardar uma foto, qual seria?
7- Qual é a sua lembrança favorita da infância?
8- Se você ganhasse na loteria, o que faria?
9- Qual instrumento musical você sabe tocar ou gostaria de aprender?
10- Qual presente mais te marcou na vida?
11- Se você fosse escrever um livro (ou fazer um filme/seriado, ou gravar um cd), sobre o que seria? E que nome teria?

Não sei bem quais blogs têm ou deixam de ter menos de 200 seguidores, então indicarei blogs mais pessoais que eu adoro (e que gostaria de ver as donas respondendo minhas perguntas). Aqui vai minha lista em ordem alfabética de nome das blogueiras: a (Carol) Yassui, do Flaws Made; a Lí, do BeLivs; a Mai, do Amável Formalidade; a Patthy, do Imaginatif; a Taty, do Enfim, veremos; a Thay, do Dreams; e todo mundo que visitar esse blog e se interessar em responder (porque obviamente eu tinha que quebrar alguma regra) =)

Small Talk

A definição principal da expressão “small talk” lembra um pouco aquilo que nós, brasileiros, chamamos de “conversa fiada”. Sabe aquele papo que geralmente ocorre com um estranho ou com um semi-conhecido e cujo único objetivo é estabelecer uma interação social? Exatamente esse. Ele pode surgir numa conversa sobre clima, ou naquela pergunta sobre ocupação, família, qualquer coisa banal… Alguns taxistas são verdadeiros especialistas nessa arte de “small talk”.
O que pode parecer plenamente natural para a maioria dos seres humanos funciona quase como tortura para pessoas tímidas. Verdade seja dita: nosso cérebro pode ser muito evoluído em vários outros aspectos, mas quando chegamos no campo da interação social, ele funciona com a mesma velocidade dos computadores na época da internet discada. Ou, para alguns casos mais sortudos, a rapidez de quando nossos celulares usavam sinal 1G, antes de sequer sonharmos com 3G ou 4G.
Querem um exemplo? Simulemos uma dessas conversas entre diferentes tipos de pessoas.

Duas pessoas normais:
– Oi, tudo bem?
– Tudo, e você?
– Tudo também. Nossa, o dia tá quente, né?!
– Sim, tá bem abafado. Ouvi dizer que vai chover no final da semana.
– É mesmo? Que bom, eu passo mal no calor e…
Olha aí uma conversa fluncional, que flui bem e que pode continuar por algum tempo.

Um indivíduo um pouco tímido em cena:
– Oi, tudo bem?
– Tudo, e você?
– Tudo também. Nossa, o dia tá quente, né?!
– É, verdade… (com um sorriso no rosto)
Faz-se uma longa pausa de silêncio.
Nesse meio tempo, descrevo o que se passa na cabeça do tímido: nossa… eu deveria ter dito algo a mais, né?! Esse silêncio tá constrangedor. O que eu faço? E… e se eu falar daquela notícia que eu vi de que vai chover no final da semana? Não, já passou tempo demais, vai parecer que tenho delay ou sei lá. Ah, poderia criar outro assunto. Mas eu não tenho outro assunto. Não sei do que falar. E agora? Será que pareceu grosseria? Melhor eu continuar de boca fechada.
Atenção para o fracasso retumbante de público e crítica dessa interação social.

Reprisemos mais uma vez a conversa, só que dessa vez com alguém extremamente tímido:
– Oi, tudo bem?
– Tudo… (com um sorriso no rosto)
Faz-se uma longa pausa de silêncio.
Em questão de alguns segundos, a seguinte reflexão se inicia: MEU DEUS, a educação manda que eu tivesse perguntado “e você?”. Nossa, nossa, que pessoa horrível que eu sou. Passei a impressão de que não me interesso. Deve achar que eu odeio gente. Ou que eu odeio ele. Será que eu devo olhar e sorrir pra diminuir a grosseria que eu fiz? (olhar de soslaio) Melhor não, vai achar que tenho problemas. E se eu checar o celular? Mas aí vai parecer ainda mais grosseiro…
Além de uma interação social com altíssimos níveis de constrangimento, temos uma pessoa que mal consegue cumprir com o be-a-bá da interação social.

