Minhas citações preferidas

Daí que eu adoro “roubar” ideias alheias de post.
Eu não me orgulho disso.  Mas a verdade é que eu penso em fazer algo nesse estilo desde que vi o desafio das 52 semanas pela primeira vez, e o recente post da Livoneta só trouxe de volta essa vontade. Só que vocês já devem ter percebido que eu não gosto de seguir as típicas regras que costumam estabelecer pra esse tipo de coisa, então resolvi criar as minhas próprias regras pra brincar: serão três citações da literatura, três de séries e três de música.
Antes de começar, preciso esclarecer certas coisas. Algumas das citações foram escritas na língua portuguesa, mas outras vêm de obras em inglês. Nesse segundo caso, decidi manter as versões originais no post, mas caso você não entenda inglês, nada tema: é só ir até a seção de comentários que deixarei traduções livres feitas por mim de todas elas por lá. Ah, e vale mencionar que haverá spoilers no post, principalmente nas citações de séries. Você pode ler por sua própria conta e risco. De qualquer forma, deixei os nomes e os números dos episódios ao lado do nome do seriado pra vocês terem uma noção se já passaram pelo episódio em questão.
Sem mais delongas, vamos a elas

Literatura

Dom Casmurro
Existem milhares de citações do Machado que eu poderia ter incluído aqui, e talvez Dom Casmurro nem seja o romance dele com as citações mais marcantes e conhecidas por aí, perdendo o posto pra Memórias Póstumas. Mas é meu livro favorito, e cada vez que eu releio o grupo de capítulos que vai de “As Curiosidades de Capitu” (XXXI) até “Sou Homem!” (XXXIV) eu fico embasbacada. É impressionante como ele consegue resumir em pequenos detalhes alguns dos principais aspectos do livro como um todo. Isso sem contar que algumas passagens servem pra mostrar que Machado, quando quer ser poético, trabalha o lirismo de uma maneira tão dele e tão linda. Eu poderia separar aqui todo o trecho em que Bentinho descreve os benditos “olhos de ressaca” de Capitu, porque poucas coisas que eu li na minha vida são mais bonitas  do que aquilo, mas decidi escolher um trecho simples e curto que eu acredito que demonstre bem a personalidade dos dois personagens principais. Logo após o primeiro beijo, vemos como Capitu, mulher forte e dona de si, está em pleno controle da situação, enquanto Bentinho, amedrontado no seu complexo de inferioridade, fica ali, sem saber o que fazer.

“Assim, apanhados pela mãe, éramos dois e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio” – Machado de Assis

Incidente em Antares
Aaaaah, esse livro. Eu já falei tantas vezes dele nesse blog que vocês já devem estar enjoados. As pessoas que convivem comigo, então, não devem aguentar mais as minhas constantes recomendações pra que elas leiam Incidente em Antares o mais rápido que puderem. Não só ele tem um enredo extremamente instigante e que te prende por completo, ele também tem um final arrasador e um dos melhores trechos que eu já li, que ganhou até post no meu facebook (coisa que eu faço de vez em nunca). Acredito que sejam poucos os personagens que conseguem traduzir, como Cícero Branco o faz nessa citação maravilhosa, a hipocrisia humana desse nosso “baile de máscaras” e o modo como a elite faz de tudo para manter a plebe fora do baile, distante, num lugar onde ela não possa atrapalhar os “convivas felizes”. 

“(…) a vida mais do que nunca me parece um baile de máscaras. Ninguém usa (nem mesmo conhece direito) a sua face natural. Tendes um disfarce para cada ocasião. Cada um de vós selecionou sua fantasia para a Grande Festa. (…) E que baile! Também tomei parte nele e usei mil máscaras, mil disfarces. Aprendi a manipular a moeda corrente (falsa mas fácil) das mentirinhas cotidianas, das grandes mentiras e das meias verdades… Tornei-me um mestre em vossas danças e contradanças. Respeitei o vosso código, que manda aceitar as imposturas e simulações dos outros mascarados para que eles, em retribuição, aceitem as nossas…(…) Para vós o importante é que a festa continue, que não se toque na estrutura, não se alterem os estatutos do clube onde os privilegiados se divertem. A canalha que não pode tomar parte na festa e se amontoa lá fora no sereno, envergando a triste fantasia e a trágica máscara da miséria, essa deve permanecer onde está, porque vós os convivas felizes achais que pobres sempre os haverá, como disse Jesus. E por isso pagais a vossa polícia para que ela vos defenda no dia em que a plebe decidir invadir o salão onde vos entregais às vossas danças, libações, amores e outros divertimentos” – Erico Verissimo

