Dez livros que me marcaram até aqui

Recentemente criei um perfil no Skoob (me adicionem lá, gente <3) e fiquei pensando em como alguns dos meus livros lidos tinham me marcado. Foi aí que surgiu a ideia pra esse post.
Isso não é exatamente uma TAG/um meme, mas pode ser se você assim o quiser. De qualquer forma, eu, ironicamente a rainha da trapaça nesse tipo de coisa, estabeleci uma regra pra mim mesma: não repetir autores. Como vou indicar algumas pessoas ao final (e eu fico aqui tentando me convencer de que não é uma TAG), gostaria que quem decidisse fazer o post tentasse seguir o mesmo padrão. Se não conseguir, tudo bem. E não precisam ser necessariamente seus dez livros favoritos da vida, mas sim livros que tenham te marcado por algum motivo.
Sem mais delongas, vamos pra minha lista, que segue a ordem mais aleatória possível.

Os nacionais
1- Dom Casmurrode Machado de Assis
Acho que eu poderia resumir os motivos pra esse livro entrar na lista dizendo que ele é meu favorito da vida e que foi ele que me convenceu de vez que Machado era o melhor autor do mundo. De qualquer forma, todo o fundo psicológico criado para cada um dos personagens consegue me deixar fascinada toda vez que eu releio um trecho. Já até escrevi um trabalho pra faculdade comentando o complexo de inferioridade do Bentinho em relação à Capitu – que mulher, aliás. A psicologia é um tema que sempre me interessou muito, e vê-lo trabalhado dessa forma numa obra de ficção é encantador. Por fim, o estilo de escrita machadiano é de encher os olhos: a ironia, as metáforas, as digressões sempre pertinentes, o pessimismo pungente… ❤

2- Incidente em Antaresde Erico Verissimo
Eu falo desse livro tantas vezes pros outros que ninguém deve aguentar mais. Em primeiro lugar, ele é o livro mais viciante que eu já li: quando cheguei na segunda parte eu não queria largar por nada nesse mundo. Em segundo, Cícero Branco (um dos personagens mais interessantes da obra) é responsável por uma das minhas citações favoritas em toda a literatura. Por fim, (e aqui vai um spoiler de leve) toda a reflexão sobre a questão da verdade como algo impossível de ser alcançado em vida é arrebatadora e deixa qualquer um meio aturdido. Amo com todas as forças.

3- As Meninas, de Lygia Fagundes Telles
Acho que o principal motivo pra esse livro ter me marcado é o fato de que eu me imaginei dentro dele. Eu poderia ser parte daquele grupo de amigas, eu poderia ter vivido tudo aquilo. A história de Lorena, Lia e Ana Clara é muito real, e eu vi muito de mim nas duas primeiras. A obra é comovente, bem pensada e, na minha opinião, o timing de cada detalhe é perfeito. Além disso, dá gosto de ler o fluxo de consciência da Lygia. Os capítulos narrados pela Ana Clara são de uma complexidade incrível e caem feito uma luva para a personalidade da personagem.

4- Vidas Secasde Graciliano Ramos
Quando li Vidas Secas, fiquei impressionada com a habilidade do Graciliano em fazer o leitor entender o que se passa na cabeça de Fabiano, Sinhá Vitória, dos meninos e até de Baleia. Trabalhando constantemente com discurso indireto livre e com uma objetividade típica dele, o autor consegue produzir um belo efeito. Compreender a vida de uma família do sertão de dentro da cabeça deles faz com que o leitor sinta na pele o sofrimento dos menos favorecidos, daqueles que lutam dia após dia para sobreviverem e compreenderem um mundo que não está tão disponível para eles.

5- Capitães da Areiade Jorge Amado
Acho que esse foi o livro mais triste que eu já li (menção honrosa para “Campo Geral”, de Manuelzão e Miguilim, que me fez chorar num ônibus). A história dos meninos do trapiche é quase palpável: todos nós já vimos muitas crianças de rua, pedindo dinheiro para sobreviverem. Uma das passagens mais agridoces da obra é a cena do carrossel: aqueles meninos, apesar de toda a dor que enfrentaram na vida, ainda se encantam, como qualquer outra criança, com uma brincadeira, com algo que pode parecer comum e mundano para muitos leitores com infâncias mais fáceis. 