O mais difícil disso tudo, porém, é que geralmente as pessoas se conhecem por meio dessas conversas, o que muitas vezes impede o tímido de fazer novas amizades. Como nós não iniciamos diálogos (a não ser que tenha uma arma apontada pra nossa cabeça) e os outros geralmente interpretam erroneamente nossas atitudes, ficamos a ver navios. E de repente tudo isso gera uma bola de neve, porque cada vez mais nós achamos que somos incapazes de nos comunicarmos com os outros.
Talvez o Bruno Maron tenha razão e sejamos um bando de egocêntricos que acham que o mundo gira em torno de nós e das nossas falhas. Talvez precisemos de ajuda. Mas se você tentar conversar com alguém que parece legal e essa pessoa for de poucas palavras – e, ocasionalmente, estiver meio encolhida e aparentemente constrangida -, não desista tão fácil. Isso não quer dizer necessariamente que ela te odeie, que ela seja antissocial, que ela ache seu papo entediante ou que ela seja grossa. Às vezes o cérebro dela está apenas processando uma série de arrependimentos por não ter processado respostas decentes para o que você disse. E nós podemos ser legais depois que você ganhar alguma intimidade conosco, eu juro!

P.S.: favor não confundir “introvertido” com tímido. Embora essas características apareçam comumente ligadas, nem todo introvertido é tímido. Existem quatro tipos diferentes de introversão e nem todos envolvem ter dificuldades com habilidades sociais. Se quiser saber um pouco mais sobre isso, dê uma olhada nesse link (em inglês porque é o mais completo, mas existem versões em português por aí).

Uma caixinha mensal de surpresa e amor

Ou “minha experiência com a TAG: Experiências Literárias”.

Não é segredo para os leitores desse blog que eu sou inscrita em uma série de canais de YouTube, e dentre eles temos alguns booktubers, como a Tati que eu citei nesse post aqui. Pois bem, lá no final de outubro eu me deparei com esse vídeo da Mell Ferraz (<3), fiquei encantada com a ideia de uma caixinha mensal com um livro surpresa e, num raro ato meio impulsivo meu, resolvi assinar pra receber o kit do mês de novembro e ver se eu gostava da brincadeira.
Vamos a uma explicação mais detalhada sobre a TAG. Mensalmente, a equipe do projeto convida um curador para escolher um livro que ele ame e, depois de preparar todo um conteúdo extra muito cuidadoso, envia a obra aos associados. Esses curadores são referências das mais diversas áreas do cenário intelectual: além de escritores – Mário Prata, Luis Fernando Verissimo e futuramente Luiz Ruffato, por exemplo -, temos professores de filosofia, médicos, críticos, tradutores e todo tipo de estudiosos de outras áreas do conhecimento. Os livros indicados transitam entre alguns exemplares de não-ficção (como no kit de novembro do qual falarei daqui a pouco), e grandes autores da literatura. Além disso, todo mês os associados recebem um marca página personalizado, uma revista com mais informações sobre a obra, o autor e o curador e algum mimo correspondente ao livro do mês.
Uma das coisas mais legais do projeto, porém, é que a obra do mês seguinte fica basicamente em completo sigilo. A única coisa a que você tem acesso é um breve resuminho com dicas sobre o enredo e sobre o escritor, mas nada além disso. Se você bancar o detetive, descobrir qual o livro do mês seguinte e já o tiver na sua estante, pode contatar o pessoal da TAG para que eles enviem o kit de algum mês anterior, ou até mesmo cancelem a cobrança daquele mês.

Passei tempo demais explicando a experiência e até agora falei muito pouco de como eu a vivi. Como assinei nos últimos dias de outubro, o meu primeiro kit seria o do mês seguinte. Foi fácil perceber, a partir da descrição no site, que a obra indicada pelo Clóvis (professor da ECA, aliás <3) era de não-ficção focada em filosofia. Embora eu goste muito dessa área de estudo, confesso que tenho uma preferência por livros de ficção, então minha ansiedade dividia espaço com um medo de não gostar. Ao mesmo tempo. depois de muito fuçar na internet descobri que a obra de outubro tinha sido essa aqui do Poe, o que me deixou aliviada por ter descoberto o projeto apenas ao final do mês, já que ganhei um exemplar com a obra completa do autor de aniversário.
E então, antes que eu pudesse pensar muito, chegou meu primeiro kit.

Caixinha TAG

Os dois lados da caixinha de 2014/2015, com caricaturas de autores consagrados

Essa caixinha já era uma delícia de receber, o que me deixou três vezes mais empolgada do que já estava. Meu autocontrole para tirar as fotos antes de abrir tudo foi impressionante, mas como eu já tinha estabelecido que se gostasse da experiência esse post sairia, consegui me conter. À medida que fui desbravando a caixinha, fui também me deparando com outras pequenas alegrias.