To Kill a Mockingbird
A citação que virá a seguir é até um pouco paradoxal em relação à anterior. Ao mesmo tempo, ela é um sopro de esperança depois de um tapa na cara hahaha… já até falei dela uma vez antes aqui no blog. To Kill a Mockingbird procura mostrar para seu leitor uma série de preconceitos que permeiam a sociedade vistos pelos olhos de uma criança. Além do racismo que aparece com muita força no julgamento de Tom Robinson, o desprezo dos habitantes de Maycomb por Boo Radley também diz muito sobre como raramente nos colocamos no lugar do outro. A frase de Atticus é exemplar de algo que ainda falta muito hoje em dia: a empatia. Não podemos tentar entender as dores alheias sem antes perceber que não passamos pelas mesmas coisas.

“You never really understand a person until you consider things from his point of view (…) until you climb into his skin and walk around in it” – Harper Lee

Séries

Supernatural (Swan Song – 5×22)
Temos aqui mais uma citação que já foi mencionada nesse blog antes. Apesar de amar profundamente a série, penso muitas vezes se ela não deveria, de fato, ter terminado na quinta temporada. Não só porque eu ache que as temporadas posteriores são mais fracas e essa 12ª tá sofrível, mas também porque eu acho que Swan Song tem toda a carinha de um series finale perfeito. Os Winchesters conseguiram a vitória do livre-arbítrio fazendo a escolha mais bonita e mais coerente com o resto de toda a série: família. O amor que eles têm um pelo outro supera todas as coisas, salva o mundo e ajuda a confirmar para os humanos o direito que temos de escolher como queremos nossas vidas.

“Up against good, evil, angels, devils, destiny, and God himself, they made their own choice. They chose family. And, well, isn’t that kind of the whole point?” – Chuck Shurley

The Blacklist (Anslo Garrick – 1×09)
Existem poucas coisas mais deliciosas do que ouvir o incrível roteiro de The Blacklist na voz de James Spader. Reddington tem tiradas brilhantes, um humor afiadíssimo e uma risada muito gostosa de ouvir, mas os momentos em que ele mais brilha são aqueles com apelo emocional, em que o ator capricha nas pausas, na tonalidade da voz e na expressão. Não só o personagem tem histórias maravilhosas pra contar, como também faz monólogos com suas experiências de vida que são capazes de tocar até mesmo o mais frio dos espectadores. Nesse diálogo, ele pode até falar basicamente de situações que a riqueza dele pôde proporcionar, mas o sentimento como um todo é partilhado por todos os que assistem à cena. E essa merece não só ser lida, como ser ouvida (ela começa em 1:03 do vídeo).  Menção honrosa pra todo o diálogo final entre ele e a Liz no 3×02 (Marvin Gerard), que seria extenso demais pra reproduzir aqui e que é mais complexo do que uma citação só, mas nossa senhora que coisa linda ❤

“Have you ever sailed across an ocean, Donald? (…) On a sailboat surrounded by sea with no land in sight, without even the possibility of sighting land for days to come? To stand at the helm of your destiny? I want that one more time. I want to be in the Piazza del Campo in Siena, to feel the surge as ten racehorses go thundering by. I want another meal in Paris at L’Ambroisie in the Place des Vosges. I want another bottle of wine and then another. I want the warmth of a woman in the cool set of sheets. One more night of jazz at the Vanguard. I want to stand on summits and smoke Cubans and feel the sun on my face for as long as I can. Walk on the Wall again. Climb the Tower. Ride the River. Stare at the frescos. I want to sit in the garden and read one more good book. Most of all I want to sleep. I want to sleep like I slept when I was a boy. Give me that. Just one time. That’s why I won’t allow that punk out there to get the best of me, let alone the last of me.” – Raymond Reddington

Penny Dreadful (A Blade of Grass – 3×04)
Em primeiro lugar, sdds Penny Dreadful. Não é segredo que eu amo os episódios que são basicamente um “The Vanessa Ives Show“. Também não é segredo que ela e a criatura são meus personagens preferidos da série. Então um episódio que aborda o passado dela somado à amizade dos dois tinha tudo pra se tornar o melhor episódio pra mim. Junte-se a isso o roteiro MARAVILHOSO e não teve jeito: sou absurdamente apaixonada por A Blade of Grass. Ao longo de todos os quase 60 minutos de episódio eu senti meu coração ser destruído em diversos pedacinhos sem dó, então foi difícil escolher uma cena só como ponto alto, mas acho que essa citação fala muito dos dois personagens, então não teve jeito. E só de lembrar eu sinto um aperto gigantesco. E essa é outra que eu recomendo ser ouvida, porque MEU DEUS Rory Kinnear!