Da literatura estrangeira
1- O Sol é para Todos (To Kill a Mockingbird)de Harper Lee
O aspecto mais marcante desse livro é ler a história de uma adulta que conta aquilo que via na infância. Scout possui a inocência, a esperança e a honestidade de uma criança comum, e a visão dela torna certos episódios do livro muito mais tristes e/ou revoltantes. Todo o preconceito da cidadezinha de Maycomb, seja com o Tom Robinson, seja com Arthur Radley, fica bem mais evidente a partir dos olhos dela. Harper Lee acerta em cheio na construção de cada personagem e no modo como ela conta essa história.

2- 1984 (Nineteen Eighty-Four), de George Orwell
O que mais me assusta nesse livro é que ele é muito real. Vejo Ministério da Verdade na grande imprensa brasileira. Vejo  a monitoração das teletelas nos governos que vigiam passo a passo seus cidadãos. Vejo muita gente encarando 1984 como um manual de instruções pra uma sociedade futura. Corro o risco de me repetir, mas as cenas que acontecem no Ministério do Amor fizeram com que eu sentisse um mal-estar físico. Eu me coloquei no lugar do Winston, me senti dentro de uma sociedade como a do livro e não gostei nem um pouco do que vi.

3- O Homem Duplicadode José Saramago
Depois de muito me decepcionar com todos os escritores portugueses que eu li e de ouvir com frequência que “Saramago é difícil, Saramago é complexo”, ler os primeiros capítulos desse livro foi uma das coisas mais prazerosas e surpreendentes dos últimos tempos. Deus, como eu amei o estilo literário desse homem! Tudo me fascinou: seu modo de brincar com a pontuação, de escrever os diálogos fora de todo e qualquer padrão já existente, de transmitir os pensamentos do personagem principal… E gente, que história empolgante e inspiradora de reflexões! ❤

4- Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)de Jane Austen
Sempre ouvi falar muito bem da Jane Austen, mas não me imaginava gostando tanto de Orgulho e Preconceito quanto eu gostei. Acompanhar as mudanças dos dois personagens principais foi delicioso, e nunca shippei tanto um casal na minha vida (e é bem raro eu shippar algo, principalmente em literatura). Mr. Darcy aprende  e cresce muito com seu amor por Elizabeth. Ela também cresce, mesmo sendo sensacional desde o primeiro momento do livro: proto-feminista, a frente de seu tempo, independente para a época e segura de si (mais um caso nessa lista de “que mulher”).

Antes de ir para o último livro da lista, devo dizer que demorei MUITO pra tomar essa decisão e fiquei entre três livros. O primeiro deles foi Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias, de Edgar Allan Poe, um dos meus contistas favoritos da vida. O que me fez desistir dele, porém, foi que embora eu ame fortemente alguns contos ali presentes (“O Coração Revelador” ❤ , “O Gato Preto”, “A Máscara da Morte Rubra”, “O Poço e o Pêndulo”), outros não me agradam tanto. Achei meio estranho colocá-lo na lista sendo que não seria o livro todo que teria me marcado.
Depois pensei em Crônica de uma Morte Anunciada, do Gabriel García Márquez. Essa obra tem um dos começos mais incríveis que eu já li na vida. Ao mesmo tempo, fiquei pensando no porquê ele teria me marcado tanto além de um “gostei muito da leitura e do modo como Gabinho escreveu o livro”. Depois de dar voltas e mais voltas mentais, achei que ele caberia mais numa lista de “livros muito amor”.
Acabei optando por uma leitura bem recente, mas que me fez refletir por um bom tempo. Acho que isso conta como marcante, certo? =P

5- Desonra (Disgrace), de John Maxwell Coetzee
Acho que o principal motivo desse livro ter me marcado foi o fato de que fui apresentada a um cenário sobre a África do Sul que desconhecia e que me impressionou. Quer dizer, enquanto estamos na escola só acompanhamos a história desse país até o fim do apartheid. Não fazemos ideia de como as coisas aconteceram depois disso, à exceção da vaga ideia de que, apesar de tudo, continua existindo muito racismo por lá. Mesmo a mídia não nos fornece muito material sobre o contexto de qualquer país da África. Descobrir como os sul-africanos têm lidado com racismo, machismo e violência foi algo totalmente novo, e até agora eu não consegui estabelecer uma ideia sobre o certo e o errado dentro do contexto do livro, nem saber direito o que eu acho de cada personagem.