Abertura kit

Primeiro kit: cartinha de boas-vindas, folhetinho explicando a experiência, um pouco do presente do mês e o embrulho com livro e revistinha.

Quem recebe o primeiro kit surpreende-se com o carinho que eles dedicam aos novos associados: além das etiquetas personalizadas, você é presenteado com uma cartinha de boas-vindas e com um folheto que explica um pouco mais de como funciona a TAG. Até dezembro de 2015, o livro vinha embrulhado com papel microondulado e barbante. A mudança de pacote foi um dos pontos altos do primeiro kit desse ano, mas não coloquemos os carros na frente dos bois.

Ímãs Nietzsche

Receber um presente personalizado para a obra é uma das partes mais deliciosas de receber a caixinha todo mês. Além de me questionar sobre o livro, eu fico sempre me perguntando qual será o mimo do mês. Em novembro, a surpresa foram ímãs do Nietzsche. Minha geladeira agradece a filosofia hahahaha ❤

Livro, marca-página e revista

Desvendado o mistério, a obra indicada pelo Clóvis foi Aprender a Viver, do filósofo francês Luc Ferry. Trata-se de uma introdução à filosofia, escrita para aqueles que querem um primeiro contato com o tema. Na revistinha, que é deliciosa de ler e dá pra devorar em poucos minutos, Clóvis conta um pouco de sua ligação com esse campo do conhecimento e explica a escolha da obra. Temos também muitas informações sobre o autor, sobre como surgiu o livro indicado e uma série de “ecos da leitura”, seção na qual somos apresentados a complementos diversos, que vão desde mais sugestões de leitura sobre o tema até filmes que possam interessar quem gostou da obra. Toda a pesquisa envolvida para a confecção da revista é de um cuidado lindo. No final, um teaser do livro do mês seguinte.

E chegamos em dezembro.
Embalagem 2014-2015

O que acontece quando você fez um trabalho que envolve Gabriel García Márquez pra faculdade? Isso mesmo, você mata a charada do último kit do ano na hora hahahaha…
Confesso que embora isso tire o “elemento surpresa” da coisa, também ajuda a te deixar mais ansioso. Eu não tinha o livro e adoro Gabo, então mal podia esperar para que o kit de dezembro chegasse, mesmo sabendo que talvez eu não fosse ler a obra tão cedo. Sabe como é, sou daquele tipo de pessoa que gosta de ter o livro comigo e vê-lo na estante mesmo que só vá lê-lo daqui mais de ano HAHAHA. Minha ansiedade para receber o mimo do mês, então, era enorme.

Selos Gabo

Selos iguais aos que foram feitos pelo governo colombiano em comemoração ao Prêmio Nobel de Literatura de 1982, gente! Como não amar?
Infelizmente o hábito de enviar cartas não é mais tão comum hoje em dia. Além disso, mesmo que esses fossem os selos originais e que eu pudesse usá-los, não sei se teria coragem de me desfazer de qualquer um deles ❤ De qualquer forma, guardarei com muito carinho.

Livro, marca-página, revista e selos

Preciso elogiar a arte dessas revistas: as ilustrações das capas são LINDAS!

Janeiro seria um mês bastante especial pra TAG e pra mim. Além de mudanças como um todo no kit, o curador do mês era Luis Fernando Verissimo, meu cronista favorito e escritor de alguns dos textos mais deliciosos que eu já li. Já até escrevi textos inspirada no estilo dele. Aliás, aproveito o espaço pra recomendar fortemente o conto “A Mancha”, presente no livro Os Últimos Quartetos de Beethoven e Outros Contos, que mistura humor e drama de um jeito que só Luis Fernando consegue fazer. Ô família maravilhosa ❤
Também desvendei rapidamente o mistério do autor recomendado por ele, mas preferi controlar a ansiedade e não procurar o livro para manter pelo menos uma parte da surpresa.

Caixinha nova

Nova caixinha, com livros e os dizeres “este kit contém amor”

Dentre as maiores novidades de 2016 está o redesign da caixinha. Eu gostava muito da anterior, talvez porque nela estivessem alguns dos meus autores favoritos, mas achei que o novo modelo ficou lindo e entendo a mudança. A alteração da embalagem, porém, foi muito mais interessante.