“I was at home, yesterday night past. And I was helping my son with a wooden ship model. That’s something we do. And he asked me about the ship. I said it was the kind of ship used for exploring the seas. And he said, ‘Where do they explore, Father?’. And I told him, ‘Everywhere. The Orient, Peru and even the frozen North’. And he says, ‘What’s that, Father?’. And so I told him it was the places all covered with snow. North of Scotland and even beyond that. And he said, ‘Do people live there?’. And I said, ‘No. It’s too cold and lonely all the time. No one lives there’. And I started to cry. And I couldn’t stop. My son took my hand. I couldn’t stop crying. (…) Because I realized I was wrong. One person does live there, where it’s cold and lonely all the time. So I tendered my resignation. I’ll stay on long enough to see you tomorrow. The last person you see before the surgery will be someone who loves you” – The Orderly

Músicas

Clocks
Por algum motivo, eu sempre senti que “Clocks” era a música que mais me representava, aquela que mais parecia ter sido escrita pra mim.  São vários os elementos responsáveis por isso: o piano, a participação dela em momentos importantes da minha vida, a ligação emocional que eu tenho com ela e esse trecho em específico. Acredito que a dúvida sobre ser parte da cura ou da doença é algo que aparece em muitas pessoas em diferentes momentos da vida, e ela paira na minha cabeça já por alguns anos a fio. Essa questão pode ser entendida a partir de tantas interpretações diferentes que daria pra fazer um post só sobre como ela se desdobra, mas sem dúvida ela sempre conversou muito comigo.

“Am I a part of the cure or am I part of the disease?” – Coldplay

Miniature Disasters
Essa foi uma das primeiras coisas da KT que eu ouvi na minha vida. Fiquei encantada com o refrão, mas acho que o trecho que mais falou comigo foi o finalzinho da segunda estrofe. Essa busca por entender melhor a si mesma quando o mundo a sua volta não facilita muito é algo bem real e bem profundo.Em diversas situações da minha vida eu tive a clara sensação de que não conseguia me comportar da forma como deveria, e de que falava uma língua diferente daquela que todos partilhavam. Porque, afinal, algum motivo eu tinha de ter pra ter escolhido o título dessa música como nome do meu blog, não é mesmo?! 

“And I need to patient, and I need to be brave / I need to discover how I need to behave / And I’ll find out the answers when I know what to ask / But I speak a different language / And everybody’s talking too fast” – KT Tunstall

Roda Viva
Ah, Chico… Esse homem é, definitivamente, meu letrista favorito, então foi difícil escolher apenas uma música pra constar nessa lista. 
Acho que daria pra fazer um compilado de citações preferidas só a partir das músicas do Chico. Pensei em “Construção”, mas a minha vontade seria de incluir a música toda, e não um trecho específico. Depois de muito penar, optei pelo comecinho de “Roda Viva” porque acho que ele passa uma mensagem que é, ao mesmo tempo, reflexiva e um pouco pessimista (e é minha cara gostar de coisas pessimistas). É bem triste pensar que nem sempre a gente consegue mandar na nossa própria vida, e que isso faça com que a gente às vezes sinta que paramos, que morremos, que não damos mais conta.

“Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu / A gente estancou de repente? / Ou foi o mundo então que cresceu? A gente quer ter voz ativa / No nosso destino mandar / Mas eis que chega a roda viva / E carrega o destino pra lá” – Chico Buarque

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Livros, séries, filmes: meus personagens icônicos

Sabem aquelas pessoas que dizem “ai, eu sempre trapaceio as tags” ou coisas do tipo? Eu resolvi partir pra um novo nível: criar uma coisa nova a partir de uma tag existente. Desde que a Lí fez esse meme sobre séries eu fiquei com vontade de falar sobre meus personagens favoritos das poucas séries que acompanho. No entanto, esbarrei numa coisa que me incomodou bastante: os quatro que eu queria citar eram homens. E as personagens femininas?
Foi com essa ideia na cabeça que eu decidi fazer um post com doze personagens icônicos na minha vida: quatro grandes mulheres de filmes que eu gostei, quatro grandes homens de séries que eu vejo e dois protagonistas de cada gênero de livros que amo.
Antes de começar, um aviso: algumas das descrições têm pequenos spoilers sobre o enredo do filme/série/livro. Leia por sua própria conta e risco.