Algumas coisas que achei merecedoras de um comentário final:
– Fiquei bem feliz que a maioria dos livros é de autores brasileiros. Nossa literatura precisa ser valorizada sempre.
– Dada a quantidade de autores que eu li em comparação com a quantidade de autoras, achei lindo que 30% da minha lista seja composta por mulheres. Proporcionalmente, eu diria que elas estão muito bem. Espero que essa porcentagem só cresça com o passar do tempo (e que eu leia cada vez mais mulheres).
– Oito dos livros dessa lista possuem edições pela Companhia das Letras. Achei no mínimo curioso.

Como não se trata de uma TAG, não é obrigatório fazer uma indicação no final, mas quis trazer aqui alguns dos blogueiros cujos livros marcantes me interessam: Amável Formalidade / BeLivs / DeClara / Dreams / Dreams & Dramas / Enfim, veremos / Flaws Made / Imaginatif / Não me venha com desculpas / Ooh, Mry

Os melhores livros do meu 2014

Pensei em escrever uma retrospectiva do ano, mas ela seria, em sua maior parte, um muro de lamentações. Pensei em participar de um meme do rotaroots e falar quais os cinco sentimentos que eu gostaria de deixar em 2014, mas a lista ultrapassa o limite de cinco. Pensei em muitas coisas e todas levariam a um post chato e cheio de mimimi.
De fato, são poucas as coisas que aconteceram nesse ano e que eu quero guardar pra minha vida. Dentre elas, estão os livros que li esse ano. Pensei então em fazer uma retrospectiva literária igual a do ano passado, mas esbarrei no fato de que li mais que o dobro dos livros de 2013 e que o post ficaria ou longo demais ou superficial demais. Por isso, decidi comentar apenas meus três favoritos do ano e alguns destaques em certas áreas (poesia, infantil, humor, acadêmico, projeto gráfico). Espero que gostem.


Meus livros favoritos:

Quincas BorbaTítulo: Quincas Borba
Autor: Machado de Assis
Editora: Penguin-Companhia das Letras
Ano da edição: 2012
Ano de publicação: 1891
Introdução: John Gledson.

Primeiramente, Machado é Machado. Ele é meu autor favorito na vida, então fica difícil dizer qualquer coisa sem esbarrar numa clara predileção que eu tenho pela narrativa machadiana. De qualquer forma, Quincas Borba foi uma leitura deliciosa em vários sentidos. Dos três livros mais aclamados de Machado, em Quincas Borba é que fica mais claro o modo como o narrador prega peças no leitor. Como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro são narrados pelos personagens principais, o leitor mais desavisado se deixa levar pelas artimanhas de ambos (principalmente do maluco do Bentinho) e, muitas vezes, nem percebe que está sendo enganado. O narrador de Quincas Borba, ao contrário, joga nas costas do leitor a culpa por “ver coisas demais” e juntar coincidências aleatórias para se enganar, quando na verdade parece ser um método que o autor utiliza para mostrar ao leitor o quanto a sociedade impõe certos valores e acaba por corromper nossas mentes. Os personagens são outro deleite, principalmente Sofia. É maravilhoso observar as várias nuances e camadas de sua personalidade e como elas acabam se manifestando em suas ações. Ah, as mulheres de Machado <3… E o enredo como um todo é, como sempre, sensacional!
Quanto à edição do selo Penguin da Companhia das Letras, tenho muito a elogiar! A capa segue a linha da coleção de clássicos de ficção da Penguin britânica, o projeto gráfico é clássico sem ser antiquado. As mais de cem notas de rodapé explicativas auxiliam em muito o leitor, fornecendo base histórico-cultural importantíssima para compreensão de certas passagens e facilitando a vida de alguém que não tenha disponibilidade de pesquisar alguns detalhes. A minha única crítica é com relação à “introdução” de John Gledson. Apesar de interessantíssima, ela caberia mais como posfácio, já que traz spoilers da história e a visão do pesquisador sobre momentos do enredo. O melhor seria permitir ao leitor que terminasse a obra, tirasse suas próprias conclusões e só então se aventurasse pelas considerações de Gledson. De qualquer forma, no geral é um edição muito bem cuidada.

