Dez livros que me marcaram até aqui

Recentemente criei um perfil no Skoob (me adicionem lá, gente <3) e fiquei pensando em como alguns dos meus livros lidos tinham me marcado. Foi aí que surgiu a ideia pra esse post.
Isso não é exatamente uma TAG/um meme, mas pode ser se você assim o quiser. De qualquer forma, eu, ironicamente a rainha da trapaça nesse tipo de coisa, estabeleci uma regra pra mim mesma: não repetir autores. Como vou indicar algumas pessoas ao final (e eu fico aqui tentando me convencer de que não é uma TAG), gostaria que quem decidisse fazer o post tentasse seguir o mesmo padrão. Se não conseguir, tudo bem. E não precisam ser necessariamente seus dez livros favoritos da vida, mas sim livros que tenham te marcado por algum motivo.
Sem mais delongas, vamos pra minha lista, que segue a ordem mais aleatória possível.

Os nacionais
1- Dom Casmurrode Machado de Assis
Acho que eu poderia resumir os motivos pra esse livro entrar na lista dizendo que ele é meu favorito da vida e que foi ele que me convenceu de vez que Machado era o melhor autor do mundo. De qualquer forma, todo o fundo psicológico criado para cada um dos personagens consegue me deixar fascinada toda vez que eu releio um trecho. Já até escrevi um trabalho pra faculdade comentando o complexo de inferioridade do Bentinho em relação à Capitu – que mulher, aliás. A psicologia é um tema que sempre me interessou muito, e vê-lo trabalhado dessa forma numa obra de ficção é encantador. Por fim, o estilo de escrita machadiano é de encher os olhos: a ironia, as metáforas, as digressões sempre pertinentes, o pessimismo pungente… ❤

2- Incidente em Antaresde Erico Verissimo
Eu falo desse livro tantas vezes pros outros que ninguém deve aguentar mais. Em primeiro lugar, ele é o livro mais viciante que eu já li: quando cheguei na segunda parte eu não queria largar por nada nesse mundo. Em segundo, Cícero Branco (um dos personagens mais interessantes da obra) é responsável por uma das minhas citações favoritas em toda a literatura. Por fim, (e aqui vai um spoiler de leve) toda a reflexão sobre a questão da verdade como algo impossível de ser alcançado em vida é arrebatadora e deixa qualquer um meio aturdido. Amo com todas as forças.

3- As Meninas, de Lygia Fagundes Telles
Acho que o principal motivo pra esse livro ter me marcado é o fato de que eu me imaginei dentro dele. Eu poderia ser parte daquele grupo de amigas, eu poderia ter vivido tudo aquilo. A história de Lorena, Lia e Ana Clara é muito real, e eu vi muito de mim nas duas primeiras. A obra é comovente, bem pensada e, na minha opinião, o timing de cada detalhe é perfeito. Além disso, dá gosto de ler o fluxo de consciência da Lygia. Os capítulos narrados pela Ana Clara são de uma complexidade incrível e caem feito uma luva para a personalidade da personagem.

4- Vidas Secasde Graciliano Ramos
Quando li Vidas Secas, fiquei impressionada com a habilidade do Graciliano em fazer o leitor entender o que se passa na cabeça de Fabiano, Sinhá Vitória, dos meninos e até de Baleia. Trabalhando constantemente com discurso indireto livre e com uma objetividade típica dele, o autor consegue produzir um belo efeito. Compreender a vida de uma família do sertão de dentro da cabeça deles faz com que o leitor sinta na pele o sofrimento dos menos favorecidos, daqueles que lutam dia após dia para sobreviverem e compreenderem um mundo que não está tão disponível para eles.

5- Capitães da Areiade Jorge Amado
Acho que esse foi o livro mais triste que eu já li (menção honrosa para “Campo Geral”, de Manuelzão e Miguilim, que me fez chorar num ônibus). A história dos meninos do trapiche é quase palpável: todos nós já vimos muitas crianças de rua, pedindo dinheiro para sobreviverem. Uma das passagens mais agridoces da obra é a cena do carrossel: aqueles meninos, apesar de toda a dor que enfrentaram na vida, ainda se encantam, como qualquer outra criança, com uma brincadeira, com algo que pode parecer comum e mundano para muitos leitores com infâncias mais fáceis. 

Da literatura estrangeira
1- O Sol é para Todos (To Kill a Mockingbird)de Harper Lee
O aspecto mais marcante desse livro é ler a história de uma adulta que conta aquilo que via na infância. Scout possui a inocência, a esperança e a honestidade de uma criança comum, e a visão dela torna certos episódios do livro muito mais tristes e/ou revoltantes. Todo o preconceito da cidadezinha de Maycomb, seja com o Tom Robinson, seja com Arthur Radley, fica bem mais evidente a partir dos olhos dela. Harper Lee acerta em cheio na construção de cada personagem e no modo como ela conta essa história.