As quatro personagens icônicas dos filmes:

1- Mulan, de Mulan (1998)
Gif Mulan
Existem tantas coisas que tornam Mulan uma personagem sensacional que é até difícil escolher por onde começar. Depois de muito penar para tentar se encaixar em uma sociedade que encara a mulher como uma criatura destinada a ser a “perfeita esposa”, Mulan encontra sua verdadeira imagem ao se disfarçar de homem para evitar que seu pai, com a saúde bem debilitada, morra ao ir lutar na guerra. É ali que ela percebe que sua maior força é sua inteligência, e, seguindo nesse caminho, a grande heroína salva a China sozinha. É isso que eu chamo de girl power.
“Mas Luiza, tinha de ter animação?” Tinha, sim. Primeiro porque o filme da Disney é baseado num poema chinês, e a história de Mulan vai muito além da animação. Segundo porque eu ouço muito esse discurso de que as “princesas” da Disney são péssimos exemplos, e é sempre bom “contra-argumentar”. Quer mais provas? Dá uma olhada nessa lista com 27 momentos empoderadores nos mais diversos filmes do estúdio.

2- Skeeter e Aibileen, de Histórias Cruzadas (2011)
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Achei que seria sacanagem separar duas personagens que se completam tanto, mas ao mesmo tempo seria impossível falar de uma sem comentar da outra. Skeeter e Aibileen procuram trazer à tona uma história que ninguém quer ouvir, mas que elas acreditam terem o direito de contar. Com a ajuda uma da outra, elas desnudam o racismo dos subúrbios sulistas dos Estados Unidos, incomodando toda uma sociedade cujo conforto prescindia dessa hierarquia de brancos sobre negros.

3- Malévola, de Malévola (2014)
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Se a Malévola lá do filme de 1959 já é uma personagem interessante por ser uma das maiores vilãs das histórias infantis, esse live-action de 2014 trouxe uma série de nuances novas para a “antagonista”. Interpretada por Angelina Jolie, Malévola deixa de ser apenas uma vilã com motivos aparentemente mesquinhos para transformar-se em uma personagem com a qual muitos de nós podemos nos identificar: enganada, sua vida adquire um gosto amargo até que ela reencontra o amor por meio de uma adolescente com quem ela vai construir uma bela relação de mãe e filha.

4- Christine Collins, de A Troca (2009)
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Dose dupla de Jolie!
O que mais encanta na história de Christine Collins é que o filme é baseado em fatos reais. Mãe solteira na década de 1920, Christine luta com unhas e dentes para recuperar seu filho desaparecido e provar que o menino que entregaram para ela não é Walter Collins. Ela desafia as autoridades, é desacreditada, confinada a um hospício e mesmo assim não desiste de descobrir o paradeiro de seu filho.


Os quatro personagens marcantes de séries:

1- Sherlock Holmes, de Sherlock
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Como se eu já não gostasse de Sherlock Holmes nos livros do Conan Doyle, Benedict Cumberbatch parece ter nascido para interpretar o detetive. Numa ótima adaptação do personagem pro século XXI, o “high-functioning sociopath” mais querido do mundo esbanja inteligência e sarcasmo, é deliciosamente observador e dedutivo, e, apesar de ter dificuldade em socializar com “pessoas comuns”, ainda consegue demonstrar (mesmo que de forma enviesada) o carinho que sente por aqueles que ama.

2- Dean Winchester, de Supernatural
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Desde que comecei a acompanhar a série, a coisa que eu mais amo em SPN é o amor e o carinho que os Winchesters sentem um pelo outro. Dean foi como um pai para seu irmão (mesmo com a diferença de quatro anos entre os dois) e está disposto a ir para o inferno – literalmente – para salvar a vida de Sam. Se essa já não fosse uma razão boa o suficiente para amar o personagem, ele ainda consegue ser muito divertido, inteligente, leal, intuitivo, corajoso… e ele salva o mundo do apocalipse nas horas vagas.