IncidenteTítulo: Incidente em Antares
Autor: Erico Verissimo
Editora: Editora Globo
Ano da edição: 1995
Ano de publicação: 1971

Erico Verissimo é o autor preferido do meu pai e esse livro em especial é também seu favorito. Por causa das recomendações dele, eu já tinha lido Clarissa, Música ao Longe e Caminhos Cruzados. Decidi que minha próxima leitura do autor seria Incidente em Antares, mas acabei demorando para pegar o livro de fato e começar a lê-lo. Hoje me pergunto o porquê de ter passado tantas outras obras na frente dele.
Li esse livro em sete dias e mais ou menos no seguinte ritmo: 60 páginas por dia na primeira parte do livro, 100-120 por dia na segunda (e só parava porque eu tinha de comer, dormir… viver, sei lá). Com uma narrativa envolvente e empolgante, eu não queria parar a leitura. Era uma tortura interromper por algum tempo e ficar sem saber o que aconteceria com os personagens a seguir. Incidente em Antares é aquele tipo de livro que te faz passar pelas mais diversas emoções durante a leitura: dei risada, fiquei triste, ansiosa, irritada (Tibério, essa é pra você, um beijo), e às vezes tudo ao mesmo tempo. Foi uma obra que me fez refletir intensamente sobre o modo como vivemos as nossas vidas. Achei incrível que, usando a faceta de um realismo mágico, Erico (esse inocente útil =P) escancara toda a hipocrisia e a podridão da sociedade. Antares, que parece ser uma cidade do interior pequena e demasiado provinciana, é na verdade um retrato de todo um país, de todo um planeta! E nós todos nos comportamos como os moradores, escondendo, fingindo, omitindo. Guardarei uma das falas de Cícero Branco na cena do coreto como citação para a vida: vivemos, sim, um constante baile de máscaras do qual temos medo de sair.
A edição que li faz parte de uma coleção da obra completa do autor, publicada pela Editora Globo. Em capa dura, estava muito bem conservada apesar dos anos e até mesmo o amarelo das páginas não foi suficiente para atacar minha rinite. Achei as cores da capa muito acertadas para o conteúdo da obra e a diagramação seguiu a mesma linha do que acontece em Quincas Borba.

As MeninasTítulo: As Meninas
Autora: Lygia Fagundes Telles
Editora: Companhia das Letras
Ano da edição: 2011
Ano de publicação: 1973

Sempre tive curiosidade de ler esse livro de tanto ouvir sobre o relato de tortura que ele contém, mas nunca imaginei que fosse gostar do jeito que gostei e me envolver como me envolvi. À medida que lia, me identificava cada vez mais com as personagens e achava que aquele poderia tranquilamente ser meu grupo de amigas, ou até mesmo que eu poderia ser uma delas, já que via em mim um pouco de Lorena e um pouco de Lia. Ao mesmo tempo, a relação que as três cultivam me fez questionar o tipo de amizade que levamos hoje. Lena, Lião e Ana Turva conhecem-se muito bem e o laço entre elas é rompido no momento certo, evitando desgastes, e deixando nelas uma lembrança bonita de tudo que viveram juntas. É difícil falar desse livro sem dar spoilers do final, mas acredito que se algo tivesse transcorrido de outra maneira naquela situação, elas levariam consigo traumas, e não belas memórias. Já li opiniões de pessoas que, ao final da história, concluíram que elas nunca foram amigas. Eu, ao contrário, lembrei-me da frase final do filme Conta Comigo (não vou compartilhar a frase porque o filme merece ser visto). A narrativa da autora é um caso a parte: além de eu já gostar de livros com mais de um personagem como narrador, em As Meninas eu senti que entrava nas mentes das três protagonistas. Lygia consegue traduzir perfeitamente o que elas pensariam/sentiriam em cada situação, e até mesmo os diálogos são característicos. As narrações e diálogos de Ana Clara, por exemplo, são ex-tra-or-di-ná-rios, com os delírios, as mudanças constantes, e até as incompletudes que combinam perfeitamente com uma menina drogada. Me apaixonei pela escrita de Lygia!
Curiosamente, nessa edição parece acontecer o oposto do que ocorre em Quincas Borba: todos os paratextos são pós-textuais, evitando que o leitor tome spoiler na cara (e o texto da própria autora tem um gigantesco) e dando a ele a possibilidade de digerir a leitura antes de adentrar naquilo que outros pensem a respeito. Em compensação, senti falta de notas de rodapé, pelo menos nas expressões em outras línguas. Achei a capa curiosa, causando uma mistura intrigante de delicadeza e caos. Ela também me deu uma sensação de tecido que a Lia usaria, sei lá hahaha