2- 1984 (Nineteen Eighty-Four), de George Orwell
O que mais me assusta nesse livro é que ele é muito real. Vejo Ministério da Verdade na grande imprensa brasileira. Vejo  a monitoração das teletelas nos governos que vigiam passo a passo seus cidadãos. Vejo muita gente encarando 1984 como um manual de instruções pra uma sociedade futura. Corro o risco de me repetir, mas as cenas que acontecem no Ministério do Amor fizeram com que eu sentisse um mal-estar físico. Eu me coloquei no lugar do Winston, me senti dentro de uma sociedade como a do livro e não gostei nem um pouco do que vi.

3- O Homem Duplicadode José Saramago
Depois de muito me decepcionar com todos os escritores portugueses que eu li e de ouvir com frequência que “Saramago é difícil, Saramago é complexo”, ler os primeiros capítulos desse livro foi uma das coisas mais prazerosas e surpreendentes dos últimos tempos. Deus, como eu amei o estilo literário desse homem! Tudo me fascinou: seu modo de brincar com a pontuação, de escrever os diálogos fora de todo e qualquer padrão já existente, de transmitir os pensamentos do personagem principal… E gente, que história empolgante e inspiradora de reflexões! ❤

4- Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)de Jane Austen
Sempre ouvi falar muito bem da Jane Austen, mas não me imaginava gostando tanto de Orgulho e Preconceito quanto eu gostei. Acompanhar as mudanças dos dois personagens principais foi delicioso, e nunca shippei tanto um casal na minha vida (e é bem raro eu shippar algo, principalmente em literatura). Mr. Darcy aprende  e cresce muito com seu amor por Elizabeth. Ela também cresce, mesmo sendo sensacional desde o primeiro momento do livro: proto-feminista, a frente de seu tempo, independente para a época e segura de si (mais um caso nessa lista de “que mulher”).

Antes de ir para o último livro da lista, devo dizer que demorei MUITO pra tomar essa decisão e fiquei entre três livros. O primeiro deles foi Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias, de Edgar Allan Poe, um dos meus contistas favoritos da vida. O que me fez desistir dele, porém, foi que embora eu ame fortemente alguns contos ali presentes (“O Coração Revelador” ❤ , “O Gato Preto”, “A Máscara da Morte Rubra”, “O Poço e o Pêndulo”), outros não me agradam tanto. Achei meio estranho colocá-lo na lista sendo que não seria o livro todo que teria me marcado.
Depois pensei em Crônica de uma Morte Anunciada, do Gabriel García Márquez. Essa obra tem um dos começos mais incríveis que eu já li na vida. Ao mesmo tempo, fiquei pensando no porquê ele teria me marcado tanto além de um “gostei muito da leitura e do modo como Gabinho escreveu o livro”. Depois de dar voltas e mais voltas mentais, achei que ele caberia mais numa lista de “livros muito amor”.
Acabei optando por uma leitura bem recente, mas que me fez refletir por um bom tempo. Acho que isso conta como marcante, certo? =P

5- Desonra (Disgrace), de John Maxwell Coetzee
Acho que o principal motivo desse livro ter me marcado foi o fato de que fui apresentada a um cenário sobre a África do Sul que desconhecia e que me impressionou. Quer dizer, enquanto estamos na escola só acompanhamos a história desse país até o fim do apartheid. Não fazemos ideia de como as coisas aconteceram depois disso, à exceção da vaga ideia de que, apesar de tudo, continua existindo muito racismo por lá. Mesmo a mídia não nos fornece muito material sobre o contexto de qualquer país da África. Descobrir como os sul-africanos têm lidado com racismo, machismo e violência foi algo totalmente novo, e até agora eu não consegui estabelecer uma ideia sobre o certo e o errado dentro do contexto do livro, nem saber direito o que eu acho de cada personagem.

Algumas coisas que achei merecedoras de um comentário final:
– Fiquei bem feliz que a maioria dos livros é de autores brasileiros. Nossa literatura precisa ser valorizada sempre.
– Dada a quantidade de autores que eu li em comparação com a quantidade de autoras, achei lindo que 30% da minha lista seja composta por mulheres. Proporcionalmente, eu diria que elas estão muito bem. Espero que essa porcentagem só cresça com o passar do tempo (e que eu leia cada vez mais mulheres).
– Oito dos livros dessa lista possuem edições pela Companhia das Letras. Achei no mínimo curioso.

Como não se trata de uma TAG, não é obrigatório fazer uma indicação no final, mas quis trazer aqui alguns dos blogueiros cujos livros marcantes me interessam: Amável Formalidade / BeLivs / DeClara / Dreams / Dreams & Dramas / Enfim, veremos / Flaws Made / Imaginatif / Não me venha com desculpas / Ooh, Mry

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