3- Raymond Reddington, de The Blacklist
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Red é um dos personagens mais curiosos que eu já tive a felicidade de acompanhar. Criminoso de inteligência ímpar, Reddington é cheio de mistérios e tem uma experiência de vida impressionante. Apesar de ser um protagonista muito prático (“you talk too much”), as cenas mais gostosas de asssistir são aquelas em que ele começa a fazer um relato emocionante em um momento tenso, seja com um episódio da sua vida, seja com uma lista de coisas que pretende fazer antes de morrer.

4- Gregory House, de House
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House é, basicamente, o Sherlock da medicina (e pra quem acha que eu to exagerando…). Com um conhecimento médico fora do comum, House sempre é convocado para descobrir o que há de errado com pacientes que apresentam casos aparentemente insolúveis e doenças raríssimas (parabéns pra equipe de roteiristas pelo tanto de pesquisa que eles faziam, aliás). Além disso, House era um personagem muito amargo e isso rendeu uma quantidade enorme de citações intrigantes sobre a vida.


Quatro personagens maravilhosos dos livros:
(esses ficam sem imagem porque me recuso a pegar capa do livro/gif de adaptação cinematográfica)

1- Atticus Finch, de To Kill a Mockingbird/O Sol é Para Todos (Harper Lee)

ATENÇÃO: eu não pretendo ler Go Set a Watchman por causa dessa polêmica com a advogada, então a imagem que tenho de Atticus diz respeito única e exclusivamente ao que li em TKAM.
Aparentemente personagens que enfrentam o racismo no sul norte-americano me agradam bastante, já que Atticus também entra nessa lista muito por causa desse motivo. Ele protagoniza uma das cenas mais bonitas da literatura (e do cinema, na adaptação de 1962) ao defender Tom Robinson. Outra coisa que me toca é a forma como ele cria seus filhos, transformando a narrativa de Scout sobre o pai em uma história muito emocionante. Encerro com uma citação do próprio: “You never really understand a person until you consider things from his point of view… until you climb into his skin and walk around in it“.

2- Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

Lizzy é uma mulher à frente de seu tempo. Em pleno início do século XIX, ela não tem medo de lutar pela sua felicidade e só aceita casar-se por amor. Nesse caminho, ela demonstra muita inteligência e coragem, com diálogos afiadíssimos, nos quais ela inclusive enfrenta a aristocracia: a cena final dela com Lady Catherine de Bourgh é uma das melhores coisas do livro inteiro. Outro aspecto de Lizzy que se sobressai é sua capacidade de crescer ao longo da obra, de perceber seus erros e aprender com eles, sempre disposta a formar uma nova opinião sobre alguém.
(Adendo: Elizabeth e Mr. Darcy são meu casal favorito da literatura justamente porque eu vi o quanto os dois iam crescendo “juntos” ao longo do enredo ❤ )

3- Winston Smith, de 1984 (George Orwell)

Ai, esse livro. 1984 é uma série de facadas no coração: quando você acha que está se recuperando de uma, surge outra pior. Nesse universo assustador em que se passa o livro, a personalidade de Winston é um alívio e um breve sopro de esperança. O personagem passa o livro inteiro acreditando em um mundo melhor e lutando para mudar aquele em que vive. Os diálogos dele com O’Brien na terceira parte do livro são de encher os olhos pela inteligência de ambos (enquanto você não está com o coração acelerado de tanta aflição, claro).

4- Capitu, de Dom Casmurro (Machado de Assis)

Lógico que não podia faltar a melhor personagem do meu livro predileto da vida. Capitu é uma das mulheres mais maravilhosas da literatura! Bentinho passa a obra inteira tentando convencer o leitor de que sua esposa foi adúltera, e embora isso funcione com algumas pessoas, no meu caso só fez com que eu gostasse mais dela e menos dele. Capitu é forte, decidida, inteligente e corre atrás daquilo que quer. Ela não tem medo de se impor, de colocar seu ponto de vista. Capitu não mede esforços para que ela e Bentinho possam se casar, enquanto ele chega a ter dificuldade para perceber os sentimentos de ambos; tem uma paciência fora do comum para aguentar o marido doentio por bastante tempo; e concorda com Santiago em levar a separação a cabo. O único erro dela é continuar mandando cartas para Bentinho, mas levando em consideração que a história de Dom Casmurro se passa no século XIX…

Agora eu queria saber de vocês: o que acharam da lista? E quais são os personagens mais icônicos que vocês conheceram até agora?