Destaques do ano:

Poesia
Bandeira s2Título: 50 Poemas Escolhidos pelo Autor
Autor: Manuel Bandeira
Editora: Cosac Naify
Ano da edição: 2011

Além de poder reler algumas das minhas poesias favoritas do autor, reunidas num conjunto fantástico, ainda tive a oportunidade de ouvir o próprio Bandeira declamando algumas dessas poesias no CD que vem junto com o livro. Um beijo pra Cosac por essa edição linda!

Infantil
aliceTítulo: Alice no País das Maravilhas
Autor: Lewis Carroll
Editora: Cosac Naify
Ano da edição: 2010

Como se não bastasse uma história deliciosa, que é infantil e adulta ao mesmo tempo, a edição ainda conta com pós-textuais muito interessantes (como até mesmo uma lista de adaptações cinematográficas), ilustrações lindíssimas e esse formato fofo arredondado nos cantos!

Humor
manualTítulo: Manual de Sobrevivência dos Tímidos
Autor: Bruno Maron
Editora: Lote 42
Ano da edição: 2013

Sei que isso pode parecer um sacrilégio em um ano que li Luís Fernando (<3) e Millôr, mas é que esse livro e essa editora foram achados que a Copa me proporcionou e parece que Bruno Maron escreveu um manual da minha vida! Tímidos, vale muito a leitura!

Acadêmico
otelo brasileiroTítulo: O Otelo Brasileiro de Machado de Assis
Autora: Helen Caldwell
Editora: Ateliê Editorial
Ano da edição: 2008

Num semestre em que tive de ler muitos acadêmicos não tão interessantes, esse livro foi um refresco! Pra quem gosta de Machado e/ou de Dom Casmurro, e principalmente pra quem defende a Capitu (ou quer entender os defensores), recomendo FORTEMENTE esse livro!

Projeto gráfico
avenidaTítulo: Avenida Niévski
Autor: Nikolai Gógol
Editora: Cosac Naify
Ano da edição: 2012

Como não amar um livro desses? Além de um enredo interessante, ele (junto com Notas de Petersburgo, outro livro com projeto gráfico muito bom) é “embrulhado” num papel que simula um jornal da época e, dentro, as páginas são diagramadas de forma bastante curiosa. O livro é dividido horizontalmente ao meio e as metades recebem fontes de duas cores diferentes. Ao terminar a primeira metade, o leitor deve virar o livro de cabeça pra baixo e ler o resto do livro. Isso sem contar as belas ilustrações, também coloridas em laranja e roxo. É como se fôssemos levados a caminhar pelos dois lados da Avenida Niévski, indo e voltando.

E se o texto já ficou longo assim sem eu ter falado com profundidade sobre todos os livros que eu li, imaginem se eu tivesse comentado todos! =P

Retrospectiva Literária – 2013

Olha só quem voltou depois de inacreditáveis 30 dias!
Sim, eu sei, é um milagre. Eu tinha prometido que faria uma retrospectiva com os livros que li durante esse ano. De fato, o ano ainda não acabou, mas sei que não conseguirei terminar O Pêndulo de Foucault de Umberto Eco até o fim do ano, então não terei uma opinião concreta sobre ele antes de 2014. Por isso, resolvi adiantar a retrospectiva para hoje.
Espero que gostem e que, acima de tudo, leeeiam!