Embalagem nova

Nova embalagem personalizada para cada obra. Borrei as coisas escritas pra não estragar a surpresa de quem ainda não recebeu o kit de janeiro

A ideia da nova embalagem é que agora você possa encaixá-la na sua estante e guardar a revista junto com o livro. Personalizadas, elas vêm com alguma referência ao enredo – no caso, como se trata de um livro policial, a arma – e o nome do autor, que eu fiz questão de borrar pra não dar spoilers caso algum associado que ainda não recebeu o kit chegue nesse post. Achei o primeiro exemplar lindo e fiquei bem feliz com a mudança, já que morria de dó de jogar o papel microondulado fora.

Arma de papel

Já imaginava que o presente teria a ver com toda a aura policial da obra e do autor, mas achei uma graça eles enviarem uma arminha de papel com citação do livro para servir como marca página ou como decoração para a seção de obras policiais da estante. Detalhe que demorei mil anos pra fazer com que essa foto ficasse decente, até porque errei o lugar do dedão em algumas delas HAHAHA

“Mas Luiza, não é mais fácil – e mais barato – eu simplesmente comprar um livro numa livraria e pronto?”. Sem dúvida alguma, mas o prazer de receber a caixinha da TAG é totalmente outro. A questão não é apenas a obra do mês: é o carinho envolvido em todo o projeto. Quer dizer, só o processo de procurar uma referência intelectual para recomendar um livro já demonstra todo um cuidado, mas como se não bastasse isso, eles se preocupam em fazer uma boa pesquisa para a revistinha e em investir tempo para pensar num presente personalizado e elaborá-lo. Pra vocês terem uma ideia, eles já entregaram uma mini-vodka com rótulo customizado para acompanhar um Dostoiévski. Não me imagino cancelando a assinatura e mal posso esperar pelo kit de fevereiro, que, dessa vez, vai ser uma completa surpresa.
Se você se interessou pela TAG, pode encontrar ainda mais informações no site ou na página deles no facebook. Ah, e se decidir assinar depois de ler o meu post, coloca lá que recebeu indicação minha, assim eu recebo uma ecobag no mês que vem =P

Água fria, fria água

Ou “uma reflexão sobre o ódio que os chuveiros sentem por mim”

Outro dia me peguei comemorando a água morninha que caía nas minhas costas, apesar do chuveiro estar na temperatura máxima, num dia em que São Paulo presenteava seus habitantes com alguma garoa e muito vento. Isso não deveria ser motivo de alegria para a maioria das pessoas, mas dada a qualidade dos insucessos anteriores com banhos, uma água morna era quase uma vitória.
A quantidade de histórias do gênero que eu acumulei com meus vinte anos é de fazer inveja a muita gente mais velha. De energia e disjuntores caindo a chuveiros quebrando no meio do banho e até mesmo uma ducha inteira despencando no chão e pegando fogo (essa é definitivamente a melhor de todas), posso dizer que fui premiada com todo tipo de causo pra compartilhar com as gerações futuras.
Encaro o momento do banho como uma pausa pra mim mesma. Posso refletir sobre meu dia, repassar as atitudes recentes, conversar comigo (às vezes em voz alta), desenvolver temas que têm se passado na minha cabeça (também periodicamente em alto e bom som… ops). A água funciona como relaxante muscular em alguns dias especialmente tensos. E, por que não, de vez em quando crio situações fictícias ou me imagino num palco fazendo uma performance brilhante daquela música que não sai da minha cabeça. Por que motivo, então, que meus chuveiros não colaboram?
Se eles falassem, o que diriam pra mim? Será que estão cansados dos meus discursos ou das minhas cantorias? Será que não aguentam mais o fato de que algumas das minhas reflexões não saem do papel? Será que diriam uma série de impropérios e explicariam que pararem de funcionar era a única maneira de se comunicar comigo?
Não sei. Até porque toda essa história de objetos inanimados que criam vida é só mais um fruto da minha imaginação fértil (e talvez um pouco de culpa da minha infância regada a Disney). De qualquer forma, faço aqui meu apelo: chuveiros, por favor, gostem mais de mim!

Resolvi encerrar o ano blogueiro com um dos posts mais “cronísticos” (e curtos hahaha) que eu já fiz. Desejo a todos vocês uma ótima passagem de ano e um 2016 maravilhoso! Volto em janeiro com um post contando um pouco mais sobre uma das coisas mais agradáveis dos meus últimos meses.