P.S.: Falarei sobre as obras na ordem em que as li.
P.S.2: Não incluí as obras acadêmicas porque, né, não vai interessar a grande maioria das pessoas.

Título: O Processo
Autor: Franz Kafka
Ano: 1925
Editora: Companhia de Bolso

O livro conta a história de Josef K., um homem que sofre um longo processo durante a narrativa sem saber qual foi o crime que teria cometido. E isso é o máximo que eu posso falar sobre o enredo sem dar muito spoiler. A verdade é que Kafka constrói a história de um modo que deixa o leitor angustiado o tem-po to-do! E como se não bastasse isso, o final explode seu cérebro em milhares de pedaços miudinhos. O livro é assustadoramente genial, recomendo muito!

Título: As Vantagens de Ser Invisível
Autor: Stephen Chbosky
Ano: 1999
Editora: Rocco

Charlie, um jovem que está prestes a começar sua trajetória no ensino médio, começa a enviar cartas a um destinatário anônimo, contando um pouco sobre seu dia a dia, suas novas amizades e seus problemas de saúde. A obra, pelo que eu entendo, pode ser encaixada na mais recente tendência da literatura mundial, a sick-lit, já que Charlie teve (e ainda tem) algumas alucinações, entre outros surtos. Apesar de tudo, a obra consegue ser leve e bem escrita, uma leitura rápida e gostosa, mesmo sendo um pouco triste. O filme baseado na obra segue as mesmas características.

Título: Ninguém Escreve ao Coronel
Autor: Gabriel García Márquez
Ano: 1961
Editora: Record

O Coronel e sua mulher são um casal extremamente pobre. Há alguns anos ele espera que sua pensão de guerra chegue pelo correio, mas o dinheiro nunca vem. Enquanto isso, ele usa o pouco que lhe resta para cuidar do galo de briga, posse do filho já falecido. Meu pai me deu esse livro quando me formei no Ensino Médio como forma de me convencer a nunca desistir de meus sonhos e não me deixar ser realista em excesso. A história é bem triste, e a escrita é de certa forma crua, o que torna tudo ainda mais interessante. E acima de tudo, não desista do galo!

Título: A Brincadeira
Autor: Milan Kundera
Ano: 1967
Editora: Companhia de Bolso

Ludvik é um jovem filiado ao Partido Comunista checo. Enamorado e irritado porque a garota de quem gosta está mais feliz em um Acampamento, afastada dele, Ludvik escreve um cartão postal com uma brincadeira. O cartão é interceptado pelo Partido, que o interpreta como uma manifestação trotskista e expulsa Ludvik, desencadeando uma série de eventos que mudam a vida do jovem. Li A Brincadeira para uma prova do meu curso, mas o livro passou longe de ser uma “leitura obrigatória”. Achei a história bem interessante, gostei da divisão de narrações e a narrativa é, de certa forma, um pouco reflexiva.

Título: To Kill A Mockingbird (em português, O Sol é Para Todos)
Autor: Harper Lee
Ano: 1960
Editora: Grand Central Publishing (edição importada)

O livro conta a história da família Finch e de alguns outros habitantes de uma pequena cidade no Alabama. O pai, advogado, empenha-se em defender a causa de um negro acusado de estupro (e qualquer coisa além disso é spoiler). Aaaaah, esse livro! Ele provocou o mesmo efeito em mim que alguns dos livros da nossa literatura regionalista de 1930. A narração feita por uma criança, a descrição dos preconceitos sulistas norte-americanos pela visão inocente de Scout, tudo colaborou para que eu ficasse um bom tempo refletindo sobre como diabos é possível que a sociedade seja assim tão podre. Vale MUITO a leitura, porque a obra é lindíssima. Além disso, recomendo também o filme, que é bastante fiel (com exceção de alguns detalhes ao final) e muito bem interpretado.

Título: Garranchos
Autor: Graciliano Ramos
Organizador: Thiago Mio Salla
Ano: 2012
Editora: Record

Garranchos é um livro de textos inéditos de Graciliano Ramos, incluindo um conto que nunca foi publicado antes, nem mesmo em jornais dos quais o autor participou. Organizados em várias seções (algumas de décadas, outras relacionadas com o conteúdo do texto), o livro mostra como Graciliano adaptava-se muito bem a qualquer tipo de gênero literário (até mesmo em seus discursos no PCB). Vale muito a leitura, principalmente se você quer conhecer as várias facetas do nosso alagoano querido.

Título: A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green
Ano: 2012
Editora: Intrínseca

Hazel Grace é uma paciente de câncer terminal. Ela é obrigada pelos pais a participar de um Grupo de Apoio para pacientes da doença e lá conhece um garoto que vai mudar sua vida. Mais um livro da sick-lit que eu li esse ano. Ele foi presente de aniversário de uma grande amiga. Eu poderia tentar avaliar a história, a escrita e qualquer coisa que envolva esse livro, mas eu diria que não tenho condições de fazê-lo. Eu apelidei o livro carinhosamente de “tortura”. Não porque ele seja ruim, mas sim porque foi MUITO difícil pra ler. Eu sofria mais a cada capítulo e ele ia me matando aos pouquinhos. O começo foi tranquilo, mas da metade pro final, meu Deus… talvez eu tenha lido na semana errada, mas ele foi cruel comigo.

Título: 50 Contos de Machado de Assis
Autor: Machado de Assis
Organizador: John Gledson
Ano: 2011
Editora: Companhia das Letras

Nesse caso, o título é autoexplicativo. Foi a melhor pedida de leitura depois de todo o sofrimento anterior. Presente de aniversário do meu namorado, ele foi o livro mais amado do ano. Machado consegue envolver o leitor em absolutamente TODOS os contos do livro, e eu me senti quase que órfã quando cheguei ao fim. Eu poderia recomendar um conto, dizer quais foram meus favoritos, mas isso é basicamente impossível: adorei cada um de uma forma especial e única. Recomendo FORTEMENTE pra quem já é apaixonado por Machado e para aqueles que torcem o nariz, porque os contos curtos trazem uma pequena prévia de toda a maravilha que é ler um romance machadiano <3. Destaque para a edição, que ainda vem com um mapa do Rio na época.

Título: The Sign of Four
Autor: Sir Arthur Conan Doyle
Ano: 1890
Editora: Penguin (edição importada)

Sherlock Holmes (nosso querido e amado detetive) e John Watson envolvem-se em nova aventura:  uma jovem aparece no 221B contando sobre o sumiço de seu pai, as pérolas que recebeu pelo correio nos últimos seis anos e a carta que acabara de chegar. Os dois amigos terão de descobrir a relação entre todos esses fatos. Por algum motivo obscuro, eu sou meio fissurada por tudo que envolve Sherlock Holmes. Talvez porque o primeiro tenha sido difícil de achar (eu queria edição importada), eu agora tenha essa vontade de comprar tudo que eu vejo sobre ele. Esse é só mais um livro incrível de Sir Arthur, super curtinho, mas com cenas eletrizantes e deduções incríveis.

 

lolitaTítulo: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Ano: 1955
Editora: PubliFolha
(Nesse caso, não peguei a capa da edição que tenho, mas sim a capa do Eugênio Hirsch, que foi escolhida pelo próprio Nabokov como a mais bonita já feita. A edição dessa capa é da Civilização Brasileira)

Lolita conta a história de uma jovem de 12 anos, Dolores Haze, que desperta a paixão de um homem de meia idade, Humbert Humbert. Se eu me estender mais na sinopse, é spoiler mais uma vez. A verdade é que Nabokov foi um dos poucos autores que me fez sentir raiva do personagem principal (e narrador-personagem) em menos de trinta páginas de história. Ele me provocou uma série de sentimentos e me fez reavaliar a minha ideia sobre a perversão sexual.

Um feliz 2014 com muita leitura pra vocês, seus lindos!